Turquia ameaça UE com nova onda de migração

Tatiane Lima
Jornalista, redatora sênior. Tecnóloga em Recursos Humanos e MBA em Comunicação e Marketing. Apaixonada por empreendedorismo criativo. Atuei nos três setores, com hard news, jornalismo on, off e redação publicitária.
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Crédito: Engin Akyurt/Pexels

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, manifestou, na segunda-feira (2), a sua insatisfação com as políticas de migração da União Europeia. O líder turco ameaçou permitir, nos próximos meses, a passagem de milhões de pessoas para o ingresso ilegal na Europa. Isso porque Erdogan está insatisfeito com a falta de comprometimento dos países europeus em auxiliar na crise humanitária.

Segundo a Agência Brasil, desde o início dos boatos sobre a abertura das fronteiras com a Grécia e a Bulgária, na sexta-feira (28), milhares de migrantes tentam adentrar na UE. Em discurso pela televisão, Erdogan afirmou que “centenas de milhares atravessaram e em breve irão chegar aos milhões”. Conforme os dados estimados pelas Nações Unidas, a travessia abrange entre 10 mil e 13 mil pessoas. Ou seja, uma quantidade bem menor do que a anunciada pelo presidente da Turquia.

Até o momento, a capital Atenas evitou a entrada de dez mil pessoas na Grécia. Em resposta ao impedimento, alguns migrantes se revoltaram e atacaram os fiscais com barras de metal e pedras. Com isso, para dispersar os revoltosos, a guarda da fronteira reagiu com bombas de gás lacrimogênio para dispersar a multidão. Assim, o saldo da situação na Grécia, no último domingo (1), foi a suspensão do governo por de novos pedidos de asilo.

Para o presidente da Turquia a situação está insustentável. Erdogan afirmou, na segunda-feira (2) que o seu país não consegue mais nem acolher migrantes, nem gerenciar uma nova onda de refugiados sírios. “Ou fazemos estas pessoas regressarem às suas terras para viverem de forma condigna, ou todos partilhamos o fardo. Agora, o período de sacrifício unilateral acabou”, ressaltou.

Turquia já abriga refugiados sírios

Ultimamente, quase um milhão de pessoas fugiram dos conflitos na Síria, que envolvem as forças russas, sírias, turcas e grupos islamitas armados. Os refugiados buscam por abrigo na Turquia, que tem acolhido centenas de pessoas diariamente na capital Ancara. Sem contar com a cota de mais de três milhões de migrantes de diversas nacionalidade já abrigados no país.

Contudo, para o governo turco, o início da solução da crise humanitária seria a abertura das fronteiras da comunidade internacional. “Caso contrário, haverá um massacre, um grande problema”, ameaçou Erdogan. Tanto, que a guarda da fronteira turca foi ordenada a permitir a saída de quem quiser e proibir qualquer retorno.

Merkel sugere comunicação

Para a chanceler alemã, Angela Merkel, o diálogo é a melhor saída para evitar maiores conflitos sobre a nova onda de refugiados. Merkel disse compreender as expectativas frustradas da Turquia em relação à assistência europeia na questão da migração. Mas, se posicionou contra à postura de Erdogan apoiada em ameaça.

“Compreendo que a Turquia está enfrentando um grande desafio quanto a Idlib. No entanto, para mim é inaceitável que ele não expresse a sua insatisfação num diálogo conosco enquanto União Europeia. Para mim, esse não é o caminho a seguir”.