Unica: renovação de cota de importação de etanol “impõe grande sacrifício”

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Visão Agro

Acuado por estoques elevados e às vésperas de uma nova safra na Região Nordeste, o setor sucroalcooleiro nacional agora enfrenta novo desafio, a partir da renovação pelo governo brasileiro, por 90 dias e sem tarifas, da cota de importação de 187,5 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos, divulgou o Estadão.

“Cada litro de etanol importado Brasil é um problema a mais para o setor”, admite o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, para quem a decisão do Executivo – tomada na sexta-feira (11) – deverá impor “um grande sacrifício” à atividade.

Pressão sobre os preços

De imediato, Gussi disse acreditar o reforço de oferta deverá “pressionar os preços internamente”.

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A renovação da cota, de acordo com especialistas, seria uma espécie de “moeda de troca” – no momento, negociada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo – no sentido de favorecer as exportações do açúcar do Brasil para os Estados Unidos.

Participação pífia

Mesmo sendo o maior exportador mundial da commodity, o Brasil participa pouco do mercado norte-americano, mas isso ocorre porque o açúcar nacional é duramente taxado por aquele país, arcando com uma tarifa de importação de 140%.

No momento, Brasil e EUA buscam um “arranjo” que garanta, tanto maior acesso do etanol ianque ao Brasil, quanto reforçar a presença do açúcar nacional na terra do Tio Sam e, por tabela, franquear o acesso do milho aos mercados de ambos países.

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Meta é reeleição

Analistas também apontam que resolver a questão do etanol interessa muito à campanha de reeleição do presidente Donald Trump. Como o produto é derivado do milho, esse fato pode ser utilizado politicamente para carrear votos dos produtores do grão para o atual presidente daquele país.

O presidente da Unica reage mal a essa hipótese. “Eu odiaria saber de alguma coisa como essa. O que nos foi a apresentado é que era uma negociação para buscar uma condição de justiça para o açúcar”, revela.

Mais cético, o economista Felippe Serigatti, da FGV/Agro, entende que “somente o tempo que irá dizer qual é a “leitura verdadeira” dessa negociação.

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Aço é exemplo

“Acho que esse veredicto vai sair mais para frente, se essas negociações para o açúcar prevalecerem ou não”, avalia, ao lembrar que, no caso do aço brasileiro, este acabou não obtendo isenção do governo estadunidense.

Por outro lado, Serigatti admite que “se a prorrogação tiver como contrapartida uma negociação mais favorável ao açúcar (em alta no mercado internacional), ela poderá ser uma medida positiva”.

“Para ser, de fato, favorável à economia nacional, o governo brasileiro tem de tratar os EUA como outro país, não como mero apoiador da reeleição do atual presidente norte-americano”, arrematou o economista.

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