Turismo no Brasil já acumula quase R$ 350 bi de prejuízo na pandemia

Paulo Amaral
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O setor do Turismo no Brasil vai demorar para se recuperar dos efeitos causados pela pandemia da Covid-19 no País, segundo o relatório mais recente da CNC.

De acordo com os cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o prejuízo total causado ao segmento desde março de 2020, quando o novo coronavírus explodiu no Brasil, já é de R$ 341,1 bilhões.

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O órgão informou ainda que mais da metade desse montante (52,6%) ficou concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro, com prejuízos de R$ 137,7 bilhões e R$ 41,7 bilhões, respectivamente.

De acordo com a CNC, com base em informações de pesquisas realizadas pelo IBGE, o setor chegou a abril de 2021 operando com aproximadamente 61,4% da sua capacidade mensal de geração de receitas.

“Do ponto de vista da geração de receitas, o setor de turismo é, portanto, o mais atingido pelos desdobramentos econômicos decorrentes da crise sanitária”, escreveu o economista Fabio Bentes, da CNC, responsável pelo estudo.

A decadência do Turismo na pandemia

Os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados pelo IBGE, mostraram um recuo de 22% nas principais atividades relacionadas ao Turismo no Brasil entre fevereiro e março.

Os novos números mexeram com as projeções de recuperação do setor, que terá de alavancar seu crescimento em 78,7% para retornar ao patamar de fevereiro de 2020, no período considerado pré-pandemia.

A CNC também diminuiu a expectativa de crescimento do volume de receitas do turismo em 2021, passando de uma alta de 18,8% para 18,2%, no comparativo com a retração de 36,6% do ano passado.

“A flexibilização das medidas restritivas a partir de abril tende a reduzir as perdas mensais do setor, contudo, o cenário ainda se mostra complexo no médio prazo”, alertou Fabio Bentes.

“O avanço lento e as interrupções na aplicação da vacinação em diversas regiões do país apontam um ritmo lento de recuperação das atividades terciárias neste ano, com um quadro mais favorável somente a partir do segundo semestre”, concluiu o economista.

Operadoras de turismo perdem dois terços do faturamento

No fim de abril, a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) já deu a letra sobre o grave problema enfrentado pelo turismo no Brasil em 2020.

Em um relatório completo, a entidade revelou que as operadoras de turismo perderam dois terços do faturamento no ano passado.

Segundo o levantamento, o faturamento das empresas caiu de R$ 15,1 bilhões em 2019 para R$ 4 bilhões no ano passado.

O número de passageiros transportados caiu pela metade, de 6,5 milhões no ano anterior para 3,3 milhões em 2020.

A maior parte das vendas (77%) ficou concentrada em viagens dentro do Brasil, enquanto o turismo para o exterior respondeu por 23% da renda das empresas no período.

Turismo: impacto da crise causada pela pandemia

A crise causada pela pandemia de covid-19 também afetou o emprego no setor, que perdeu, segundo o anuário, 2,7 milhões de postos de trabalho ao longo de 2020.

Os serviços de alimentação foram os que mais demitiram, com o corte de 1,7 milhão de empregos, seguido pelo setor de transporte rodoviário, que reduziu em 559 mil vagas a força de trabalho e as agências de viagem que demitiram 197 mil pessoas.

Apesar da forte retração, o presidente da Braztoa, Roberto Haro Nedelciu, declarou que, comparando com o cenário mundial, a queda no Brasil não foi tão forte.

“Eu acredito que a retração não foi tão grande assim”, disse durante a apresentação dos números. “Os números do Brasil não são significativos, são até melhores do que foram no mundo”, comentou, à Agência Brasil.

Retomada

O mercado do turismo no país caiu para um patamar inferior ao registrado em 2009, quando o setor faturou R$ 6,1 bilhões, segundo os dados da Braztoa.

Uma retomada para um nível semelhante ao de 2019, Nedelciu avalia que só deve acontecer na metade ou no fim de 2022. “Vai demorar um ano e meio, dois anos para voltar àqueles números”, estimou.

O presidente da associação acredita que quando for possível fazer uma reabertura para uso de toda a capacidade turística, haverá um crescimento na procura. “Tem uma tendência das pessoas estarem loucas para viajar”, ressaltou.

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