Truques da mente podem atrapalhar seus investimentos; confira

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Muita gente pensa que decisões de investimentos são feitas de forma totalmente racional, mas isso é uma ilusão. Na verdade, a mente humana esconde várias armadilhas que podem atrapalhar suas escolhas na hora de investir.

A psicologia mostra que o ser humano toma vários atalhos mentais na hora de tomar decisões. No mundo dos investimentos, este assunto é estudado como Finanças Comportamentais.

Os estudiosos mapearam as principais tendências de comportamento que influenciam suas decisões.

Confira algumas delas:

Lacunas de empatia

Entender este comportamento é muito importante em momentos de crise como o atual. A lacuna de empatia significa que a nossa capacidade de interpretar os fatos é muito relacionada ao nosso estado emocional.

Por isso, em momentos de crise, um investidor corre o risco de entrar em pânico e liquidar seu investimento antes da hora. Já momentos de calmaria são ideais para fazer bons planejamentos e tomar decisões.

Diante disso, a recomendação é que você adie as decisões financeiras em momentos de crise ou de forte impacto emocional. Assim você portege eus investimentos dos efeitos nocivos destas situações.

Outra estratégia é anotar seus pensamentos antes de tomar decisão. Depois de se acalmar, volte a analisar seus pensamentos em um estado de maior calma, de acordo com o artigo CVM Comportamental.

Viés de confirmação

A tendência comportamental do viés de confirmação faz com que as pessoas procurem evidências para confirmar as suas opiniões.

Desta forma, se você acredita que comprar uma determinada ação seja um bom negócio, você tende a dar mais atenção para textos, reportagens e vídeos que confirmem a sua ideia.

Ou seja, se você está prestes a fazer uma decisão negativa, sua mente não dará ouvidos aos alertas que sugiram o contrário.

Por isso, é muito importante conhecer o viés de confirmação para evitar este tipo de comportamento.

Olhando pelo retrovisor

Outro problema comum causado pela mente humana é a tendência de tentar prever o futuro olhando para o passado.

Também conhecido como representatividade, esta tendência comportamental acompanha a humanidade há muito tempo.

Embora esta estratégia tenha ajudado o homem a evoluir e se adaptar a diferentes climas, ela é perigosa para os seus investimentos.

Isso porque nem sempre os fatos passados vão se repetir no futuro. Quando falamos de investimentos, o que dita as regras do jogo são os potenciais futuros de ganhos.

Por exemplo, se compararmos os preços potenciais das ações de empresas de turismo antes e depois da pandemia do Covid, seria necessário atualizar as expectativas para uma nova realidade. Neste caso, olhar para o retrovisor seria um grande equívoco.

O mesmo raciocínio vale para outros ativos, já que o cenário econômico e a realidade de cada segmento muda a todo momento.

É por isso que não basta ter uma boa estratégia de investimentos. É preciso sempre mantê-la atualizada.

Movimento de manada

O efeito manada é um dos temas mais conhecidos das finanças comportamentais. Na prática, significa que as pessoas gostam de seguir o comportamento do grupo.

Em geral, quando vemos várias pessoas tomando a mesma atitude, nossa mente conclui que elas têm um bom motivo para fazer aquilo. No entanto, isso nem sempre é verdade.

Quando todos os seus amigos estão investindo em um ativo, por exemplo, não significa que você deve adotar o mesmo comportamento.

Na realidade, o ideal é você ter conhecimento sobre os fundamentos de cada investimento e avaliar se ele se encaixa na sua estratégia.

Lembre-se que a sua estratégia de investimentos depende dos seus objetivos e do prazo em que deseja atingir estes objetivos.

Excesso de Autoconfiança

Outro atalho mental comum é o excesso de autoconfiança. Este viés faz com que a pessoa confie excessivamente nos seus conhecimentos.

Além disso, ela superestima a sua contribuição pessoal na tomada de decisão. Ou seja, ela acredita que está sempre certa em suas opiniões.

Quando algo dá errado, o viés da autoconfiança faz com que as pessoas atribuam os seus erros a fatores externos, de acordo com o artigo da CVM.

Somado ao viés de confirnação, este comportamento torna as decisões dos investidores ainda mais frágeis.

Para evitar estes perigos, você deve se preocupar com a qualidade da informação que consome e verificar que tem os dados necessários para tomar uma boa decisão.

Em outras palavras, seja humilde e discuta sua estratégia com profissionais qualificados, como um assessor de investimento da sua confiança.

Ancoragem

A ancoragem é a tendência que as pessoas têm de fixarem um preço de referência para os ativos. Em geral, este preço é o primeiro valor com o qual tivemos contato.

Em outras palavras, a mente tende a considerar que aquele primeiro preço é o valor justo.

Imagine que você comprou uma ação por R$ 50. O viés de ancoragem pode fazer com que você fique esperando que este valor seja retomado depois de uma baixa.

No momento de pandemia mundial, por exemplo, um investidor poderá ficar ancorado em uma ação de uma empresa aérea, caso não faça novas estimativas para esta ação diante do novo contexto.

Ele pode ficar “preso” a este ativo, simplesmente esperando ele voltar ao valor inicial do seu investiment0.

Na prática, isso pode não acontecer. O preço dos ativos varia de acordo com as perspectivas futuras. Quando você ancora sua análise, sua capacidade de avaliação fica distorcida.

Aversão às perdas

A aversão à perda significa que as pessoas dão mais importância às suas perdas do que as ganhos.

Com isso, acabam correndo mais riscos com o objetivo de tentar compensar prejuízos. Outra consequência possível é o investidor desperdiçar boas oportunidades de investimentos.

Para evitar cair nesta armadilha, procure verificar se seu comportamento está sendo orientado por uma escolha racional ou se o medo de perder está falando mais alto.

Outra dica é evitar ficar olhando as cotações o tempo todo, principalmente nas suas aplicações de longo prazo.

Isso pode gerar muita ansiedade e criar uma necessidade falsa de tomar decisões.