Vale (VALE3) está subvalorizada “em todas as métricas”, segundo o BTG

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Corpo de Bombeiros do Estado de Minas Gerais

A Vale (VALE3) recebeu mais uma avaliação de compra do BTG Pactual (BPAC11), em relatório sobre ESG (governança ambiental, social e corporativa, na sigla em inglês).

A companhia organizou um segundo seminário em dois meses sobre o tema, o que, segundo o banco, mostra o “engajamento e o comprometimento da administração com este tema”.

A Vale forneceu muitos detalhes e exemplos de sua busca “incessante por segurança, esforços contínuos de reparação e transformação cultural”.

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“Louvamos a humildade da Vale em aprender com os erros anteriores e remodelar a empresa para o futuro”, ressalta o BTG.

O relatório admite que a mudança ainda pode levar algum tempo, mas os esforços são aplaudidos.

“Continuamos a ver o desconto de 35-40% da Vale para os pares australianos como injustificado e esperamos que a diferença diminua”, diz o relatório.

E segue: “independentemente da chamada de avaliação relativa, a ação parece subvalorizada em todas as métricas que olhamos – DCF, múltiplos, devoluções em dinheiro, ROEs”.

“Compre”: recomenda o BTG.

Vale procura a reparação

No seminário, a Vale falou sobre a criação de seu “escritório de reparação e desenvolvimento”, com relação a Brumadinho.

Ele se reporta diretamente à gestão de nível C, “para garantir o foco e agilidade no processo de reparação”.

Em Brumadinho, onde ficava a barragem da mina Córrego do Feijão, se rompeu em 25 de janeiro de 2019.

A onda de rejeitos de minério de ferro atingiu a área administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco, deixando pelo menos 270 mortos.

A barragem havia encerrado as atividades há três anos e mesmo assim causou a tragédia.

Este escritório tem trabalhado em três tópicos principais, segundo o BTG relata.

Um deles é a retomada dos esforços de resgate, após protocolos de pandemia. Onze vítimas ainda estão desaparecidas.

Outro é reparar o meio ambiente, com recuperação ambiental integral prevista para 2025.

É uma iniciativa que envolve a retirada de um total de 9,7 milhões de metros cúbicos até 2023. Só 1,6 milhão m3 já foram retirados.

Além disso, prevê a limpeza do rio Paraopeba.

Por fim, o apoio à comunidade.

Há investimento em infraestrutura urbana, como creches e centros de saúde.

O projeto de reparação total está previsto para 2025.

Mudança de cultura

Mas tudo isso não é suficiente.

Para o BTG, o mais importante é a mudança cultural dentro da empresa, voltando-se para a segurança.

“Ouvimos a gerência mencionar várias vezes nos últimos anos que eles estão realmente comprometidos em mudar a mentalidade do pessoal para ‘segurança em primeiro lugar'”, conta o relatório.

A Vale identificou duas formas de pensar dos funcionários: entregar agora, não importa como e competência infalível.

Isso poderia ter “contribuído para o que eles chamam de ‘falta de humildade’ entre seus funcionários”.

A Vale acredita que a mudança passa por todos: “aprender juntos”.

“Redefinição de aspirações e comportamentos-chave, liderança como modelo, agenda de diversidade e inclusão”, entre outros temas tratados no seminário.

“Vemos uma mudança importante em andamento: antes do acidente, percebíamos a Vale como uma empresa obcecada por desempenho operacional”, lembra o BTG.

“Agora, a segurança parece ter de fato se tornado uma prioridade número 1 (números de produção mais baixos em 2020 são um exemplo claro disso)”, analisa.

“Compre Vale”, diz o BTG

O banco reforça a recomendação, mais uma vez, dentro do relatório: “compre”.

“Embora as ações da Vale sejam inegavelmente baratas sob qualquer métrica, acreditamos que a redução do risco do patrimônio será um processo gradual”, diz.

Há três pilares onde o BTG se baseia.

Um deles é o retorno de caixa: “eles estão aqui!”, empolga-se, inclusive com ponto de exclamação no relatório.

Uma forte recuperação dos volumes e redução dos custos futuros.

E, por fim, uma percepção ASG que melhora marginalmente, a longo prazo.