Vale (VALE3) e CSN (CSNA3): mineração deve sofrer menos, diz Planner

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: CSN (CSNA3) divulga balanço

O segmento brasileiro de minério de ferro deve sofrer menos por conta da crise do coronavírus. Ao menos é isso que diz um relatório da corretora Planner.

De acordo com o levantamento, no primeiro trimestre de 2020 as exportações brasileiras de minério tiveram reduções de 16,2% em volume e apenas 2,5% na receita.

Isso porque as principais empresas sofreram, no trimestre, diminuições em suas vendas por conta das chuvas acima do normal em janeiro e fevereiro, com a regularização em março.

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Já para o segundo trimestre de 2020 as expectativas são de embarques normais, ainda sem impactos da pandemia.

Assim, os preços do minério de ferro sofreram uma queda muito menor este ano que outros metais, sendo menos 3,9% até dia 14 de abril.

“É importante destacar que a forte desvalorização do real no ano vai elevar em muito as margens do setor, que fatura em dólares e tem custos em reais. Estamos revendo as projeções para Vale e CSN”, informou a Planner.

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Desempenho

Apesar do acidente de Brumadinho, que contraiu os volumes de minério de ferro disponíveis para venda, conforme a Planner, o desempenho do segmento de metais ferrosos da Vale no quarto trimestre de 2019 foi muito bom.

Para o primeiro trimestre de 2020, a empresa já informou que teve perdas de 1 milhão de toneladas, em janeiro e fevereiro, com as fortes chuvas nas regiões dos Sistemas Sul e Sudeste.

“A Vale já informou que a paralisação do Terminal Marítimo Teluk Rubiah na Malásia vai levar a perdas de 500 mil toneladas nas vendas do primeiro semestre”, comunicou.

Já na CSN, o segmento de mineração teve um bom desempenho no quarto trimestre de 2019. No primeiro trimestre de 2020 a empresa teve perdas relevantes nas vendas, em função das fortes chuvas, que reduziram as vendas entre 30% a 35%.

“A CSN esperava vender em 2020 um volume próximo ao obtido no ano passado [cerca de 38,5 milhões de toneladas], mas acreditamos que esta quantidade não será obtida, sendo mais razoável estimarmos um volume em torno de 35 milhões de toneladas.”

Vale

Preços resilientes

O levantamento aponta que com a expectativa de uma grande crise mundial, os preços das commodities já caíram forte.

“A maior queda, sem dúvida, ocorreu com o petróleo, que além dos problemas de demanda, enfrenta o excesso de oferta que está sendo combatido pelo recente acordo da OPEP”, disse.

Nos metais, conforme a Planner, as quedas das cotações no ano estão entre 15% e 20%, em média.

Já o minério de ferro tem o melhor desempenho entre os metais. Em 2020, a cotação do minério caiu apenas 3,9%, de US$ 88,45/t ao final de 2019 para US$ 85,00/t no dia 14/abril.

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Frete em queda

Para a Planner, uma boa notícia para as mineradoras no primeiro trimestre de 2020 foi a redução do frete. O valor pago pelo transporte do minério de ferro entre o porto brasileiro de Tubarão e o chinês de Qingdao caiu de US$ 15 a tonelada no fechamento de 2019 para US$ 11 a tonelada no dia 10 de abril.

“Como as mineradoras, em grande parte de suas vendas, arcam com o custo do transporte até a China, a redução do frete permite o aumento do ganho sem necessidade de aumento do preço”, frisou.

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