Turismo já perdeu R$ 14 bi com a crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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O setor de turismo do brasil já perdeu R$ 14 bilhões com a crise decorrente do coronavírus. Apenas na segunda quinzena de março, foram R$ 11,96 bilhões a menos em receita. O valor se soma ao prejuízo de R$ 2,2 bilhões da primeira metade do mês, já divulgado anteriormente.

A estimativa é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e foi divulgada nesta quarta-feira (8).

O resultado representa uma queda de 84% no faturamento em relação ao mesmo período de 2019. O setor de turismo foi o que primeiro e mais intensamente sentiu os efeitos da crise, do isolamento social e do fechamento de fronteiras em todo o mundo.

A previsão é que o impacto resulte no fechamento de 295 mil vagas de emprego formal nos próximos três meses.

Cancelamento de voos foi inédito

No Brasil, a taxa de cancelamento de voos foi inédita. O estudo levou em conta os 16 maiores aeroportos do País. Eles são responsáveis por mais de 80% do fluxo de passageiros. Neles, a taxa de cancelamento de voos nacionais e internacionais era de 4% na média diária no início de março. E foi para 88% no final do mês.

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Já o número de voos confirmados diariamente recuou 91% – em relação à última semana de fevereiro.

Os quatro aeroportos que atendem diretamente às regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo – principais focos doença no Brasil – registraram taxas de cancelamento superiores a 80% no fim de março. Os aeroportos de Goiânia e Salvador, por sua vez, chegaram a zerar o tráfego aéreo em determinados dias.

“Essa perda histórica acontece devido à elevada correlação entre o fluxo de passageiros e a geração de receitas no turismo. As atividades econômicas dependem da circulação de mercadorias e consumidores. Por isso, o maior impacto negativo”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

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O economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes, chama atenção para o impacto que a paralisação das atividades econômicas terá sobre o desemprego.

“Historicamente, para cada queda de 10% no volume de receitas do turismo, o nível de emprego no setor é impactado em 2%. Ou seja, os prejuízos já sofridos pelo setor no mês passado têm potencial para reduzir o nível de ocupação em 295 mil postos formais em até três meses”, destaca.

Antes da atual crise, o setor vinha se recuperando economicamente e deveria, até o final do ano, retomar os níveis anteriores à recessão de 2014.

São Paulo foi o estado que mais sentiu a queda, seguido por Rio e Minas.

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PMS apontou queda de 1% em todo o serviço

Outro dado sobre o turismo foi dado pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de fevereiro de 2020. Ela foi divulgada também nesta quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E registrou o encolhimento de 1% de todo o setor de serviços em fevereiro, em comparação com janeiro.

No caso específico das atividades turísticas, houve retração pelo segundo mês seguido (-0,3%). Na comparação com o mesmo mês de 2019, no entanto, o turismo registrou a maior taxa de crescimento anual (+6,7%) para meses de fevereiro dos últimos seis anos.

Os dados desta PMS, entretanto, ainda não evidenciam a forte perda de atividade econômica verificada pelo setor com a crise.