UBS destaca ativos brasileiros e vê dólar mais baixo em setembro

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O estrategista-chefe do UBS Consenso, Ronaldo Patah, destacou, em entrevista ao Valor, uma “janela de oportunidade” para os ativos brasileiros. Ele estimou que o dólar pode baixar para R$ 4,80 em setembro deste ano.

Ele afirma que o avanço da variante Delta da Covid-19 não deve se tornar um problema mais grave para a economia brasileira.

Por outro lado, a aproximação das eleições presidenciais de 2022 e o início do processo de redução de compras de ativos pelo Fed (Federal Reserve) podem tornar o mercado mais volátil no Brasil.

Em um cenário com a pandemia arrefecendo, a economia voltando à normalidade e o Congresso Nacional votando reformas, Patah acredita que o dólar pode chegar a R$ 4,80 em setembro.

Isso por que o ambiente global está bastante positivo de forma geral, apesar do receio com o aumento de casos de coronavírus. Porém, segundo ele, são oscilações normais do mercado.

Assim, o banco mantém alocação pró-risco nos cenários globais, apesar do avanço da variante Delta em alguns países.

UBS: eventual alta de juros nos EUA

Apesar do otimismo, há previsão que o euro perca fôlego em relação ao dólar.

A perspectiva para o euro em relação à moeda norte-americana agora é de US$ 1,15 – antes era de US$ 1,25. Segundo Patah, a desvalorização está relacionada à inflação e não à pandemia.

Já nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Fed se prepare para uma eventual alta de juros. O que pode ocorrer em 2023.

Mas para os próximos 12 meses, a perspectiva é de que o Fed vai começar a enxugar liquidez e o dólar deverá se fortalecer.

O economista lembra que o Fed tem controlado as expectativas de inflação nos EUA. A taxa passou de 2,55% na máxima do ano para 2,15%, um pouco acima da meta.

Já no Brasil, os efeitos devem se somar ao ambiente pré-eleitoral. Com isso, o banco vê o dólar em R$ 5 ao fim de 2021. Para o ano que vem, entre março e junho, está projetado em R$ 5,30.

Porém, a instituição é cautelosa com a renda fixa no Brasil. Segundo Patah, a inflação não deve arrefecer por aqui. Desta forma, o modo mais cauteloso com ativos de renda fixa ainda permanece.

Além disso, ele cita possíveis ruídos fiscais, o debate do Orçamento e o desenvolvimento do Bolsa Família, como fatores que podem impactar a renda fixa.

Outro risco ainda é a alta dos juros internacionais a longo prazo.