RDOR3, FLRY3, RADL3. Vale a pena investir no setor de saúde? Confira

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O setor de saúde é considerado sólido e com crescimento garantido pelas próximas décadas, graças ao envelhecimento da população brasileira.

Na B3, ele pode ser dividido em três principais segmentos: planos de saúde, empresas de diagnósticos e hospitais, e indústria e varejo farmacêutico.

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Confira quais empresas listadas na B3 integram cada um dos segmentos e quais fazem parte do Ibovespa, índice das ações mais negociadas da bolsa, e as perspectivas para o setor.

Planos de saúde 

  • Qualicorp (QUAL3)
  • Hapvida (HAPV3)
  • Notre Dame Intermedica (GNDI3)
  • Odontoprev (ODPV3)
  • Sul América (SULA3)

Empresas de diagnósticos e hospitais 

  • Rede D’Or (RDOR3)
  • DASA – Diagnósticos da América S.A (DASA3)
  • Hermes Pardini (PARD3)
  • Fleury (FLRY3)
  • Centro de Imagem Diagnósticos – Alliar (ALLR3)
  • Advanced Digital Health Medicina Preventiva (ADHM3)

Indústrias e empresas de varejo farmacêutico

  • BIOMM (BIOM3)
  • Hypera (HYPE3)
  • Raia Drograsil (RADL3)
  • Dimed (PMVL3)
  • Profarma (PRFM3)
  • Pague Menos (PGMN3)
  • d1000 (DVMF3)
  • Norte Química S.A. (NRTQ3)

Sendo que Pague Menos (PGMN3) e d1000 (DVMF3) fizeram suas ofertas iniciais (IPOs na sigla em inglês) este ano.

Características do setor de saúde

A saúde é considerada um campo promissor no país. Isto porque o envelhecimento da população é fato certo.

A estimativa do IBGE é que, em 2060, o número de pessoas com mais de 65 anos triplique e esta faixa etária deva representar 25,5% da população. Comparativamente, em 2018, os idosos eram 9,2% da população.

“O setor de tecnologia e o setor de saúde possuem tendências de crescimento muito claras e que não dependem do ciclo econômico. É a chamada tendência secular”, afirma Fernando Siqueira, gestor da Intinity Asset.

Os gastos com a saúde também vêm aumentando com o tempo. Em 1970, 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) eram gastos com saúde. Em 2014, o número subiu para 8,4%. Em 2018, mais de 9%.

Outro ponto é que o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem capacidade para atender a todos os brasileiros, sendo necessária a complementação pela rede particular.

“O Brasil tem uma grande carência tanto de leitos, quanto de exames. Então temos crescimento para todas as áreas nos próximos anos. Tanto pela demanda que não é suprida, como pelo envelhecimento da população, que deve se acelerar nas próximas décadas. O SUS atende 75% da população. E os hospitais particulares, 4%. Ou seja, existe um gap”, diz Greco Salvatore Montagna, assessor de mesa de renda variável da EQI Investimentos.

Desempenho durante a pandemia

O setor de saúde deve ter uma média de crescimento de 7% em plena pandemia, na comparação com 2019. É o que aponta a Pesquisa IPC Maps, que leva em conta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quanto a gastos feitos pelos brasileiros com medicamentos, planos de saúde e tratamentos médico e dentário.

Os últimos dados disponibilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram uma expansão de adesões aos planos de saúde de 146 mil somente em outubro, na comparação com setembro. Já a indústria odontológica adicionou 185 mil membros no mesmo período.

No entanto, houve pontos positivos e negativos para as empresas do setor no período.

Com o coronavírus e as medidas de distanciamento, os planos de saúde foram favorecidos pela menor demanda por serviços não relacionados com a doença. Logo, os planos economizaram com atendimentos, internações e cirurgias eletivas.

Em sentido contrário, as empresas de planos de saúde foram negativamente impactadas pelo aumento do desemprego, já que a grande maioria dos planos contratados é corporativa. Isto quer dizer que, sem emprego, não há contratação de plano de saúde.

“Por conta da pandemia, muita coisa não essencial foi cancelada ou postergada, reduzindo as despesas das empresas e melhorando a rentabilidade. Quanto mais tempo as pessoas deixarem de fazer estas consultas não essenciais, melhor para as empresas de planos de saúde. E quanto mais rápida a recuperação do emprego acontecer, também melhor”, afirma Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset.

Já os laboratórios e hospitais foram prejudicados pela retração nos serviços não relacionados à Covid. Mas aumentaram consideravelmente a quantidade de exames realizados e internações relacionados à Covid-19.

Aumento da telemedicina com pandemia

Um ponto positivo da pandemia para o setor foi a aceleração da telemedicina, que viabiliza consultas virtuais e pode ampliar a oferta de atendimento.

O Fleury é uma das empresas que vêm atuando para ampliar o uso da tecnologia na saúde. Recentemente, o grupo fechou parceria com o Sabin, em um fundo de R$ 200 milhões, para investir em startups do setor.

Também lançou a plataforma eletrônica Saúde iD, alimentada por prontuários médicos, cujos dados os próprios pacientes decidem se compartilham. Ao centralizar as informações, o grupo acredita que aumentará a eficiência dos recursos gastos. E já negocia com 10 grandes empresas do país a inclusão de suas bases na plataforma.

O Hermes Pardini, por sua vez, lançou a Rede Astro, que acelera o acesso a diagnósticos.

Fusões e aquisições no setor de saúde

Por fim, outra característica do setor de saúde é a fragmentação. “Assim, as aquisições são uma forma de as empresas conseguirem crescer rápido”, diz Siqueira.

“Especialmente entre os planos de saúde e hospitais, o setor vai crescendo por aquisições. As empresas estão se capitalizando para trabalhar o mercado nos próximos dez anos, sabendo que haverá uma demanda garantida”, complementa Montagna.

IPO da Rede D’Or

Um dos exemplos do potencial do setor de Saúde foi o bem-sucedido IPO da Rede D’Or. A empresa conseguiu levantar mais de R$ 11,5 bilhões na operação, uma das maiores captações da história, perdendo apenas para a do Santander Brasil, em 2009, que captou R$ 13,2 bilhões, e próximo do BB Seguridade, R$ 11,4 bilhões.

A intenção da empresa é utilizar os recursos para arcar com os custos de construção de novos hospitais ou com a expansão das unidades existentes. Além de adquirir novos ativos, entre hospitais, clínicas oncológicas, corretoras de seguros de saúde, dentre outros.

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