Vale (VALE3): apesar de apontar volatilidade, UBS sugere compra

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: vale

O UBS manteve a recomendação de compra para a mineradora Vale (VALE3) no preço alvo de US$ 13. Segundo a empresa, o setor de mineração na América Latina está sujeito a uma alta volatilidade.

Entre os fatores estão o preço das commodities, alterações regulatórios, paralisações na produção, questões trabalhistas e o clima desfavorável.

O UBS cita que a produção de minério de ferro da Vale (em cerca de 310 milhões de toneladas/ano) e a meta de capacidade permanecem intactas. A meta de produção no longo prazo permanece em 400 milhões.

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Vale teve dívida surpreendente

Enquanto a meta de dívida líquida da Vale permanece inalterada em US $ 10 bilhões para o ano, o segundo trimestre registrou US $ 15 bilhões de dívida líquida (incluindo provisões, arrendamentos, Refis e outros).

Os números são surpreendentes, afirmam os analistas do UBS, Andreas Bokkeheuser, Cleve Rueckert e Cadu Schmidt.

“Nossas conversas com investidores sugeriam uma expectativa de mercado [da dívida líquida] próximo de US $ 8-10 bilhões. Valor comparável à meta de US$ 10 bilhões, e não de US$ 15 bilhões”, dizem os analistas.

Minério de ferro

Por conta da elevação do preço do minério de ferro e das regulações do setor, os investidores alteraram suas expectativas em relação aos dividendos da Vale e ao prazo de pagamento.

Agora, a expectativa é de um dividend yeld esperado entre 15% a 20%.

Ou seja, superior à expectativa de meses atrás, quando a faixa ia de 12% a 15%. Mas o prazo para pagamento esperado aumentou.

A perspectiva agora é de que o crédito seja realizado entre o quarto trimestre de 2020 e o início de 2021.

Pagamento de dividendos

As ações da Vale (VALE) se destacaram no último dia 11, quando houve valorização de 5,14%, a R$ 61,54, após a divulgação em 10 de setembro de aprovação de pagamento de proventos pelo conselho de administração. O papel ficou entre as maiores altas da bolsa.

A companhia irá pagar por ação R$ 2,4075, sendo R$ 1,4102 em forma de dividendos e R$ 0,9973 na forma de juros sobre o capital próprio (JCP).

Segundo o comunicado, o repasse ocorrerá em 30 de setembro. A ações serão negociadas ex-dividendos a partir de 22 de setembro.

Mais proventos no segundo semestre?

Na avaliação da Mirae Asset, a notícia já era esperada pelo mercado e representa um dividend yield de 4%. A casa diz esperar proventos ainda mais fortes no segundo semestre.

Entre os motivos está a redução da dívida que a empresa vem registrando, simultaneamente à forte geração de caixa. Some-se a isso a alta nos preços do minério de ferro e a valorização do dólar.

A recomendação da Mirae é de compra para a ação, com preço justo de R$ 77,22.

A avaliação é compartilhada pelo Credit Suisse, que diz esperar mais dividendos extraordinários nos próximos meses. Em relatório, destacado pelo BDM Online, a instituição acrescenta que o papel está sendo negociado com desconto e reafirma que a recomendação de compra para as ADRs, com preço-alvo de R$ 16.

Para a Guide Investimentos, a notícia gera um certo otimismo de mercado, e reforça o movimento de busca do investidor por maiores rendimentos em um cenário de taxa de juros em mínima histórica.

“A expectativa para 2021 já é bastante positiva”, diz o informe da instituição.

A Vale anunciou a retomada de pagamento de dividendos em julho, após ficar quase dois anos sem repasses, em razão do acidente de Brumadinho.

O anúncio foi feito na divulgação dos resultados do segundo trimestre, quando a empresa registrou um lucro líquido de R$ 5,28 bilhões, revertendo prejuízo de R$ 384 milhões do mesmo período do ano passado.