UE convoca reunião para discutir crise entre Síria e Turquia

Rebeca Torres
null

Crédito: Reprodução / Pixabay

Membros da União Europeia convocaram reunião para discutir a crise entre Síria e Turquia. O encontro aconteceu em Bruxelas, na Bélgica. As informações são do jornal Financial Times.

Josep Borrell, alto representante da UE para assuntos externos, disse que os combates em torno da província de Idlib, última cidade controlada pelos rebeldes na Síria, representavam “uma série ameaça à paz e segurança internacionais” e que com isso a UE precisava “redobrar seus esforços para resolver os problemas” causados por essa terrível crise humana entre os dois países.

Turquia abre portas aos refugiados

Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, declarou no último sábado (29) que seu país “abriu as portas” da UE para os 4 milhões de refugiados que atualmente vivem em seu território, enquanto ele tentava fazer com que a Europa oferecesse à Ancara um maior apoio em Idlib.

Tanto é que mais de 50 soldados turcos morreram desde o início de fevereiro, quando Ancara tentou resistir a uma ofensiva apoiada pela Rússia contra forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

Com isso, os ganhos do regime forçaram centenas de pessoas a fugir para o norte, em direção à fronteira sírio-turca, que permanece fechada.

Diante da situação, Erdogan alertou que seu país não pode mais receber pessoas e pediu apoio internacional. Não tendo recebido, as autoridades turcas sinalizaram, na quinta-feira passada (27), que não impediriam mais os refugiados de tentar chegar à Europa.

Situação na Grécia

A situação é um teste para acordo entre refugiados que a Turquia firmou com a UE, em 2016, como forma de limitar o fluxo de migrantes irregulares e provenientes de asilos para a Grécia em troca de financiamento para aqueles que vinham de países europeus.

O acordo contribuiu para uma grande redução no número de chegadas de migrantes na UE, em comparação com o auge da crise dos refugiados. Um exemplo disso é que os recém-chegados chegaram a menos de 125.000, no ano passado, em comparação com mais de 1 milhão em 2015.

Borrell disse que convocou a reunião, que ocorrerá durante a próxima semana, “especialmente a pedidos” do governo grego, cujos campos de refugiados e instalações de recepção já estão a ponto de se romperem.

Segundo ele: “As fronteiras da Grécia são as fronteiras externas da Europa. Vamos protegê-los”.

Efeitos da declaração de Erdogan

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, tuitou no domingo (1) que o conselho de segurança nacional do país decidiu “aumentar o nível de controle em nossas fronteiras”. A partir de agora, não aceitaremos novos pedidos de asilo por 1 mês.

A Organização Internacional das Nações Unidas para as Migrações estimou neste fim de semana que cerca de 13.000 pessoas – incluindo migrantes sírios, afegãos, iranianos e paquistaneses, entre outros – estavam reunidos em vários pontos ao longo da fronteira greco-turca.

No domingo (1), houve relatos de que a polícia grega recorreu ao gás lacrimogêneo para reprimir as pessoas que tentavam atravessar a fronteira. As autoridades gregas enviaram uma mensagem de texto para telefones celulares na área da fronteira, alertando para as pessoas não entrarem no país ilegalmente.

”Continuamos acompanhando de perto a situação da migração em nossas fronteiras externas”, disse Borrell em seu comunicado à imprensa.

”A Declaração UE-Turquia precisa ser confirmada”, declarou ele fazendo referência ao acordo firmado em 2016.

Principais objetivos da reunião

Diplomatas da UE há muito reconhecem a falta de influência do bloco no conflito na Síria e que os estados membros têm ferramentas limitadas para responder à crise que se agrava ali. Os países europeus resistiram à pressão da Rússia para normalizar as relações com o regime de Assad na Síria e assim liberar fundos de reconstrução em larga escala, embora a Hungria tenha melhorado sua presença diplomática em Damasco.

Um funcionário da UE disse que um dos principais objetivos da reunião de emergência desta semana deve ser reforçar a unidade na política da Síria e a resposta à imigração – “garantindo assim que os estados membros não entrem em conflito”.

Os ministros também deverão rever o apoio humanitário e à migração para a Grécia, Bulgária e Turquia, medidas que envolvem estreitamente a Comisso Europeia. O ministério da Defesa da Bulgária disse ainda que o país está preparado para enviar 1.000 soldados para sua fronteira.

A Frontex, agência de gerenciamento de fronteiras da UE, disse, no domingo (1), que estava “em contato próximo com as autoridades gregas em relação ao apoio adicional que podemos oferecer”.

Assim, a agência avisou no Twitter que estava “realocando equipamentos e oficiais adicionais para a Grécia e monitorando de perto a situação”.

Saiba mais:

Rússia e Turquia admitem preocupação com guerra entre EUA e Irã

Tensão entre Turquia e Síria aumenta e pode haver participação da Rússia