Vale (VALE3) assina na quinta acordo sobre Brumadinho, diz procurador

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
1

Crédito: Vale/Agência Brasil

O procurador-geral de Minas Gerais, Jarbas Soares, disse ontem no Twitter que na próxima quinta (4) a Vale (VALE3) irá assinar o acordo sobre os danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019.

Segundo o procurador, será o maior acordo da história.

Por volta das 13h, a Vale publicou um fato relevante em que confirma a informação de que um possível acordo está em vias de ser concluído e que a reunião para defini-lo acontece na quinta.

Brumadinho 2 anos: ações da Vale (VALE3) subiram 140%, enquanto se discute indenização

No dia 25 de janeiro, completou-se dois anos desde a tragédia de Brumadinho (MG), que deixou 270 vítimas entre mortos e desaparecidos.

Mesmo após o segundo incidente, que se seguiu a Mariana (MG), em 2015, a Vale continua sendo uma das maiores empresas brasileiras.

“A Vale está de pé, com a imagem arranhada, mas bem financeiramente, com uma dívida praticamente zerada”, comentou Pedro Galdi, analista de investimento da Mirae Asset Corretora.

O especialista explica que as ações da mineradora continuam atrativas ao investidor do ponto de vista financeiro. Afinal, a Vale voltou a distribuir dividendos altos aos seus acionistas em 2020, mesmo sem ainda ter pago indenizações às vítimas da tragédia.

Comportamento das ações da Vale desde as tragédias

No dia 5 de novembro de 2015, houve o rompimento da barragem de minério em Mariana. Daquele dia até o dia 2 de fevereiro de 2016, o papel da Vale teve queda de 50,57%. Passado esse período de instabilidade e susto, do dia 2 de fevereiro de 2016 até 21 de janeiro de 2021 a ação ordinária da Vale valorizou 1.169,01%.

Menos de três anos depois da tragédia de Mariana, o rompimento da barragem de Brumadinho aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019. Dessa vez, o período de queda das ações foi muito menor e o mercado ponderou o bom desempenho da mineradora.

As ações da Vale tiveram queda de -25,93%  do dia 25 de janeiro até o dia 7 de fevereiro de 2019. E de 7 de fevereiro de 2019 até 21 de janeiro de 2020, o papel se valoriza 140,06%.

“Os preços atuais mostram que não há impacto nenhum das tragédias nas ações da Vale. O impacto foi muito mais psicológico, no momento da tragédia, as pessoas saíram vendendo suas ações e os preços caíram”, comenta Pedro Ivo, economista que opera no mercado financeiro há mais de 20 anos.

“Infelizmente, podemos dizer até que houve algum impacto positivo, do ponto de vista financeiro dos acionistas. Isso porque, para a Vale gastar tão pouco com barragens, segurança e indenizações, ela dá mais lucro aos acionistas. É estranho dizer isso, mas é o que eu vejo nos preços da companhia hoje”, complementou.

Nos nove meses de 2020 a Vale registra lucro de US$ 3,88 bilhões que é o maior de uma empresa de capital aberto da América Latina.