Trump diz que não está interessado em reabrir acordo com a China

Paulo Amaral
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Crédito: Twitter

O presidente norte-americano Donald Trump descartou veementemente reiniciar do zero o acordo comercial assinado entre Estados Unidos e China em janeiro deste ano.

Segundo o jornal chinês Global Times, a cúpula do governo de Pequim estaria descontente com as críticas de Trump ao país em meio à pandemia de coronavírus e, por isso, dispostas a invalidar o pacto firmado no início do ano.

Em contato com os jornalistas que cobrem diariamente a Casa Branca, Trump foi categórico ao abordar o assunto. E ainda emendou um desafio, em tom de ameaça, ao governo chinês.

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“Não estou interessado nisso. Nem um pouco. Vamos ver se eles cumprem o acordo que assinaram”, disparou.

Trump já havia declarado na última sexta-feira, em entrevista para a Fox News, que não havia decidido como lidar com a situação.

Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que “a China fez uma coisa terrível, mas pode não ter sido de propósito”, referindo-se ao início da pandemia de coronavírus.

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Pequim reage

Em matéria publicada nesta segunda-feira pelo jornal estatal chinês Global Times, a afirmação de que a China pretende cancelar o acordo é atribuída principalmente à forma com que Trump se referiu ao país sobre a pandemia.

“De fato, é do interesse da China encerrar o atual acordo da primeira fase. É benéfico para nós. Os EUA, agora, não podem se dar ao luxo de reiniciar a guerra comercial com a China se tudo voltar ao ponto de partida”, afirmou uma fonte ouvida pela publicação.

A mesma fonte disse ainda que, “depois de assinar a fase 1 do acordo, os Estados Unidos intensificaram a repressão contra a China nas áreas políticas, militar e de tecnologia” e que, se os termos não forem revistos, “os Estados Unidos poderão ficar presos”.

Gao Lingyun, especialista da Academia Chinesa de Ciências Sociais e consultor do governo de Pequim em questões comerciais, revelou ao Global Times que o governo tem todas as “ameaças rotineiras” de Washington documentadas.

Segundo ele, se a guerra comercial for reiniciada, “a China saberá como responder e será capaz de retaliar rapidamente, infringindo grande dano à economia dos EUA”.

A reportagem do Global Times ouviu também outros analistas, que disseram não acreditar no rompimento do pacto comercial firmado em janeiro.

Segundo eles, Pequim só tomará atitude tão drástica “se as condições forem extremamente hostis”.

A fase 1 do acordo sino-americano

A fase 1 do acordo comercial assinado entre China e Estados Unidos envolve compras chinesas de mercadorias e serviços americanos, no valor total de US$ 200 bilhões, durante dois anos.

Destes US$ 200 bilhões, pelo menos US$ 50 bilhões serão em produtos agrícolas americanos.

Outros US$ 75 bilhões serão em produtos industrializados. Serviços bancários e financeiros somam US$ 50 bilhões, e os US$ 25 bilhões restantes serão em tecnologia e software.

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