Conheça os custos e taxas de fundos de investimentos

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Os fundos de investimento são ótimos veículos para realizar aplicações financeiras. Eles são bem estruturados e seguem padrões estabelecidos por órgãos de supervisão. Em outas palavras, trazem bastante segurança para o mercado. Por isso, para custear a forma como ele é sistematizado, é necessário o pagamento de algumas taxas.

Nesse início, resumiremos o assunto. Você pode ler até o final para obter dados mais completos sobre o tema. Então, continue a leitura!

Quais são os conceitos básicos a respeito das taxas cobradas em fundos de investimentos?

Acompanhe a seguir os principais custos existentes em aplicações via fundos de investimentos.

Taxa de administração

É a taxa cobrada pela gestão/administração do fundo como um todo. Em resumo, remunera os profissionais e empresas envolvidas no fundo: gestor, administrador, custodiante, distribuidor e auditor.

Trata-se de um valor que costuma flutuar entre 0,25% e 3% do patrimônio líquido do fundo. Em geral, depende de suas estratégias de destinação dos recursos ou ainda de quanto o banco cobra de seus clientes (falaremos mais disso depois).

Taxa de performance

A taxa de performance dos fundos de investimentos é cobrada quando ele supera o benchmark, ou seja, quando ele supera a sua meta. Isso ocorre na maioria dos fundos de renda variável.

Benchmark

De maneira geral, os fundos de renda fixa tem como meta (ou “benchmark”) o CDI. Já os fundos multimercado e os fundos de ações costumam ter como meta de desempenho o Índice Bovespa.

A taxa de performance flutua entre 15% e 20% do que os fundos superarem do benchmark, sendo 20% o mais comum.

Taxas de entrada e saída

A taxa de entrada é mais comum para fundos de previdência e é conhecida como taxa de carregamento. Serve para incentivar o cliente a ficar um tempo maior dentro do fundo. Quanto maior for o tempo que o cliente permanecer investindo, mais ela pode diminuir. A taxa de carregamento pode ser de até 5%.

Já a taxa de saída funciona da mesma forma, porém é cobrada na saída. Além disso, também pode diminuir conforme o tempo passar, podendo chegar a zero.

É possível fazer comparações entre fundos de investimentos?

Sim, é perfeitamente viável e ensinaremos você a fazer essa comparação para entender como essas taxas influenciam na rentabilidade dos seus investimentos.

Fundos são o investimento são recomendados para você?

SocratesSócrates, o filósofo não o jogador!

“Conhece-te a ti mesmo.”

E no mundo dos investimentos essa frase é ainda mais importante. Isso porque a maioria das pessoas procura pelo “melhor investimento” como se fosse o Santo Graal.

Porém “o melhor investimento” pura e simplesmente não existe. O que existe é o melhor investimento para você, para o seu perfil de investidor (a)!

Prefere um vídeo em vez de um texto?

Em apenas 12 minutos você aprenderá tudo o que precisa saber para investir em fundos de investimentos.

Investir em fundos é a maneira mais prática de diversificar seus investimentos. Além disso, com eles você conta com uma equipe de muitos profissionais experientes e de alto nível que cuidam do seu dinheiro. Tudo isso a um custo muito baixo (se você souber escolher, claro).

O objetivo com este artigo é que você saiba tudo o que impacta na rentabilidade dos seus investimentos. Bem como entender com quais taxas você deve ou não deve se preocupar.

Como entender mais a fundo a taxa de administração dos fundos?

A taxa de administração é um percentual anual que incide sobre o patrimônio líquido de um fundo de investimento. Em outras palavras, é o ‘salário’ das instituições que estão por trás do funcionamento dos fundos.

Você sabia que existem 5 entidades envolvidas no processo de funcionamento de um fundo de investimento? Acompanhe agora quais são eles.

Gestor

Responsável pela remuneração da carteira do fundo. É ele quem decide quais ativos comprar, por quanto tempo mantê-los em carteira e quando vendê-los para conseguir a melhor remuneração possível.

Em resumo, ele traça a estratégia para montar a carteira de acordo com a política de investimentos do fundo. Ou seja, é o trabalho dele (e de sua equipe) que definirá a rentabilidade do seu investimento.

Administrador

Responsável legal do fundo e pelas informações prestadas aos cotistas e à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Custodiante

Responsável pela guarda dos ativos do fundo. Quando você investe seu dinheiro em um fundo, o seu recurso fica custodiado em uma instituição (normalmente o próprio banco).

Distribuidor

Quem distribui as cotas dos fundos de investimentos. Em outras palavras, exerce a função comercial entre fundos e cotistas, pois é ele quem efetivamente venderá as cotas dos fundos de investimentos.

Auditor independente

Responsável pela fiscalização e auditoria dos fundos.

Portanto, de que a taxa de administração serve justamente para remunerar todos esses profissionais acima descritos.

Como é cobrada a taxa de administração?

Essa taxa é expressa em um percentual anual: 1% ao ano, por exemplo.

No entanto, esse percentual incide diariamente sobre o valor do fundo e não apenas depois de decorrido um ano inteiro. Sua aplicação sobre o patrimônio se dá por meio da taxa equivalente diária.

Vamos dar um exemplo de como se chega à taxa de administração diária de um fundo.

Para isso, basta aplicarmos a fórmula dos juros compostos, onde vem.

Id = taxa ao dia

Ia = taxa ao ano

n = número de dias (úteis) em um ano (252)

Logo, se um fundo cobra 2% de taxa de administração, a taxa equivalente diária descontada será o resultado do cálculo abaixo.

Leia-se: 1 mais o percentual cobrado da taxa de administração, elevado a 1 sobre 252 (quantidade de dias úteis que existem num ano).

Chegaríamos no resultado de 0,0078585% ao dia.

Este percentual diário, por sua vez, é abatido do valor da cota do fundo do investimento.

Aqui vai uma nova informação: toda vez que você investe seu dinheiro em um fundo, o recurso é convertido em cotas desse mesmo fundo. Assim, seu patrimônio será expresso por meio da multiplicação do número de cotas possuídas e seu respectivo valor.

Como funcionam as cotas dos fundos de investimentos?

Por se tratarem de um CNPJ (sociedade de várias pessoas), os fundos têm que ser divididos em frações (ou pedaços mínimos). Isso é necessário para poder ser apurado qual é o “pedaço” de cada participante e seu preço. Dessa forma, um novo cotista pode pagar pela aquisição de um novo pedaço (cota) deste fundo e participar desta sociedade.

Vamos supor que você tenha R$ 1.000 e que o valor da cota do fundo que investirá é de R$ 10.

Nessas condições você se tornaria detentor de 100 cotas. Bastaria dividirmos o valor a ser aplicado pelo valor da cota: 1.000/10 = 100 cotas.

Essas cotas têm seus valores atualizados diariamente.

Valorização

Dando continuidade ao exemplo citado, vamos supor agora que em um dia essa cota teve uma valorização de 1%.

Ou seja: R$ 10,00 x (1+1%) = R$ 10,10

Isso quer dizer que suas cotas que inicialmente valiam 10 reais hoje valem R$ 10,10 cada uma.

Logo, 100 (cotas) x R$ 10,10 = R$ 1.010,00 (seus mil reais tiveram um rendimento de 10 reais).

Agora vamos à parte que nos interessa e que é a razão de toda esta exemplificação.

Conforme mencionado anteriormente, a taxa de administração é descontada diariamente do valor da cota dos fundos de investimentos.

Calculamos que depois de uma valorização de 1%, um fundo cuja cota valia R$ 10 passou a ter cota de R$ 10,10.

E depois disso, a cota precisa receber o desconto da taxa de administração diária equivalente que calculamos inicialmente.

Ainda seguindo o mesmo exemplo, supondo que este fundo cobre 2% a.a. (ao ano) ou 0,0078585% a.d. (ao dia) teremos a seguinte conta.

Depois de 1 dia com uma rentabilidade de 1% e cobrança da taxa de administração, você que é dono de 100 cotas teria: 100 x 10,0992 = R$ 1.009,92 (ao invés dos R$ 1.010,00)

Assim, esta é a matemática que está por trás da cobrança da taxa de administração.

Ou seja, a taxa de administração é cobrada independente da rentabilidade apresentada do fundo, ou seja, incide tanto nos ganhos quanto nas perdas.

Importante lembrar que não estamos entrando no mérito da tributação (IR e IOF) dos fundos de investimentos, apenas no cálculo devido à título da taxa administrativa.

Quais são os valores mais comuns de taxas?

A primeira informação importante que você deve saber é que existem diferentes tipos de fundos (chamados de classes). Cada uma dessas modalidades têm uma complexidade diferente para serem geridos e administrados.

Dessa forma, fundos de classes diferentes possuem diversos padrões de custos. Consequentemente, também diferentes taxas de administração.

As principais classes de fundos de investimentos são de curto prazo, referenciado, renda fixa, multimercado, ações, cambial e de dívida externa.

Você pode conhecer mais sobre as classes de fundos (bem como suas categorias e subcategorias) na cartilha disponibilizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Como já foi dito, quanto maior o nível de complexidade de gestão de carteira, maior a justificativa da cobrança de uma taxa de administração mais alta.

Quais são as diferenças entre as taxas na gestão ativa e na gestão passiva?

Os fundos que têm uma gestão ativa, ou seja, que precisam mudar constantemente os ativos investidos na carteira e que possuem liberdade para trabalhar seus ativos (inclusive com maior risco) tendem a cobrar taxas de administração mais altas.

Um bom exemplo são os fundos de ações e os fundos multimercados que operam alavancados.

Esses fundos demandam mais atenção do gestor e consequentemente dão muito mais trabalho devido às escolhas criteriosas que devem ser feitas visando sempre a melhor estratégia.

Os fundos de ações e multimercados costumam ter taxas de administração perto de 2%. Mas essas taxas podem variar conforme o nível de complexidade e atuação.

Outras classes como cambiais e de dívida externa também podem ter uma gestão bem ativa. Como no caso dos fundos de ações e fundos multimercado, é compreensível a cobrança de taxas de 2% e de taxa de performance.

Gestão passiva

Cabe lembrar que mesmo dentro das classes de fundos de ações e fundos multimercado (que tradicionalmente são compostas por fundos de gestão ativa), existem fundos de gestão passiva que buscam simplesmente comprar cotas de outros fundos de ações. Dessa forma, estão à mercê de outra gestão, muitas vezes da mesma casa de gestão.

Isso é bem comum em fundos de ações de grandes bancos que simplesmente seguem o índice Ibovespa. Esse trabalho é absolutamente passivo, porém em muitos desses fundos as taxas de administração ultrapassam os 2%.

Por isso, procure sempre pesquisar no regulamento do fundo (ou mesmo na lâmina) para entender melhor sobre as políticas de gestão do patrimônio.

Assim, não faz sentido algum ser cobrado com taxas maiores do que 1% em um fundo de gestão passiva. Esses fundos (como o próprio nome já diz) são fundos nos quais os gestores não têm tanto trabalho assim.

São classes mais conservadoras como: curto prazo, referenciados DI e renda fixa, por serem passivos, não justificam ter uma taxa maiores que 1%.

Devo evitar altas taxas de administração?

Muitos investidores correm imediatamente de fundos com altas taxas de administração, mas eles podem estar errados.

Uma informação muito importante é que quando você vê a rentabilidade dos fundos, ela já aparece depois dos descontos das taxas de administração e performance!

Assim, quando falamos em fundos de gestão ativa a taxa de administração não é o fator preponderante de escolha, mas sim o histórico de rentabilidade.

Resumindo:

  • Vale a pena pagar taxas de administração, desde que o fundo supere o seu benchmark/meta.
  • Fundos de gestão passiva, como de Renda Fixa, devem cobrar entre 0,3% e 1% ao ano de taxas de administração.
  • Fundos de Gestão Ativa, como Multimercados, devem cobrar entre 1% e 2% ao ano de taxas de administração, dependendo de sua complexidade.

Quais são os fundos com as maiores taxas de administração no Brasil?

Quando falamos em taxas de administração de fundos de investimento do país, fica difícil apresentar uma lista.

Isto porque mais de 500 fundos no Brasil nem cobram taxas de administração (normalmente fundos de aporte inicial muito alto), bem como alguns fundos fechados ou com poucos cotistas (que podem pertencer à tesouraria dos bancos).

De maneira geral, existem muitos fundos de longo prazo e fundos de previdência cujo saque é de mais de 5 anos, em que as taxas variam entre 0,1% ao ano e 0,3% ao ano, dependendo do aporte do cliente (mesmo nos grandes bancos).