Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) devem ter bons resultados no 3T20

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Agência Petrobras

Começou a temporada de balanços do terceiro trimestre de 2020. Ela vai até 16 de novembro e o investidor precisa ficar atento aos números para obeter o máximo de seus investimentos.

A Romi (ROMI3) começou reportando um lucro líquido de R$ 36,1 milhões no trimestre. O resultado representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período de 2019.

Já a Neoenergia (NEOE3) reportou um lucro líquido de R$ 814 milhões no terceiro trimestre de 2020, um aumento de 36% no mesmo período de 2019.

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Daniel Nigri, sócio e fundador da Dica de Hoje Consultoria e Research, elaborou alguns destaques desta temporada, separando por empresas com expectativa de bom resultados, de resultados regulares e de resultados possivelmente ruins.

Balanços positivos

Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 PETR4)

Dois dos maiores pesos do Ibovespa apresentam seus números trimestrais no mesmo dia, o que deve esquentar a sessão: 28 de outubro, uma quarta-feira.

Nigri espera resultados positivos de ambas as empresas.

Sobre a Vale (VALE3), ele acredita que “a produção e as vendas vão crescer muito, se comparadas ao 2T2020”.

“O alto preço do minério vai ajudar a Vale a registrar um dos maiores lucros trimestrais da história, mesmo ainda estando ineficiente na parte de custos”, escreveu.

Sobre a Petrobras (PETR3 PETR4), Nigri aponta que “o aumento da produção no Pré-Sal trará o custo para patamares antes inimagináveis”.

Uma “possível reversão do impairment do primeiro trimestre mais o câmbio favorável devem fazer a Petrobras voltar aos lucros”.

Fleutry (FLRY3)

No dia seguinte, em 29 de outubro, o laboratório Fleury (FLRY3) é uma expectativa positiva também.

“Começaremos a ver os resultados do futuro da Fleury. Exames em casa e a plataforma digital. Acredito que serão positivos”, disse.

“No entanto, a forte dependência das lojas físicas ainda trará um resultado menor que em 2019. Mesmo assim positivo”, concluiu.

JHSF (JHSF3), Engie (EGIE3) e M. Dias Branco (MDIA3)

Mais três empresas com possíveis resultados positivos.

A JHSF (JHSF3) apresenta seus números no dia 5 de novembro e um “resultado forte de incorporação vai alavancar os resultados” da empresa.

Isso “apesar dos hotéis e shoppings estarem funcionando com muitas restrições”, por conta da pandemia.

Nigri acredita em um “grande crescimento diante de 2019”.

No mesmo dia, a Engie (EGIE3) deve mostrar um resultado positivo.

“O ambiente no 3T2020 foi mais propício para a venda de energia. Resultados da TAG vão trazer resultados positivos. Atenção para o Capex no projeto da Sterlite”, avisou.

Em 4 de março deste ano, a Engie informou que sua controlada, a Engie Transmissão, concluiu a compra da Sterlite Novo Estado Energia S.A. por R$ 410 milhões.

A Sterlite Novo Estado tinha vencido o leilão de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2017 para a construção, operação e manutenção de aproximadamente 1.800 quilômetros de linhas de transmissão, uma nova subestação e expansão de outras três subestações nos Estados do Pará e Tocantins, o que passará agora para a Engie.

No dia seguinte, 6 de novembro, será divulgado o resultado do terceiro trimestre da M. Dias Branco (MDIA3).

A atenção vem com o custo do trigo cotado em dólar, além do açúcar e do óleo de palma, que “seguirão pressionando as margens da empresa”.

“Mas as sinergias ocorridas, o novo modelo de distribuição e a precificação vão trazer um bom resultado”, afirmou.

Além disso, o grande volume compensa a margem mais pressionada.

Direcional (DIRR3)

No dia 9 de novembro, uma segunda-feira, a incorporadora Direcional (DIRR3) chega com seus números.

O analista enxerga o mercado do “Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa Minha Vida) está muito aquecido. As vendas do setor subiram 62% em julho de 2020”.

Além disso, ele lembra que a Direcional divulgou o pagamento de R$ 0,81 na forma de dividendos por ação.

Serão distribuídos R$ 120 milhões, que representam cerca de 5,5% do valor da ação atual.

Os dividendos serão pagos no dia 21 de outubro, aos acionistas com base posição acionária de 9 de outubro.

Rodobens (RDNI3), CSU Cardystem (CARD3), Trisul (TRIS3) e Randon (RAPT3 RAPT4)

As quatro apresentam seus números no dia 12 de novembro, uma quinta-feira.

Sobre a Rodobens (RDNI3), a expectativa é por um “grande aumento de vendas líquidas e de receita da empresa. Redução dos distratos vai fazer a companhia voltar ao lucro líquido”.

A CSU Cardystem (CARD3) deve ter um “resultado levemente superior ao apresentado no 2T2020”, segundo Nigri.

Isso “baseado no pequeno aumento de JSCP do 3T2020 comparado com o 2T2020”, afirmou. “Acredito em um lucro líquido em torno de R$ 10,5 milhões”.

A Trisul (TRIS3) divulgou dia 15 de outubro a prévia de seus resultados operacionais referentes ao terceiro trimestre de 2020.

As vendas líquidas da parte da empresa totalizaram R$ 246,911 milhões no período, um aumento de 42% em comparação com o segundo trimestre.

Por fim, a Randon (RAPT3 RAPT4). Nigri afirmou que “o setor automotivo foi o que mais cresceu”.

Assim, a “Randon deve trazer um ótimo resultado, mas acredito que a alta das ações recente já esteja precificando essa melhora”.

No último mês, o ativo teve crescimento de 13,36%.

Resultados regulares

Além da Neoenergia, que já divulgou seu balanço, Nigri aponta resultados possivelmente regulares em quatro empresas.

A primeira a apresentar os números será a PetroRio (PRIO3), dia 29 de outubro.

“A incorporação do Campo de Tubarão Martelo trará alguns impactos contábeis que vão afetar a empresa”, avisou o analista.

“A geração de caixa operacional será alta, mas acredito em forte aumento dos investimentos e dos custos da dívida após a renegociação”, seguiu.

Em 3 de novembro, é a vez da Minerva (BEEF3), um dos grandes frigoríficos do Brasil.

O problema aqui é que “o câmbio ajudou, mas embargos da China e a alta do preço do boi gordo vão pressionar as margens e a utilização da capacidade produtiva”.

Já a D1000 (DMVF3) ainda deve “apresentar prejuízo líquido”.

O analista espera a abertura de novas lojas e que “a empresa mostre que o projeto de crescimento está em curso”.

“O projeto é mais importante que os números”, acredita.

Por fim, o Carrefour (CRFB3) apresenta os resultados em 10 de novembro.

Há uma “grande melhora no setor de varejo e-commerce. Mas sendo compensado por perdas no Banco Carrefour. Acredito em leve queda no lucro frente a 2019”, escreveu o analista.

Resultados ruins

Das 20 empresas analisadas por Nigri, quatro devem apresentar pontos de atenção e resultados ruins.

Começando pela Hypera (HYPE3), em 23 de outubro.

Pare ele, a “redução de produção de fármacos, associado ao atraso da incorporação da Takeda e aumento do custo de produção pelo câmbio, deve pressionar os resultados. No 2T2020, a visão era a mesma, e a empresa surpreendeu positivamente”.

Em março deste ano, a Hypera comprou da Takeda o portfólio de 18 medicamentos isentos de prescrição (OTC) pelo preço de US$ 825 milhões.

A IRB Brasil (IRBR3), um dos ativos que ultimamente foram mais negociados, divulga seus números em 9 de novembro.

Nigri não tem dúvidas: “o resultado em si será ruim. Um prejuízo menor que o do 2T2020. Mas acredito que o mercado verá com bons olhos, porque ficará claro que o ‘fundo do poço’ foi o 2T2020”.

De fato, a empresa de resseguros reportou prejuízo líquido de R$ 62,4 milhões em julho, de acordo com dados não auditados divulgados em setembro. Segundo o comunicado, sem o impacto dos negócios descontinuados, haveria um lucro líquido de R$ 36 milhões.

A Itaúsa (ITSA4) também divulga seu resultado em 9 de novembro.

“Teremos uma menor provisão, o que deve trazer resultados melhores que no 1T2020 e 2T2020. No entanto, piores que em 2019”, analisou.

Deve haver algum impacto nas receitas de serviço, que devem ser compensados com redução de despesas.

Além disso, é preciso atenção ao índice de eficiência e de inadimplência.

Enfim, o Banrisul (BRSR6), que divulga em 11 de novembro seu balanço do terceiro trimestre.

A expectativa é que, comparativamente com o ano de 2019, haja uma queda dos lucros. Uma pressão da inadimplência em alta e dos juros menores. Por outro lado, a carteira de consignado deve crescer.