Trump anuncia conselho para avaliar reabertura do país após pandemia

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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O presidente Donald Trump anunciou, em entrevista coletiva concedida nesta sexta (10) na Casa Branca, que pretende criar um conselho para ajudar a reabrir o país após a pandemia do coronavírus.

O conselho, de acordo com informações do portal da CNBC, será composto por integrantes do governo – entre os quais o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin –, empresários, autoridades sanitárias, médicos e governadores.

O grupo iria ajudar a elaborar medidas para reabrir o país depois da crise provocada pela doença, disse Trump.

Sem perspectivas

Os casos de Covid-19 provocaram, nos Estados Unidos, mais de 18 mil mortes. Há 486.994 infectadas com o vírus no país. No mundo o número de mortos ultrapassou, nesta sexta, 100 mil.

Trump afirmou que dará mais detalhes sobre esse conselho na próxima terça.

“Não reabriremos a economia até que este país esteja totalmente saudável”, declarou Trump, conforme noticiou a CNBC.

O país impôs fechamento de comércios, regras rígidas de distanciamento social, fechamento de escolas. Não há data estipulada para a reabertura da economia.

“Gostaria de reabrir em 30 dias, adoraria reabrir o mais rápido que pudesse, mas não sabemos quando a pandemia irá diminuir ou se haverá uma nova onda no país”, observou Trump.

“Fatos, cenários e determinações de especialistas indicarão quando os EUA estão prontos para voltar à normalidade”, acrescentou.

Autoridades de saúde estimam que os EUA devem chegar a 100 mil mortes. Trump disse que o número deve ser menor, embora expressivo – em torno de 60 mil.

Cedo para diminuir restrições

Maior especialista em doenças infecciosas dos Estados Unidos (EUA), Anthony Fauci, consultor de saúde da Casa Branca, ponderou que, embora locais duramente atingidos pelo coronavírus, como o estado de Nova York, estejam mostrando resultados positivos na luta contra a doença, é cedo para atenuar medidas de restrições  no país.

As principais autoridades econômicas do governo Trump afirmaram, na quinta (10), que acreditam que a economia do país pode começar a voltar à atividade normal em maio.

Mas especialistas de saúde reforçaram que o país deve manter o confinamento social, como estratégia para derrotar o coronavírus, pelo menos até junho.

Trump, que está em campanha para tentar se reeleger no pleito de 3 de novembro, tem dito que pretende reabrir a economia antes desse prazo.

Nesta quinta o presidente havia dito que, “com sorte, recomeçaremos muito em breve, espero, a reabrir o país”.

Sinais favoráveis

“O que estamos vendo neste momento são alguns sinais favoráveis”, disse Fauci em entrevista à CNN, citando avanços em Nova York.

Mas antes de reabrir a sociedade, acrescentou, “gostaríamos de ver um indício claro de que estamos indo muito, muito clara e fortemente, na direção certa. Porque exatamente aquilo que não queremos fazer é sair prematuramente e acabar na mesma situação”.

Como muitos norte-americanos comemoram o feriado da Páscoa cristã no domingo, Fauci disse que é importante manter as medidas de distanciamento social em vigor.

“Agora não é hora de recuar”, afirmou, segundo a Agência Brasil..

Isolamento social em Nova York

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse nesta sexta-feira (10) que o número de pacientes com coronavírus em unidades de terapia intensiva UTIs) em todo o estado caiu nesta quinta-feira, em um sinal de esperança de que o aumento das internações em UTIs esteja diminuindo.

Cuomo afirmou que havia 17 pacientes a menos nas unidades de terapia intensiva do estado ontem do que no dia anterior.

Foi a primeira queda diária desde o início da epidemia e um indício de que as medidas de distanciamento social estão reduzindo com sucesso a propagação do vírus.

Nova York, epicentro da epidemia nos Estados Unidos (EUA), registrou 7.844 mortes por covid-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus, quase metade do total no país.

“O que fazemos afetará, literalmente, a vida e a morte de centenas de pessoas”, disse Cuomo a jornalistas.

“Fiquem em casa porque isso funciona. Estamos achatando a curva”, declarou.

Disponibilidade limitada de testes

Houve 290 novas internações hospitalares em um dia, acima das 200 do dia anterior, mas muito menos do que uma semana atrás, quando mais de 1.400 nova-iorquinos foram hospitalizados por causa do coronavírus em um dia, segundo Cuomo.

O número diário de mortes em Nova York por coronavírus continua por volta dos 700, com 777 mortes registradas no último dia em comparação a 799 no dia anterior.

Embora Nova York tenha testado cerca de 390 mil pessoas para o coronavírus, mais do que qualquer outro estado dos EUA, Cuomo disse que a disponibilidade limitada de testes pode atrasar a reabertura de empresas e viagens.

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O governo federal deveria usar a Lei de Produção de Defesa para aumentar a capacidade de exames nos EUA, disse ele, acrescentando que Nova York, Connecticut e Nova Jersey se unirão a qualquer esforço para ampliar os testes.

“Precisamos de uma mobilização sem precedentes, em que o governo possa produzir esses testes na casa dos milhões”, afirmou Cuomo.

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Trump e a OMS no controle ao coronavírus

Trump declarou, também sexta, que fará vai fazer um pronunciamento sobre a Organização Mundial de Saúde na próxima semana.

O presidente afirmou, na última terça (8), que cogitava suspender o financiamento à instituição.

“Temos muito a falar sobre esse assunto”, prometeu Trump, que disse doar US$ 500 milhões por ano à OMS. Ele não deu mais detalhes sobre esse anúncio.

Trump criticou duramente a OMS na terça, a respeito da forma de condução no combate ao coronavírus.

Em sua conta no Twitter, Trump acusou a entidade de se concentrar demais na China e de passar orientações equivocadas durante a pandemia.

“A OMS realmente estragou tudo”, desabafou.

“Por alguma razão, financiada em grande parte pelos Estados Unidos, a OMS está muito centrada na China. Daremos uma boa olhada nisso. Felizmente, rejeitei o conselho deles de manter nossas fronteiras abertas à China desde o início. Por que eles nos deram uma recomendação tão falha?”, questionou.

Casa Branca EUA

A crise das fronteiras

Em reportagem publicada nesta terça-feira, a Reuters lembrou que a OMS realmente recomendou aos países que mantivessem as fronteiras abertas em 31 de janeiro, ocasião na qual o status de “pandemia” ainda não havia sido decretado.

No mesmo dia, no entanto, Trump anunciou restrições aos passageiros que estivessem vindo da China para os Estados Unidos.

As reclamações de Donald Trump ganharam força no governo norte-americano.

Marco Rubio, senador republicano, acusou Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, de “permitir que Pequim usasse a OMS para enganar a comunidade global” e pediu a renúncia do etíope do cargo.

Mike Pompeo, secretário de estado norte-americano, cobrou transparência dos países sobre a pandemia, em crítica direcionada diretamente para a China.

“Toda nação, seja uma democracia ou não, tem que compartilhar este tipo de informação de uma maneira transparente, aberta e eficiente”, afirmou, segundo a Reuters.

O governo chinês, por sua vez, afirmou que está sendo transparente desde o início da pandemia de coronavírus e retribuiu as críticas às autoridades norte-americanas por duvidarem da posição de Pequim.

Reportagem da Bloomberg faz acusação aos chineses

A China ocultou a extensão do surto do Covid-19, o novo coronavírus, em seu país, informa reportagem da Bloomberg.

Os chineses teriam sub notificado o total de casos e de mortes sofridas pela doença.

As conclusões fazem parte de um relatório confidencial da comunidade de inteligência americana enviado à Casa Branca, segundo três autoridades dos EUA.

“Os funcionários pediram para não serem identificados porque o relatório é secreto e se recusaram a detalhar seu conteúdo”, afirmou a reportagem.

Entretanto, a avaliação é de que as informações públicas da China sobre casos e mortes sejam intencionalmente incompletas.

Duas autoridades disseram que o relatório conclui que os números da China são falsos, acrescentou.

O relatório foi recebido pela Casa Branca na semana passada, disse uma das autoridades à Bloomberg.

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