Vale (VALE3): Samarco ajuíza pedido de recuperação judicial

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Vale

A Vale (VALE3) informou que a Samarco Mineração, sua joint venture em conjunto com a BHP Billiton Brasil Ltda, ajuizou nesta sexta (9) pedido de recuperação judicial (RJ).

Segundo o comunicado, o ajuizamento da RJ se faz necessário para evitar que ações já iniciadas afetem a capacidade da Samarco de produzir, embarcar, receber por suas exportações e financiar o curso normal de suas atividades.

Atualmente estão sendo executadas notas promissórias no Brasil, no valor de US$ 325 milhões, e ações movidas pelos detentores dos títulos de dívida com vencimento em 2022, 2023 e 2024 (“Bonds”) em Nova Iorque, EUA.

“O pedido de RJ formulado pela Samarco tem, primordialmente, o objetivo de preservar sua recente retomada operacional, os empregos e o cumprimento de suas obrigações socioambientais”, informou a Vale.

As operações da Samarco foram reiniciadas em dezembro de 2020 com a retomada de um de seus três concentradores para beneficiamento de minério de ferro no Complexo de Germano, localizado em Mariana, Minas Gerais, e uma das quatro usinas de pelotização do Complexo de Ubu, localizado em Anchieta, Espírito Santo, totalizando uma capacidade de produção de 7-8 Mtpa de pelotas de minério de ferro.

Processo de recuperação judicial

Com o deferimento do processamento da RJ pelo juiz competente, salvo poucas exceções, ficam temporariamente suspensas, por 180 dias (prorrogáveis por igual período), todas as ações e execuções movidas por seus credores no Brasil, tendo a Samarco até 60 dias para apresentar o plano de restruturação de suas dívidas e demais obrigações.

Na RJ, a Samarco apresentará, observados os prazos legais, à apreciação da assembleia de credores, um plano de recuperação judicial que pretenderá reestabelecer o equilíbrio econômico-financeiro, honrar os compromissos e cumprir suas obrigações socioambientais.

Dívida financeira

Grande parte da dívida financeira da Samarco com partes não relacionadas, de cerca de US$ 4,7 bilhões foi contraída anteriormente ao rompimento da barragem do Fundão em novembro de 2015.

A Samarco também possui dívida financeira adquirida para fazer face às necessidades de caixa para sustentar seu capital de giro, obrigações da Renova, trabalhos de reparo e investimentos para a retomada operacional, sendo supridas, após agosto de 2016, por linhas de crédito disponibilizadas pelos seus acionistas Vale e BHP Brasil, totalizando US$ 4,1 bilhões até março de 2021.