Vale a pena investir em empresas do setor financeiro?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Para o investidor não se perder no mar de empresas e notícias da bolsa de valores, uma estratégia é focar em alguns setores para aprofundar conhecimento e poder comparar resultados e escolher as ações com melhor desempenho.

Neste contexto, o setor financeiro é está sempre entre os preferidos dos investidores, por reunir empresas que tradicionalmente dão lucro. Mas é preciso entender que nem toda empresa do setor é banco, e há boas oportunidades, por exemplo, em fintechs e na própria bolsa (B3).

  • Para quem tem interesse em investir em instituições financeiras, elencamos as principais características do setor, o que faz a ação subir ou descer e as perspectivas. Confira.

Ações do setor listadas no Ibovespa

Para começar, é bom você saber de que tipo de companhias estamos falando. Abaixo, a relação das empresas do setor que estão no principal índice de desempenho da bolsa.

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  • Santander (SANB11)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Itausa (ITSA4)
  • Cielo (CIEL3)
  • BTG (BPAC11)
  • Bradespar (BRAP4)
  • BB Seguridade (BBSE3)
  • Bradesco (BBDC4)
  • Bradesco (BBDC3)
  • B3 (B3SA3)

O que faz a ação subir ou descer no setor financeiro?

Em primeiro lugar, é importante diferenciar os bancos múltiplos, que respondem pela maior parte do segmento.

Os bancos múltiplos são aqueles que oferecem serviços de banco comercial e de investimento. E têm performance diferente dos demais integrantes do mesmo setor. São exemplos de bancos múltiplos Itaú (ITUB4); Bradesco (BBDC4), Santander (BCSA34) e Banco do Brasil (BBAS3).

Para estes, os três drivers que contam na movimentação de subida ou descida do valor dos papéis são taxa de juros, inadimplência e crescimento econômico do país.

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“Esses bancos dependem de um cenário macro bom. Com o macro bom, o crédito flui e a inadimplência cai”, explica Greco Salvatore Montagna, assessor de mesa de renda variável da EQI Investimentos.

Já para as demais empresas do setor financeiro, a questão do crédito não tem o mesmo peso nos resultados.

Luis Sales, analista da Guide Investimentos, aponta que a decisão de investimento no segmento de bancos, especificamente, pede uma análise conjunta de cenário macro e balanço.

“Ainda temos, atualmente, inovações tecnológicas sendo demandadas e impactando nos resultados, além das adequações às regulamentações do Banco Central. Então, é um setor complexo”, avalia.

O setor financeiro no cenário atual

No contexto macro atual, o que temos é uma projeção de contração do Produto Interno Bruto (PIB) de pelo menos 5% neste ano. Também existe o risco fiscal, que dificulta os investimentos no país.

“Para o setor performar bem, temos que ver a economia melhorando. Vai depender muito do macro, que está amarrado hoje com a questão fiscal. O mercado está muito focado nisso”, avalia Montagna.

Ele explica que o resultado ruim dos bancos nos últimos balanços decorre da insegurança do mercado com o cenário atual, que faz as instituições fazerem grandes provisões, segurando o crédito e deixando os resultados aquém do esperado.

“Todas as empresas do segmento financeiro apresentam lucro. Só que a rentabilidade sobre o patrimônio líquido do setor vem caindo ao longo dos últimos anos e este é o motivo pelo qual o setor financeiro está desempenhando mal”, diz.

Dois desafios: tecnologia e concorrência

Além disso, os bancos enfrentam uma verdadeira corrida digital para se adequar ao novo perfil de cliente, muito mais digitalizado. Além disso, precisa atender às exigências do Banco Central de open banking (compartilhamento de dados de clientes para viabilizar oferta de crédito mais barata) e PIX (novo meio de pagamento instantâneo).

A meta do Banco Central é bancarizar a população e aumentar a concorrência, a fim de reduzir taxas e tornar os produtos financeiros mais acessíveis aos brasileiros. Em um primeiro momento, o impacto dessas mudanças sobre os bancos é negativo, inclusive porque eles encaram forte concorrência das fintechs, muito mais tecnológicas e enxutas em seus custos. No longo prazo, existe uma expectativa de aumento na carteira de clientes.

A recomendação é que o investidor não fique posicionado apenas nos bancos. Existe, por exemplo, a opção de investir na própria B3 e em empresas de investimento, que independem do crédito para performar bem.

O sinal para aumentar a exposição no segmento bancário, recomenda Montagna, será quando as ações começarem a subir. “É preciso ter um pouquinho de paciência e atenção. Quando o mercado começar a sinalizar que as coisas estão melhorando, este é um bom momento”, recomenda, lembrando que, hoje, os ativos se encontram em suas mínimas históricas ou muito perto disso em relação ao valor patrimonial.

A recomendação da Guide é por investimento no que eles classificam como bancos especializados, como Banco Inter (BIDI4), BTG (BPAC11) e Banco Pan (BPAN4), além das fintechs.

“Atualmente, os bancos múltiplos estão muito desvalorizados. Não são nossos favoritos. Nossa preferência é por bancos disruptivos”, diz, salientando, no entanto, que a corretora segue com recomendação de compra do Itaú.

Vale investir só no setor financeiro?

Não. A recomendação dos analistas é que todo investidor tenha um portfólio de investimento diversificado. Inclusive variando entre renda fixa e variável.

Assim, o investidor consegue minimizar riscos. Isso porque, se uma empresa ou investimento vai mal em determinado período, outra empresa ou outro investimento vai bem. E isso balanceia o portfóio. “Nos setores que você tem mais conhecimento e mais convicção, você pode ter uma posição maior”, recomenda Sales.