União Europeia também ameaça aumentar barreiras para o aço brasileiro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Reuters

Não são só os Estados Unidos. A União Europeia (UE) também ameaça aumentar as barreiras para a entrada do aço brasileiro.

A Eurofer, associação dos produtores siderúrgicos da Europa, teme que, caso o aço brasileiro encontre dificuldades para entrar nos Estados Unidos, por causa da sobretaxação prometida por Donald Trump esta semana, acabe  exportado em volume maior para a Europa – o que fragilizaria, de acordo com a associação, ainda mais a já fragilizada indústria europeia.

Aço brasileiro na Europa

O Brasil é o nono maior exportador de aço para a UE. Charles Lusignan, porta-voz da Eurofer, afirmou que “tem sido um duradouro parceiro comercial da UE para o metal. Como os EUA e a UE compartilham muitos dos mesmos exportadores de aço, incluindo o Brasil, haverá uma preocupação em mais desvio de aço para o mercado europeu”.

Abra agora sua conta na EQI Investimentos e tenha acesso a soluções customizadas de acordo com seu perfil

Sendo assim, a Eurofer pediu para a UE reforçar a salvaguarda contra o aço estrangeiro. Essa ressalva requer uma proteção “mais robusta” e uma “redução das cotas de importação em linha com a menor demanda atual e projetada na economia europeia”, o que deverá afetar as vendas brasileiras caso seja acatada.

Salvaguarda

A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, sediada em Bruxelas, lembrou que o regulamento de salvaguardas prevê revisões regulares: “Os primeiros resultados dessa revisão agora são efetivos. Iremos monitorar de perto a situação nos mercados e permaneceremos atentos aos sinais das partes interessadas para realizar revisões futuras sempre que elas forem necessárias”.

A União Europeia já respondeu à decisão da Casa Branca de impor sobretaxa de 25% sobre a maior parte do produto importado pelos EUA e aplicou salvaguarda contra o aço estrangeiro em agosto de 2018.

Entretanto, em agosto de 2019, Bruxelas fez um primeiro ajuste na sua proteção, diminuindo de 5% para 3% o aumento anual das cotas de importação de aço, que vigoram até junho de 2021. O volume que passar das cotas sofre a mesma taxação de 25%.

Nessa mudança de agosto, a UE retirou os aços inoxidáveis exportados pelo Brasil da lista de produtos com volumes limitados para entrar no mercado europeu. Permaneceram cotas para produtos como perfis de aço e laminados a frio. A União Europeia já tinha excluído desde o início o aço semiacabado do Brasil de limites de entrada em seu mercado, dada a importância para a indústria europeia.

Realinhamento

Agora, a Eurofer insiste para Bruxelas realinhar a salvaguarda, alegando que. mesmo com as restrições, as importações cresceram 12% no ano passado.

O argumento é de que, de um lado, as companhias europeias tiveram que anunciar cortes de produção de pelo menos 15 milhões de toneladas de aço neste ano dos 160 milhões produzidos anualmente em média. O corte de produção coloca em risco cerca de 15 mil empregos.

De outro lado, as condições do mercado internacional de aço também ficaram mais negativas, com aumento de distorções nos fluxos comerciais e menor demanda global para o produto, causando uma depressão nos preços internacionais.

Pelos cálculos dos produtores europeus, o excesso de capacidade global no setor é de 450 milhões de toneladas ou mais, sendo dois terços concentrados na China.