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Trump diz que Brasil trata as empresas norte-americanas injustamente

Durante entrevista, Donald Trump falou sobre a forma como as empresas dos EUA são tratadas pelo Brasil e deu declarações sobre acordos com Canadá e México.

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Na última segunda-feira, o presidente norte-americano Donald Trump deu uma declaração polêmica afirmando que o Brasil é um dos países mais difíceis do mundo para se ter relações comerciais. Além disso, também disse que a forma como as empresas norte-americanas são tratadas no país é injusta.

De acordo com Trump, “o Brasil cobra de nós (EUA) o que querem. Se você perguntar a alguma das empresas, elas dirão que o Brasil está entre os mais difíceis do mundo, talvez o mais difícil…”. Ainda conforme o republicano, o problema envolvido é que, até então, nenhum presidente norte-americano tentou negociar relações comerciais com o Brasil.

Essa é a primeira vez que Trump reclama das relações comerciais com o Brasil, mas não é a primeira vez que o país foi alvo das críticas do governo norte-americano. Atualmente, a principal disputa envolve o pedido feito pelo Brasil para ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pois mesmo após o país dar entrada no pedido formal, em julho de 2017, os EUA bloquearam o início do processo de análise dessa solicitação no âmbito do organismo internacional.

Um dos motivos para essa atitude, alegados pelo governo norte-americano, é a intenção de manter o grupo da OCDE limitado aos atuais membros (37 países).

A declaração da última segunda-feira ocorreu após Trump ser questionado por um jornalista sobre as relações comerciais com a Índia, que também é acusada de cobrar “enormes tarifas” dos EUA. Trump afirmou que já negociou com o Primeiro-Ministro do país a fim de reduzir as tarifas substancialmente.

Outro ponto polêmico foi a acusação feita por Trump de que o resto do mundo deseja tirar vantagem dos EUA. Nesse sentido, o republicano também disse que os EUA, o México e o Canadá devem trabalhar juntos, como região, pois assim podem competir com qualquer um, pois os três países têm recursos e energia que nenhum outro possui.

Assim, foi convocada uma coletiva de imprensa para que Trump comentasse a decisão do Canadá em embarcar no acordo comercial feito entre os EUA e o México no fim de agosto desse ano. O prazo para que o governo canadense tomasse a sua decisão expiraria à meia-noite de domingo (30), porém, poucas horas antes do horário limite, EUA e Canadá chegaram a um acordo.

O presidente norte-americano criticou o NAFTA, antigo acordo que envolvia os três países, e disse que “era injusto para todo mundo”. O novo acordo trilateral se chamará UMSCA, que significa “Acordo entre EUA, México e Canadá” (sigla em inglês). Em seu pronunciamento, Trump disse que o novo acordo é muito diferente do NAFTA e que é “bom para os três”.

De acordo com representantes dos governos dos EUA e do Canadá, o novo acordo irá fortalecer a classe média, criar bons empregos e novas oportunidades para os três países que juntos possuem cerca de 500 milhões de habitantes.

O Brasil e a economia fechada

Há quem discorde da declaração dada por Trump. Um deles é Hélio Magalhães, presidente do conselho da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM). De acordo com o executivo, não é que o Brasil negocie de uma forma mais dura. A grande questão é que o país sempre protegeu a sua produção interna e isso não é nenhuma novidade.

Magalhães também diz que esse comportamento da economia brasileira deixa o país muito aquém de sua capacidade de participação no comércio global. Apesar de ser atualmente a 8ª maior economia do mundo, a participação brasileira é de apenas 1,2%.

Para que o país possa atingir um patamar mais forte nas negociações globais é necessária uma melhora na competitividade interna. Para o executivo, isso depende da adoção de uma carga tributária menor e menos complexa, pois os parceiros comerciais precisam sentir uma maior estabilidade jurídica no país. Além disso, há também uma burocracia ineficiente e que colabora para tornar os processos mais caros.

Sobre o comentário de Trump, Magalhães ainda afirma que isso pode representar uma oportunidade de que o Brasil dê início às negociações de um acordo comercial com os EUA.

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O outro lado da moeda

Face às críticas feitas por Donald Trump, o atual secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Abrão Neto, disse que a relação comercial do Brasil com os EUA é favorável e que apenas nos últimos 10 anos os EUA tiveram um superávit de US$ 90 bilhões no comércio de bens com o Brasil. Ainda de acordo com Neto, se forem considerados bens e serviços, essa relação torna-se favorável para os EUA em cerca de US$ 250 bilões.

Somente no ano passado as exportações brasileiras para os EUA cresceram 6,2% enquanto as importações cresceram 13,3%. Segundo Neto, há um viés crescente da corrente de comércio entre os países.

O secretário também diz que é necessário entender de uma forma mais clara o contexto e o teor das declarações dadas pelo presidente norte-americano, pois, de uma maneira geral, o Brasil possui uma relação comercial muito positiva com os EUA, que atualmente é o seu segundo maior parceiro comercial. Para ele, há vários temas que precisam ser aprofundados na relação entre os dois países e isso pode contribuir ainda mais para o comércio entre Brasil e EUA.

Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, quando Trump afirmou que o Brasil é o mais duro do mundo com as empresas norte-americanas, quis se referir aos impostos que são cobrados das empresas, da taxação e do custo Brasil, pois, de fato, são muito altos. Para Barbosa, o Brasil não tem uma economia fechada para os produtos norte-americanos, mas possui sim uma alta taxação para as empresas norte-americanas que atuam no território brasileiro.

Ainda segundo Barbosa, foram os EUA quem impôs barreiras comerciais ao anunciar o aumento das tarifas sobre o aço e o alumínio recentemente. Para ele, o Brasil teve muitos anos de déficit comercial nas relações com os EUA. Contudo, no ano passado o Brasil apresentou superávit de US$ 2,02 bilhões.

Comentário do Assessor de Investimentos

(por Leandro Castro)

A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi no contexto em que houve uma pergunta referente a relação comercial entre Estados Unidos e índia, e na resposta ele se queixou das tarifas que a Índia cobra dos produtos norte-americanos, e de quebra, ele (Trump) já deu uma alfinetada no Brasil também, não em relação a alguma desvantagem, mas em relação às dificuldades que a gente sabe que existem no nosso país. Foi um ataque à burocracia do Brasil sobre as tarifas, as taxas, os impostos que nós cobramos – que são excessivos – não só aos produtos norte-americanos, mas nós brasileiros sabemos que, isso é em todas as áreas, e Trump estava se referindo nesse ponto. O que isso pode refletir para o Brasil? Temos que ficar em alerta! Assim como Donald Trump entrou em contato com o presidente indiano solicitando uma revisão e um desconto nessas tarifas dos produtos norte-americanos, ele pode sim pedir uma revisão de taxas e tarifas aqui para o nosso país também. E o que o nosso governo, através do Abrão Neto estava mencionando é que o Brasil depende muito mais da importação dos Estados Unidos do que da exportação. Isso de fato acontece porque nós não produzimos nada de tecnologia, nada de maquinário industrial forte. Nós somos um país totalmente agrário ainda, e então a gente acaba exportando mais commodities para eles, e importando produtos já acabados, finalizados. Resumindo a notícia, no médio prazo a gente tem que ficar de olho e tomar atitudes, caso o Donald Trump realmente faça alguma requisição de redução de tarifas de produto norte-americanos.    
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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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