Vale (VALE3): BNDES vende mais de 130 milhões de ações na bolsa

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Divulgação

O BNDES avançou mais um pouco nesta terça-feira (4) em seu programa de desinvestimento de grandes empresas ao vender mais de 135 milhões de ações da Vale na bolsa de valores, o equivalente a 2,56% do capital da companhia. O leilão foi realizado logo na abertura do pregão.

O papel foi colocado ao R$ 58,76, valor 2,48% menor do que o fechamento de ontem, como forma de atrair compradores. Perto das 14h15, o papel estava cotado a R$ 60,15, queda de 0,18%.

O BNDES tinha cerca de 6,12% do capital da mineradora, algo em torno de R$ 20 bilhões. O banco colocou perto de 60% das ações que poderia vender, fora das 117,5 milhões de ações que estão ancorados ao acordo de acionistas.

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A expectativa do banco, segundo com uma fonte citada pela Reuters, é levantar R$ 8 bilhões. Ontem a agência Bloomberg tinha informado que o banco queria vender US$ 1 bilhão de sua participação na Vale esse mês.

De acordo com o TC Movers, operadores consideraram que ainda há apetite pelo mercado brasileiro, dada a demanda forte e a abertura do papel no azul. A operação foi liderada pelo Merrill Lynch/Bank of America (BofA), o que indica uma participação grande de investidores estrangeiros na operação.

Perspectivas da Vale

As motivações para o interesse pelo papel seriam as perspectivas positivas para a companhia, com o dólar alto em relação ao real, os preços do minério em patamares elevados, a volta do crescimento da China e, obviamente, a sinalização de que a empresa voltará a pagar dividendos.

A operação ocorre poucos dias depois da a companhia divulgar os resultados do segundo trimestre, quando reportou lucro de R$ 5,3 bilhões, revertendo um prejuízo de R$ 384 milhões do mesmo período do ano passado. E de anunciar a retomada, a partir de setembro, o pagamento de dividendos, interrompido desde o acidente de Brumadinho.

De acordo com o diretor de relações com investidores da Vale, Luciano Pires, a distribuição de retorno aos acionistas deve ser expressiva daqui para frente, dada a menor exigência de investimentos nos próximos anos.