União Europeia se mostra pronta para fazer negócios com o novo governo brasileiro

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Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

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Guilherme Athia, sócio da agência Atlântico, disse recentemente em uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que a mudança de governo no Brasil, em janeiro de 2019, pode não interferir nas relações comerciais do país com a União Europeia (UE). Para ele, o interesse dos países europeus pelo comércio com o Brasil deve, na realidade, crescer ao longo dos próximos anos, principalmente com relação às empresas dos ramos de serviços e de tecnologia.

Athia é ex-executivo da Nike, localizada na cidade de Bruxelas (sede do bloco europeu). Além disso, é especializado em negócios com a UE e, também, mestre em relações internacionais com formação nos Estados Unidos.

A seguir, alguns trechos de sua entrevista:

Como o senhor avalia, do ponto de vista do comércio exterior, os primeiros dias de transição do novo governo?

No início houve bastante ruído, mas desde as eleições já era possível visualizar uma série de sinalizações positivas da parte dos investidores e exportadores. Uma boa notícia, nesse sentido, foi o anúncio da manutenção dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente como instituições separadas. Para os exportadores brasileiros, essa era a melhor escolha, pois havia o temor de que pudessem perder certificações e mercado.

Mesmo com tantas idas e vindas, o acordo entre o Mercosul e a UE será concluído?

Um acordo entre os dois blocos vem sendo negociado há anos, mas a possibilidade de concluí-lo é grande e isso decorre de diversos fatores. Um deles é a atual onda de renovação pela qual o país passa, fato que traz um sentido de urgência para que todo o trabalho até então realizado não seja perdido. No próximo mês de maio, o Parlamento Europeu passará por uma renovação. A Argentina terá eleições no próximo ano. A Europa está disposta nesse momento a fechar acordos, contudo, muito trabalho ainda precisa ser feito.

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Quais são as expectativas dos europeus quanto ao comércio bilateral com o Brasil?

Basicamente, o que se espera é uma relação realista, que tenha como base o histórico de bom relacionamento. Atualmente a UE já é considerada uma grande parceira dos países da América Latina e do Mercosul. O Brasil já exporta uma grande quantidade de alimentos, bebidas e carnes para a Europa que, por sua vez, exporta para o Brasil maquinários, equipamentos, produtos químicos e farmacêuticos. Até os tempos atuais, a UE continua sendo o maior investidor histórico do Brasil. Além disso, há um fato pouco conhecido no mercado: o Mercosul investe na Europa. Assim, há um interesse mútuo e uma relação complementar. Em suma, existem laços comerciais fortes entre os dois blocos e uma ampla gama de campos que podem ser explorados. Tudo isso envolve uma força bastante considerável, maior do que as possíveis arestas políticas e declarações podem indicar.

Existe a possibilidade de que a identificação de Jair Bolsonaro com os Estados Unidos possa deixar os demais parceiros comerciais em segundo plano?

A relação que o Brasil possui com a UE é bastante ampla e deve permanecer assim durante o próximo governo. Além de ser bastante diversificado e inclusivo, o bloco europeu conta com países que têm diferentes visões políticas e já estão acostumados a lidar com as políticas distintas de seus parceiros comerciais. Os países-membros da União Europeia fazem negócios tanto com o Canadá quanto com o Vietnã, que são países com governos totalmente distintos. Assim, o Brasil e o Mercosul não devem possuir dificuldades em negociar com a Europa, que está pronta para fechar negócios com o novo presidente brasileiro. Hoje, os acordos comerciais que se encontram em discussão entre os europeus visam a ampliação das relações da denominada “nova economia”, que envolve setores como tecnologia e serviços.

Existe uma transformação no perfil de acordos comerciais entre blocos e países?

Os países têm novos desafios. Entre os assuntos que precisam ser contemplados nos novos acordos estão as trocas em serviços, o comércio eletrônico, padrões sanitários e fitossanitários, além da troca de conhecimento e tecnologia entre pequenas e médias empresas. O interesse do Brasil pelo mercado europeu é grande e existem várias formas de investimentos comuns, além de parcerias estratégicas e o desenvolvimento de cadeias de suprimentos que podem ser explorados. Brasil e Chile concluíram recentemente um acordo comercial e isso é um bom exemplo de novas possibilidades para as trocas internacionais, que vão bem além de questões envolvendo tarifas. Hoje, pode-se imaginar a troca de experiências, pessoal e tecnologia entre startups de ambos os lados, tudo com o intuito de se desenvolverem.

Agora, falando em investimentos…

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