Vale (VALE3) está preparada para retomada de dividendos, afirma CFO

Osni Alves
Jornalista | oalvesj@gmail.com
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Crédito: Vale (VALE3) está preparada para retomada de dividendos, diz CFO

Diretor financeiro da Vale (VALE3), Luciano Siani disse que a companhia está apta a retomar o pagamento de dividendos.

Entretanto, por conta da pandemia da Covid-19 e seus efeitos na produção e comercialização do minério de ferro, não há previsão para que volte a pagá-los.

Siani participou de uma live promovida pela XP Investimentos na manhã desta sexta-feira (3).

“A Vale tinha política de dividendos que prescrevia sempre em março e setembro. Portanto, setembro agora vai fazer dois anos que a empresa não distribui dividendos”, frisou.

E acrescentou: “dado o progresso nas indenizações de Brumadinho e na reparação ambiental em Minas Gerais, e havendo capacidade financeira para fazer frente a suas obrigações, não há mais impedimentos para retomar os pagamentos.”

Porém, “a grande incerteza trazida pelo novo coronavírus fez com que várias empresas paralisassem o pagamento de dividendos. No caso da Vale não foi diferente”, destacou.

Ele garantiu que a companhia irá anunciar a retomada de política de dividendos quando as incertezas forem superadas.

 

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Volume de produção

De acordo com Siani, a meta da Vale para 2020/2021 é produzir entre 310 e 330 milhões de toneladas por ano.

Isso porque a empresa produzia cerca de 385 milhões de toneladas até 2018, mas teve uma queda brusca de 83 milhões de toneladas na produção por conta das tragédias vivenciadas.

“Para atingir a meta de 330 milhões de toneladas por ano, precisaremos acelerar a produção no segundo semestre”, destacou.

Atualmente, a Vale tem valor de mercado de 55 bilhões de dólares, patrimônio líquido entre 35 e 40 bilhões de dólares e receita anual entre 35 e 40 bilhões de dólares.

“A meta da dívida líquida é de 10 bilhões de dólares, já a geração de caixa operacional fica entre 13 e 18 bilhões de dólares de acordo com o preço e a produção”, elencou.

E disse mais: “hoje, a dívida liquida está em 5 bilhões de dólares e a empresa não pretende usar a geração de caixa para pagar dividendos, mas usar parte desse recurso em reinvestimento.”

Siani esclareceu também que a Vale captou 5 bilhões de dólares em empréstimos para reforçar o caixa durante a pandemia.

Veja o desempenho da VALE3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

China

Segundo o executivo, atualmente 75% do minério de ferro do mundo é vendido na china.

“Um dos riscos que precisamos monitorar é uma possível segunda onda no país de origem”, disse, fazendo menção ao principal cliente da mineradora brasileira.

Ele explicou que o processo de urbanização da China consome muito aço e é uma elevação que ocorre há 20 anos e tem mais 20 anos pela frente.

Significa dizer que a Vale acredita no potencial consumidor do país asiático e que enxerga ali um cliente para, no mínimo, duas décadas de comercialização.

“O consumo de aço na China vai se manter ligeiramente estável, com pouca oscilação”, frisou.

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Produção X Preço

O minério de ferro está cotado, hoje, a 100 dólares. Enquanto o Brasil produz 35 milhões de toneladas por ano, os Estados Unidos produzem 80 milhões.

Entretanto, o mercado de minério de ferro tende a se tornar mais competitivo por conta da sucata do ferro que à medida que ocorre a reciclagem e reuso, a oferta e a demanda caem.

Apesar dessas projeções, Siani diz acreditar que os preços devem cair no segundo semestre, e que isso é bom para a companhia.

“Nosso objetivo de curtíssimo prazo é trazer produção de volta para diluir ansiedade do principal mercado que é a China, e seguir adiante com nossa estratégia”, frisou.

E a estratégia a que se refere é expandir a capacidade fabril no Brasil, como já está fazendo com ampliação de algumas plantas, para assim aumentar a produção.

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