Vale (VALE3): Brumadinho e coronavírus impedem dividendos

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

A Vale (VALE3) está capitalizada para pagar dividendos ainda este ano. Entretanto, a companhia aguarda acordo final acerca do caso Brumadinho e contenção do coronavírus.

A informação é do presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo, que atendeu imprensa e analistas financeiros em teleconferência na manhã desta quarta-feira (29).

O rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, ocorreu em janeiro do ano passado. Desde então, a mineradora está em um imbróglio jurídico com Estado de Minas.

De acordo com Bartolomeu, sete mil pessoas já foram indenizadas. Entretanto, não há teto quanto à indenização e isso impede um acordo final com o governo do Estado de Minas Gerais.

O outro fator que dificulta o pagamento de dividendos é a incerteza quanto à contenção do coronavírus que, ontem, atingiu seu maior pico no Brasil, com mais de cinco mil mortes.

“O acordo com Minas Gerais não é fator determinante para pagar ou não pagar dividendos. A reparação está sendo feita e a gente tem condição financeira para retomar o pagamento de dividendos este ano, mas o nível de incerteza sobre nosso negócio é muito grande no mundo todo”, declarou o executivo, em referência ao Covid-19.

E disse mais: “as conversas com o Estado de Minas continuam, porém, para fazer sentido pra nós, precisamos de segurança jurídica e um teto de valor. Não tem data prevista para celebrar esse acordo.”

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Indenização aos trabalhadores

Trabalhadores da Vale que sobreviveram ao rompimento da Barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, poderão receber indenizações entre R$ 40 mil e R$ 250 mil.

O valor vai depender da situação de cada um. As indenizações estão previstas em acordo homologado pela 5ª Vara do Trabalho de Betim.

O rompimento da barragem B1 deixou 259 mortos. Onze pessoas continuam desaparecidas. As buscas do Corpo de Bombeiros foram interrompidas no dia 21 de março, após 421 dias de trabalho ininterruptos, por causa do avanço do coronavírus.

Homologado pelo juiz titular Henrique Alves Vilela após adesão de quatro sindicatos de trabalhadores e da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Imobiliário do Estado de Minas Gerais, o Ministério Público do Trabalho acompanhou todo o processo.

Definição do acordo

Trabalhadores próprios e terceirizados, que estavam no momento do rompimento da barragem vão receber R$ 250 mil, sendo R$ 150 mil por danos materiais e R$ 100 mil.

Estes poderão ter assistência psicológica e psiquiátrica, em rede credenciada, até janeiro de 2022.

Já os trabalhadores lotados, que são funcionários próprios e terceirizados que trabalhavam na Mina, mas não estavam no momento do rompimento receberão R$ 80 mil, abrangendo danos materiais e morais.

Para os trabalhadores considerados lotados, que estavam afastados por quaisquer motivos, por mais de 30 dias, que aderirem ao acordo, será paga indenização no valor de R$ 40 mil.

O acordo prevê que o trabalhador pode optar por assistência de outros advogados particulares na adesão.

Veja a Vale no Ibovespa

Fonte: tradingview.

Primeiro trimestre 2020

Em balanço divulgado ontem, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 984 milhões no primeiro trimestre de 2020.

Em igual período do ano passado, a empresa havia registrado prejuízo de R$ 6,4 bilhões por causa da tragédia de Brumadinho.

Em dólares, o lucro foi de US$ 239 milhões, contra prejuízo de US$ 1,642 bilhões no mesmo período de 2019.

Em nota, a Vale informou que a melhora no resultado foi por conta do reconhecimento de despesas one-off (pontuais) no quarto trimestre de 2019, como baixas contábeis em ativos de níquel e carvão (R$ 17,3 bilhões) e provisões relacionadas a Brumadinho (R$ 3,7 bilhões).

Estes efeitos foram parcialmente compensados pela redução no Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 5,6 bilhões e de outras despesas financeiras (R$ 7,0 bilhões).