Ucrânia diz que Irã sempre soube que o avião havia sido abatido

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução/Twitter

O governo ucraniano acusou o Irã de saber de imediato que o Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines, que caiu em 8 de janeiro, logo após decolar do aeroporto de Teerã, havia sido derrubado por mísseis. A acusação baseia-se na conversa entre um piloto iraniano e os controladores do tráfego aéreo, informa a agência de notícias AFP.

A conversa foi divulgada no último domingo (2) pelo canal de televisão ucraniano 1+1. Nela, um responsável pelo tráfego aéreo de Teerã e um piloto da companhia local Iran Aseman Airlines conversam em farsi, o idioma do país. Um deles viu que o que atingiu o avião tinha “o brilho de um míssil”. Logo depois, houve uma explosão.

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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, logo definiu que “isso prova que a parte iraniana sabia desde o início que nosso avião havia sido abatido por um míssil, eles sabiam”.

Na queda, morreram todas as 176 pessoas a bordo, a maioria tinha como destino o Canadá.

O presidente iraniano

Apesar da rede 1+1 ser de propriedade de um empresário muito próximo de Zelenski e desse empresário possuir ações da Ukraine International Airlines, não é uma insinuação nova. A suspeita, no final de janeiro, já havia sido identificada pelo presidente iraniano, Hassan Rouhani.

Ele não foi informado de que investigações internas revelaram, horas depois da queda do avião, que a aeronave foi abatida por foguetes iranianos.

O jornal americano The New York Times revelou, em matéria publicada no domingo (26 de janeiro), que autoridades do governo iraniano relutaram em fechar o espaço aéreo ou mesmo as operações nos dois aeroportos que servem a capital.

Alguns temiam passar o sentimento de pânico, de que a guerra estaria prestes a começar. Havia, entretanto, os que queriam usar as aeronaves comerciais como escudo humano contra retaliações dos Estados Unidos.

Segundo a matéria, “o general Amir Ali Hajizadeh, chefe das Força Aeroespacial, reconheceu, dias depois, que um pedido seu para suspender as operações civis nos ares iranianos fora rejeitada pelo alto escalão”.

Altos escalões das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária buscavam explicações. No dia seguinte, chegaram à conclusão de que o avião fora derrubado por um erro humano. Para esses comandantes, o fato deveria ser mantido em segredo até o fim das investigações formais. Além deles, apenas o aiatolá Ali Khamenei e assessores próximos sabiam da verdade. O presidente Hassan Rouhani não era uma dessas pessoas.

A conversa

Com essa nova conversa divulgada pelo site da 1+1, reforça-se os temos do presidente Rouhani.

O piloto do voo EP3768, que vai de Xiraz para Teerã, numa rota de 900 quilômetros, pergunta na aproximação ao aeroporto: “em nossa rota, há luzes, como um míssil. Está acontecendo alguma coisa?”.

O controlador não tem informações, mas pede mais detalhes: “como se parece? Como é essa luz?”. “É a luz de um míssil”, afirma o piloto.

A partir daí, o controlador responsável tenta várias vezes, sem sucesso, se comunicar com o avião da Ucrânia. Mas o piloto do EP3768 relata: “foi uma explosão. Vimos uma luz muito grande. Realmente não sei o que era”.

Um relatório de investigação preliminar da Organização de Aviação Civil Iraniana (CAO), divulgado em 21 de janeiro, concluiu que dois mísseis foram lançados pelas forças armadas iranianas e provocaram a queda da aeronave da Ucrânia.

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