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Trump afirma que a economia dos EUA nunca esteve tão bem. Será?

O presidente norte-americano tem repetido que o país nunca esteve tão bem economicamente. Contudo, dados históricos apontam que essa não é uma verdade absoluta.

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Crédito da imagem: Nicholas Kamm/Internet

Ao longo da campanha para as eleições que ocorrerão em novembro, nos Estados Unidos, o presidente norte-americano Donald Trump disse, em diversas ocasiões, que a economia de seu país nunca esteve tão bem. O jornal The Washington Post fez uma estimativa no mês passado que revela que Trump fez essa afirmação, no mínimo, 40 vezes somente nos últimos três meses.

Contudo, será que o presidente da maior potência mundial está certo?

De fato, a economia norte-americana está indo bem, entretanto, já esteve melhor em determinados momentos do passado. Hoje, alguns indicadores ainda não são tão positivos quanto se espera, um exemplo é o aumento real dos salários.

Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB é a soma de todas as riquezas de um país e, no caso dos EUA, o crescimento nos últimos meses foi realmente significativo. No segundo semestre de 2018, o indicador era estimado em uma taxa anual de 4,2%, o melhor resultado dos últimos anos, porém, ainda menor do que os 4,9% que o país alcançou no terceiro trimestre de 2014. Além disso, em alguns períodos nas décadas de 1950 e 1960, o PIB norte-americano obteve um resultado de crescimento ainda maior.


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Para a professora Megan Black, da London School of Economics, ao ter por base a saúde da economia de um país com base em seu PIB, o que Trump tem afirmado nos últimos tempos torna-se impreciso quando em comparação com o boom econômico ocorrido nos EUA durante o período pós-guerra. Naquela época, houve um grande crescimento econômico no país, principalmente no que diz respeito à manufatura, mas também pode-se pensar em crescimentos nas áreas de agricultura, transporte, comércio, finanças, mercado imobiliário e mineração.

A taxa de desemprego também se encontra em um mesmo patamar de análise que o PIB norte-americano. Em setembro de 2018, 3,7% dos cidadãos americanos estavam desempregados, mas, na década de 1950, houve períodos em que a taxa de desemprego foi ainda menor. Logo, apesar de os indicadores atuais serem considerados bons, não são os melhores da história, como afirma Trump.

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Mercado de ações

Outro ponto que Trump tem destacado é a valorização ocorrida no mercado de ações dos EUA, principalmente a Média Industrial Dow Jones, que agrupa as ações de 30 das maiores empresas do país.

Durante a administração de presidente, é verdade que essas ações atingiram altas recordes. De acordo com os apoiadores do republicano, esse crescimento foi influenciado pelo corte de impostos e a política que visa colocar os interesses dos EUA em “primeiro plano”, além da adoção de medidas que visam reduzir a burocracia e as promessas de investimento em infraestrutura.

Trabalhos e salários

A atual taxa de desemprego dos EUA está em 3,7%. Considerada a taxa mais baixa desde 1969, esse indicador está em queda já há alguns anos, principalmente após o início do governo de Barack Obama.

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De acordo com Ryan Sweet, consultor da Moody’s Analytics, o principal fator que levou a esse resultado foi a mudança no perfil da mão de obra norte-americana. Para ele, há um maior número de trabalhadores com idade mais avançada e com maior nível de escolaridade e, entre esses perfis de trabalhadores, normalmente as taxas de desemprego são menores.

Ainda de acordo com Sweet, no ano 2000, o mercado de trabalho nos EUA apresentava uma taxa de desemprego menor que 4% e esse percentual poderia ser ainda menor que os 3,7% atuais por conta das mudanças demográficas no país.

Trump também tem destacado que as taxas de desemprego entre a população negra apresentaram quedas recordes. Em maio de 2018, o desemprego entre os negros nos EUA caiu para 5,9%, ou seja, o melhor resultado desde 1970.

A imprensa norte-americana destacou naquela época que esses percentuais de desemprego tendem a ser voláteis, pois variam mês a mês. Além disso, algumas reportagens destacam que a taxa de desemprego entre os negros ainda é maior que a de outros grupos étnicos.

De acordo com Ivanka Trump, filha do presidente norte-americano, a taxa de desemprego entre as mulheres apresentou queda pelo 65º ano consecutivo. Mas, vale destacar que essa redução começou ainda antes de Donald Trump tomar posse.

A média da remuneração por hora trabalhada no país, em 2017, apresentou um crescimento estimado entre 2,5% e 2,9%, valores que seguem uma tendência de alta iniciada ainda durante o governo Obama. O resultado registrado em setembro de 2018 foi de 2,8%, entretanto, como a inflação foi estimada em 2,7%, significa que o aumento real foi bem menor.

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Crédito da imagem: Shutterstock/Internet

A renda familiar dos norte-americanos também tem apresentado crescimento nos últimos três anos, mas a velocidade em que isso acontece tem diminuído conforme apontam dados oficiais do país. No mês passado, dados do US Census Bureau (uma espécie de IBGE norte-americano) fez um questionamento se o recorde de 2017, que fechou em US$ 61,3 mil por ano foi registrado em razão de diferenças existentes na metodologia utilizada nas pesquisas dos últimos anos.

É possível afirmar que o estímulo fiscal, o corte de impostos e os aumentos nos gastos do governo ocorridos durante a gestão de Trump ajudaram a gerar um crescimento, mesmo que nem todos os norte-americanos estejam percebendo essa melhora.

Analistas estão questionando por quanto tempo essa trajetória econômica deve continuar. Um deles é Mark Zandi, da Moody’s Analytics, pois aponta que os EUA estão vivendo um momento de boom atualmente, mas é possível que isso acabe na próxima década, quando o estímulo fiscal concedido pelo governo precisar ser reduzido e a economia começar a lidar com taxas de juros mais altas.

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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