Vale a pena investir em ações do setor de construção?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A construção civil compõe um dos chamados setores cíclicos da bolsa de valores brasileira. Isso quer dizer que o segmento depende fortemente de um ciclo econômico favorável.

Quando emprego e crédito estão em alta, as ações sobem. Da mesma forma, momentos de baixa no emprego, na renda e, consequentemente no consumo, são períodos desfavoráveis ao setor.

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Reunimos aqui uma série de informações sobre as empresas de construção civil, com  as principais características do setor, o que faz a ação subir ou descer e as perspectivas

Empresas de construção civil listadas

São apenas três as empresas do setor que integram o Ibovespa, índice que aponta as ações mais negociadas na bolsa:

  • Cyrela Realty (CYRE3);
  • EZTEC (EXTC3);
  • MRV (MRVE3).

Mas há diversas outras também listadas na B3:

  • Adolpho Lindenberg (CALI3; CALI4)
  • Tenda (TEND3)
  • CR2 (CRDE3)
  • Cury (CURY3)
    Direcional (DIRR3)
  • Even (EVEN3)
  • Gafisa (GFSA3)
  • Helbor (HBOR3)
  • Inter (INNT3)
  • JHSF (JHSF3)
  • João Fortes (JFEN3)
  • Lavvi (LAVV3)
  • Melnick Even (MELK3)
  • Mitre (MTRE3)
  • Moura Dubeux (MDNE3)
  • PDG Realty (PDGR3)
  • Plano & Plano (PLPL3)
  • Rodobens Negócios Imobiliários (RDNI3)
  • Rossi Residencial (RSID3)
  • Tecnisa (TCSA3)
  • Tegra (BISA3)
  • Trisul (TRIS3)
  • Viver (VIVR3)

O que impacta o setor da construção civil?

O setor da construção civil tem performance diretamente ligada a um ciclo virtuoso da economia.

Com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), emprego em alta e crédito abundante, ele sempre tende a subir.

“Para adquirir imóvel, que configura uma dívida longa, o consumidor precisa de emprego e de crédito, porque ele na maioria das vezes não possui o valor total do imóvel. Mas, tendo emprego, isso viabiliza um financiamento”, afirma Greco Salvatore Montagna, assessor de mesa de renda variável da EQI Investimentos.

Atualmente, a economia inicia uma retomada depois do tombo causado pela pandemia. A taxa de desemprego é alta.

Ainda assim, um fator tem sido bastante positivo para o setor: a taxa básica de juros (Selic) ainda considerada baixa (atualmente em 3,5%). Vale ficar de olho, no entanto, nos próximos movimentos a taxa, já que a expectativa é a Selic fique entre 5,5% e 6% até dezembro.

Isso possibilita crédito mais barato para quem precisa pegar empréstimo para adquirir um imóvel. E o crédito imobiliário é uma modalidade que agrada aos bancos, porque não traz riscos, já que é totalmente coberto por seguradoras. Logo, a oferta é ampla.

Selic compensou a crise

Em relatório, o BTG Pactual confirma que a Selic baixa vem compensando o desempenho da economia na crise.

“A crise afetou os lançamentos do primeiro semestre de 2020, mas a normalidade vem sendo retomada rapidamente. A velocidade de vendas permaneceu forte, impulsionando os lançamentos, e deve continuar crescendo nos próximos anos. Taxas de juros historicamente baixas são fundamentais para este mercado e devem compensar as condições econômicas fracas e impulsionar o apetite por novos lançamentos e vendas futuras”, afirmou o banco.

A necessidade de isolamento provocada pela pandemia também propiciou um cenário bastante atípico, em que as famílias economizaram com lazer, transporte e viagens, ficando mais em casa. E puderam deslocar recursos para outros fins, sendo um deles a meta da casa própria.

Mais segurança jurídica no setor

O setor também passou, nos últimos anos, por algumas mudanças que o tornaram mais seguro para as incorporadoras.

Uma delas foi a lei do distrato, sancionada no final de 2018. Dentre outras coisas, ela define em contrato quanto a incorporadora devolve ao comprador do imóvel em caso de desistência.

Até então, o valor devolvido era de até 90% do valor pago. “Isso exauriu o caixa das construtoras por muitos anos”, diz Montagna.

Cada construção com CNPJ próprio

Outro ponto favorável é que, hoje, cada construção tem CNPJ próprio, sendo proibido deslocar recursos de uma obra para outra.

A construtora precisa fazer um registro de patrimônio de afetação, assegurando que os bens relativos a determinado empreendimento estão totalmente separados dos bens e dívidas da “empresa mãe”.

Desta forma, o investidor fica protegido de uma eventual falência – como aconteceu com a Encol em 1999, que quebrou, deixando milhares de clientes sem imóveis e sem devolução de valores, e afetando a credibilidade do mercado como um todo.

“Hoje o setor é mais sadio e previsível, sem riscos sistêmicos”, diz Montagna. “Eu, particularmente, gosto muito do setor. Quando a economia aquece e ele pega tração, tem uma performance muito boa”, opina.

Já para Fabrício Lodi, professor do Projeto os 10%, escola de traders, o setor de construção civil não está entre seus favoritos. “Ele sofre muitas altas e baixas, depende muito de taxa de juros e de como a economia anda”, diz.

Boom de IPOs em 2020

Com a Selic baixa e uma maior entrada de investidores na bolsa de valores, buscando maior rentabilidade do que a oferecida pela renda fixa, muitas empresas da construção civil viram uma oportunidade para se capitalizar via ofertas iniciais de ações (IPO na sigla em inglês).

Foi o caso da Mitre Realty, que levantou R$ 1,02 bilhão; da Moura Dubeux, que levantou R$ 1,25 bilhão; e da Lavvi, que captou R$ 1,16 bilhão.

Também fizeram IPO Melnick Even (R$ 713,58 milhões), Plano & Plano (R$ 690 milhões), Lavvi (R$ 1,16 bilhão) e Cury Construtora (R$ 977,5 milhões).

“Isto revela o apetite das construtoras e dos consumidores por mais imóveis. E lembra muito o boom que aconteceu em 2007, quando também houve muito IPO do setor”, diz Lodi.

Planilha de Ativos

Um dos principais exercícios para a compra de uma ação é saber se ela está cara ou barata. Para isso, preparamos um material especial para ajudá-lo nesta análise.

O que faz a ação subir ou descer no setor

  • PIB;
  • Taxa de desemprego;
  • Taxa básica de juros (Selic);
  • Programas de financiamento habitacional;
  • Fusões e aquisições;
  • Inflação dos materiais de construção;
  • Resultados operacionais.