Vale (VALE3): produção no 1º trimestre fica abaixo do guidance

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Divulgação

A Vale (VALE3) informou que sua produção de finos de minério de ferro totalizou 59,6 de milhões de toneladas (Mt) no primeiro trimestre deste ano.

Segundo a empresa, este montante ficou abaixo das diretrizes de produção (guidance) de 63-68 Mt para os três primeiros meses deste ano

De acordo com o relatório de produção, as causas para este resultado são:

  • Perdas de 4,5 Mt no Sistema Norte, por manutenção não programada no transportador de correia de longa distância em S11D; pelas condições climáticas mais severas e concentradas do que o habitual, especialmente, em março; e restrições operacionais em Serra Norte, relacionadas à postergação no start-up da nova frente de lavra de Morro 1.
  • Perdas de 1,8 Mt, por menores compras de terceiros, devido à menor disponibilidade causada pelas fortes chuvas no sudeste do Brasil.
  • Perdas de 2,1 Mt, por questões operacionais no Sistema Sudeste, principalmente no Complexo de Itabira.

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Já o volume de vendas de finos de minério de ferro e pelotas atingiu 59,0 Mt, ficando em linha com a produção no primeiro trimestre.

Enquanto isso, a participação de produtos premium totalizou 87% no trimestre.

“Os prêmios de qualidade de finos de minério de ferro e pelotas atingiram US$ 5,2/t no mesmo período, ficando US$ 1,2/t abaixo do quarto trimestre de 2019, principalmente devido à ausência de dividendos recebidos e menores prêmios de pelotas, os quais foram parcialmente compensados por maiores prêmios de finos de minério de ferro”, acrescentou.

O que você verá neste artigo:

Revisão

Dessa forma, a Vale destacou que atualizou as projeções deste ano de produção de finos de minério de ferro para uma faixa entre 310 e 330 Mt.

Já em relação à produção de pelotas, a meta é agora de uma faixa entre 35 e 40 Mt em 2020.

Para a produção de níquel, excluindo Vale Nova Caledônia, para a faixa entre 180.000 e 195.000 t em 2020.

Por fim, à produção de cobre, para uma faixa entre 360.000 e 380.000 t.

“A Vale informa também a descontinuidade das projeções de produção e de custos do segmento de Carvão para os anos de 2020, 2021, 2022 e 2023”, acrescentou.

Entre as razões para a revisão estão:

  • Perda de produção no primeiro trimestre de 2020;
  • Atrasos na retomada de operações interrompidas, como Timbopeba e Fábrica, uma vez que a pandemia do Covid-19 vem atrasando os processos de inspeções, avaliações e autorizações;
  • Atrasos na implementação de alternativas para a disposição de rejeitos da planta de Brucutu, que não deve ser concluída até o final do segundo trimestre de 2020;
  • Impactos adicionais relacionados à pandemia, associados ao risco de aumento do absenteísmo em diferentes cenários de sensibilidade.

 

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“O volume de vendas da Vale em 2020 pode mudar de acordo com as condições de mercado e a estratégia de margem sobre o volume da Vale, priorizando produtos blendados em seu portfólio e a reposição de estoques em 2020, conforme necessário”, acrescentou.

Covid-19

Segundo a empresa, em geral, no primeiro trimestre deste ano, a produção nos negócios da Vale sofreu um impacto limitado devido à pandemia do Covid-19.

Dessa forma, os impactos podem ser resumidos da seguinte forma:

  • Minério de Ferro: a Vale interrompeu temporariamente as operações no Terminal Marítimo de Teluk Rubiah, na Malásia, sem impacto na produção;
  • Metais Básicos: a companhia reduziu sua operação de mineração em Voisey’s Bay e a colocou em regime de care and maintenance por um período inicial de quatro semanas, posteriormente estendendo esse período por até três meses adicionais, com um impacto de até 6 kt de produção de concentrado de cobre no primeiro semestre deste ano;
  • Carvão: a Vale decidiu adiar planos para a manutenção da planta de processamento de carvão (reforma) em Moçambique.

Futuro

Segundo a empresa, no futuro, entretanto, o impacto do Covid-19 nas operações da Vale poderá ser mais significativo, principalmente:

  • Pelo aumento potencial nos níveis de absenteísmo em seus sites de produção, se for necessário intensificar as medidas de segurança para proteger seus empregados, caso haja uma escalada de contágio nas localidades em que opera;
  • Pelo adiamento de paradas de manutenção programadas nas plantas de Metais Básicos, devido a restrições de segurança;
  • Em razão de restrições potencialmente mais severas, impostas pelas autoridades para combater a pandemia do Covid-19, que podem restringir seu contingente mínimo de mão-de-obra.

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Em relatório, a XP Investimentos ressalta que os números vieram mais fracos do que o esperado e com revisões de projeções.

“Esperamos que essa revisão para baixo (da produção de minério de ferro) dê algum suporte para os preços do minério de ferro ao longo de 2020, dada a expectativa de oferta ainda mais apertada”, escreveu o analista Yuri Pereira, da XP.

Segundo ele, a expectativa dentro do modelo da XP é de uma média preço de US$ 77 por tonelada este ano, ante o preço atual de US$ 85 por tonelada.

“Ainda, a estratégia de margem sobre volume – priorizando produtos de alta qualidade – permanece a mesma e a empresa deve reconstruir os estoques em 2020, o que pode gerar dados de vendas abaixo da produção ao longo do ano”, acrescentou.

Cara ou barata

Para a XP, as ações da Vale estão sendo negociadas a um preço atrativo, a 3,6 vezes EV/EBITDA para 2020, com uma rentabilidade de 10% de sua geração de caixa em 2020, considerando preço do minério de ferro a US$70/t ao final do ano.

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A XP destaca ainda que mantém a recomendação de Compra, com preço-alvo de R$ 61 por ação. As ações da Vale encerraram a sexta-feira (17) cotadas a R$ 44,00.

A Vale divulgará os resultados do primeiro trimestre no dia 28 de abril, após o fechamento do mercado.

A estimativa da XP é de que o Ebitda some US$ 2,9 bilhões, com margem de 41%, com volumes mais baixos reduzindo a diluição de custos.