União Europeia fecha acordo de trilhões de euros para combater efeitos da pandemia

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

Os líderes dos 27 países que formam o bloco da União Europeia acertaram nesta quinta-feira (23) um plano de recuperação que disporá de  trilhões de euros para combater os efeitos da pandemia de coronavírus na economia.

O Fundo de Recuperação será criado e integrado ao orçamento plurianual do bloco, segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

A executiva evitou confirmar os valores exatos do Fundo de Recuperação, mas, de acordo com ela própria, “é algo na casa dos trilhões de euros, e não dos bilhões”.

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, adiantou que a magnitude do projeto e os valores envolvidos serão suficientes para serem direcionados aos setores mais afetados do continente.

Divisão do fundo

Depois de chegarem a um acordo para a criação do fundo, agora os países deverão discutir e chegar a um consenso sobre como o dinheiro deverá ser aplicado na ajuda aos efeitos negativos da pandemia de coronavírus.

Segundo Ursula von der Leyen, a União Europeia irá buscar um equilíbrio entre empréstimos e outras ações, como doações vinculadas a propósitos específicos.

Um dos recursos seria destinado ao “recovery fund”. Ele teria 300 bilhões de euros e seria voltado ao socorro de países em dificuldade por conta da pandemia. Outro, este de 200 bilhões de euros, financiaria planos nacionais para a retomada econômica.

A Itália e a Espanha, que são os dois países europeus mais afetados pela crise do coronavírus, defendem uma forma de socorro que lhes dê mais margem para investir na reconstrução da economia.

Outros países como Holanda e Áustria preferem limitar a quantia que será destinada para cobrir os rombos nas contas públicas, pois pretendem evitar usar um dinheiro que pertence a todos os membros para “pagar as contas dos outros”.

Ursula von der Leyen deixou transparecer que espera por um consenso entre as partes antes de o martelo ser batido, mas mostrou pender para o lado de italianos e espanhóis.

“Alguns países foram atingidos com mais força do que outros e, se não agirmos de forma decisiva e coletiva, a recuperação não será simétrica e as divergências só irão aumentar”, argumentou.

Prazo para aprovação

A proposta sobre a utilização dos trilhões do fundo será apresentada aos líderes os 27 países pela Comissão Europeia dentro de duas ou, no máximo, três semanas.

Se for aprovada pelo Conselho, pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos membros do bloco, tanto orçamento quanto o fundo de reconstrução seriam disponibilizados a partir de 2021.

A União Europeia segue estudando a possibilidade de adotar outras medidas ainda em 2020 para socorrer os países afetados pela pandemia de coronavírus além das que já foram aprovadas e colocadas em ação.

Uma ajuda de meio trilhão de euros já foi aprovada para fortalecer os programas de saúde dos países do bloco, dar crédito às empresas afetadas pela queda de receita e para prevenir o desemprego.

Além disso, o Banco Central Europeu também já disponibilizou 3,3 trilhões de euros para ajudar aos países do continente mais afetados pela pandemia.


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