Chuvas em MG: Vale (VALE3) eleva alerta de rompimento da barragem

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Reprodução/Google Maps

A Vale (VALE3) elevou, neste sábado (25), o nível de alerta para risco de rompimento da barragem em Barão de Cocais (MG). A razão é o volume de fortes chuvas que castigam o estado.

Trinta e sete pessoas morreram em razão das enchentes e dos deslizamentos provocados por chuvas fortes que ocorrem em Minas Gerais desde a quarta-feira (22). Dezessete pessoas estão desaparecidas e 12 feridas no estado. As informações são da Defesa Civil do estado.

O ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto disse em entrevista coletiva, neste domingo à tarde, em Belo Horizonte, que o governo federal vai liberar saques do FGTS, do Bolsa Família e destinará recursos aos municípios afetados pelas chuvas. “Obras de infraestruturas, de contenção e prevenção serão feitas na região”, disse o ministro. “Sr não houver recursos, vamos buscar outras fontes de financiamento e remanejamento do Orçamento.”

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Nível 2 de alerta

Por causa das chuvas, a Vale elevou, neste sábado, para o nível 2 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) da Barragem Sul Inferior, da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG).

“Em razão das fortes chuvas na região, ocorreu uma erosão na parte interna do reservatório da estrutura, que se mantém estável”, afirma a mineradora.

Contenção de concreto

Moradores na Zona de Autossalvamento (ZAS) já “haviam sido realocadas para locais seguros em fevereiro de 2019, quando a Barragem Sul Superior entrou em nível 2 de emergência”, diz a Vale.

A empresa explica: “A Sul Inferior é uma barragem de contenção de água e sedimentos, construída em etapa única, considerado um dos métodos construtivos mais seguros. Embora apresentasse estabilidade, a estrutura encontrava-se em nível 1 porque está localizada a jusante da Sul Superior, que atualmente está em nível 3.”

Uma contenção de concreto construída em caráter emergencial foi projetada para conter o rejeito da estrutura. “A contenção possui 36 metros de altura por 330 metros de extensão e está localizada a 6 quilômetros da barragem”, especifica a mineradora.

“A Sul Inferior é monitorada permanentemente por câmeras de vídeo e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico. Em decorrência das chuvas acima dos limites da normalidade, a Vale reforçou o número de equipes de campo em prontidão para eventuais situações de emergência”, completa a empresa em comunicado.

Alerta

O volume forte de chuvas em Minas Gerais fez a Agência Nacional de Mineração (ANM) a emitir, nesta quinta (23), um alerta no estado a empresas que são donas de barragens de rejeitos. As companhias precisam reforçar a segurança em barragens e intensificar o monitoramento dessas construções para evitar o rompimento e comunicar aos moradores de cidades próximas sobre os riscos.

Entre essas companhias que controlam barragens está a Vale (VALE3), empresa que atuava em Brumadinho (MG), local da tragédia que matou 259 pessoas e deixou 11 desaparecidos em 25 de janeiro de 2019.

O alerta da ANM foi emitido também para barragens para o estado de Minas e também para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás.

Planos de evacuação

Há 25 barragens em MG em estado de alerta, por causa da previsão de que chova mais de 100 mm no estado nos próximos dias.

Desse número total de barragens em risco, dezoito se enquadram no que a ANM classifica como nível 1 – aquelas que estão situadas nas imediações de municípios e que não precisam ter moradores removidos nem colocar em prática planos de emergência.

Estado de prontidão

O nível 1 coloca essas cidades em “estado de prontidão”, quando o quadro pode ser controlado pela empresa adona da barragem.

Das 25 barragens, três, porém, são consideradas pela agência no “nível 2”. Esse estágio prevê que as empresas e municípios evacuem a cidade assim que for tocada a sirene de emergência.

Rompimento iminente

O risco maior está com quatro cidades, classificadas como nível 3 — quando risco de rompimento de barragem é maior. São elas, de acordo com reportagem do porta G1: Macacos, Forquilha I e Forquilha III, em Ouro Preto, e a região de Sul Superior, em Barão de Cocais, a 93 km de Belo Horizonte.

Nessas cidades há barragens controladas pela Vale, dona da barragem que se rompeu em Brumadinho.

Estado de emergência

O governo mineiro decretou estado de emergência em 47 municípios. O maior número de mortos é em Belo Horizonte, oito no total. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Minas Gerais mantém as buscas na comunidade de Vila Bernadete, região do Barreiro, na capital, onde uma pessoa ainda está desaparecida. Nesta manhã foram localizados os corpos de uma criança e de um casal de adultos. As informações são da Agência Brasil.

Segundo o boletim, 9.607 pessoas tiveram que deixar suas casas emergencialmente (desalojadas) e 1.823 perderam a moradia. O governo estima que mais de 11,4 mil pessoas foram atingidas de alguma forma pelas chuvas fortes.

Trégua

Neste domingo, a chuva deu uma trégua, o que possibilita o avanço do resgate. O trabalho é feito em uma área de declive onde houve desabamento de casas. Por causa das chuvas, o solo ficou encharcado e abalou a fixação das casas no terreno. Ainda há risco de novos desabamentos. O deslizamento de encostas foi a principal solicitação de atendimento à Defesa de Civil desde quinta-feira.

*com Agência Brasil