TRT-PR suspende demissões de trabalhadores de fábrica no Paraná, uma das reivindicações dos petroleiros em greve

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Twitter

O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, no Paraná (TRT-PR), atendeu um dos pontos da pauta dos petroleiros em greve e suspendeu temporariamente as demissões dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes e Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR). A informação é da Federação Única dos Petroleiros (FUP), um dos principais sindicatos no comando de greve. A FUP diz que a suspensão dura até 6 de março, dia da próxima audiência no tribunal.

Apesar da vitória temporária, Simão Zanardi, coordenador da FUP, diz que a greve visa denunciar as demissões e o desrespeito ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que prevê a consulta aos sindicatos responsáveis em caso de desligamentos massivos como o que a direção da Petrobrás pretende realizar na Fafen-PR.

“A greve não é apenas em relação à Fafen. Se o Acordo Coletivo de Trabalho for desrespeitado na Fafen, vai ser desrespeitado em todas as outras unidades da Petrobrás. Então defender a Fafen é defender a Petrobrás, e defender a Petrobrás é defender o Brasil”, disse.

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Comemoração

No Twitter, o deputado federal Jorge Solla (PT-BA) divulgou uma foto da audiência e celebrou a suspensão das demissões: “vitória dos petroleiros! Revogadas as mais de mil demissões na Petrobras. A primeira de muitas vitórias. Participamos da rodada de negociação com o ministro Ives Gandra e seguimos no apoio aos petroleiros em todo o Brasil”.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), também esteve na presente na reunião e disse que a manutenção dos funcionários da Fafen é “uma das condições para que pare a greve dos petroleiros”. A paralisação já dura 18 dias.

A FUP, entretanto, não informou se a greve será suspensa.

Marcha no Rio de Janeiro

A notícia foi dada enquanto os petroleiros realizavam marcha no centro do Rio de Janeiro. Há mais de 20 mil pessoas participando da passeata.

A FUP diz que mais de 21 mil trabalhadores estão mobilizados em 121 unidades da Petrobras, sendo 58 plataformas, 24 terminais, 11 refinarias, 8 campos terrestres, 8 termelétricas, 3 Unidades de Tratamento de Gás (UTGs), 1 usina de biocombustível, 1 fábrica de fertilizantes, 1 usina de processamento de xisto, 2 unidades industriais e 3 bases administrativas.

Milhares de trabalhadores foram ao centro do Rio de Janeiro, nesta terça, em caravanas de petroleiros e de outras categorias, para protestar contra as demissões. Segundo o Sindipetro-SP, às 16h, eram 15 mil pessoas em marcha na capital fluminense, com críticas ao processo de privatização da estatal.

A estatal alega que a Fafen “não produz resultados sustentáveis e a sua continuidade operacional não se mostra ‘viável economicamente'”.

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