Usiminas (USIM5) tem queda de 55% no lucro de 2019

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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A Usiminas (USIM5) registrou um lucro líquido de R$ 377 milhões no ano passado, representando uma retração de 55% em comparação ao lucro reportado em 2018, de R$ 829 milhões.

No quarto trimestre do ano passado, a Usiminas lucrou R$ 268 milhões, uma queda de 33%, mas reverteu o prejuízo que havia sido registrado no terceiro trimestre de 2019, de R$ 139 milhões.

Em 2019, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou  R$ 2,0 bilhões, uma redução de 26,7% sobre 2018.

Segundo a empresa, este resultado decorre, principalmente, do menor reconhecimento de crédito fiscais em R$ 332 milhões (ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS); do menor reconhecimento de créditos a receber da Eletrobras em R$ 69 milhões; do menor volume de vendas de aço no período – parcialmente compensados por maiores volumes e preços de venda de minério de ferro e maiores preços de venda de aço.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 509,8 milhões no ano passado, revertendo um ganho de R$ 93,04 milhões de 2018. No quarto trimestre, a Usiminas teve um ganho no resultado financeiro de R$ 154 milhões, cifra 76% inferior na comparação anual.

Operacional

Em 2019, a receita líquida totalizou R$ 14,9 bilhões, uma elevação de 8,8% em relação ao ano de 2018, que foi de R$ 13,7 bilhões, em função principalmente de maiores volumes e preços de venda na Unidade de Mineração e maiores preços praticados na Unidade de Siderurgia.

Já entre outubro e dezembro, a receita líquida somou R$ 3,9 bilhões, alta de 13% sobre o mesmo intervalo de 2018.

O volume de vendas de aço recuou 2% em 2019 ante 2018, para 4.105 mil toneladas, enquanto no quarto trimestre caiu 2%, para 1.009 mil toneladas.

Guidances

A empresa informou ainda guidances para 2020. Segundo a Usiminas, as despesas financeiras líquidas devem ficar negativas em R$ 272 milhões.

Já os investimentos devem somar, de acordo com as projeções informadas pela empresa, R$ 1 bilhão.

Em 2019, foram investidos R$ 690 milhões, aumento de 49,2% quando comparado ao ano de 2018.

Apenas no quarto trimestre, os investimentos totalizaram R$ 356 milhões no quarto trimestre, ante R$ 140 milhões do terceiro trimestre, em função da concentração de projetos no último trimestre do ano.

Dívida

No final de 2019, a dívida bruta consolidada era de R$ 5,1 bilhões, inferior em 12,7% em relação à posição tanto de 30 de setembro quanto do encerramento de 2018.
Segundo a empresa, a redução decorre, sobretudo, pelo pré-pagamento de dívidas com Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Banco Bradesco, e aos debenturistas da 6ª Emissão com a utilização de grande parte do montante de R$ 751 milhões recebido da Eletrobras.
Assim, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda encerrou o ano passado em 1,6x vez, estável em relação a 2018 e abaixo do valor referente ao terceiro trimestre, de 1,7 vez.

Tá, e aí?

Em relatório a clientes, a Planner destacou que o desempenho da Usiminas no quarto trimestre veio com números fracos na siderurgia, em parte compensados pelos ganhos de volume e preço na mineração.
Por outro lado, foi destaque o resultado da Soluções Usiminas (comércio de aço), que gerou um Ebitda recorde de R$ 120 milhões.
Na teleconferência para discutir o resultado, a empresa ressaltou as perspectivas positivas para a siderurgia em 2020, com a expectativa de aumento nas vendas no mercado interno, pontuou a Planner.

Cara ou barata?

A recomendação dos analistas da Planner para as ações USIM5 é de compra, com um preço-justo de R$ 12,00 por ação, o que representa um potencial de alta de 16%.