Trocafone: conheça a varejista de celulares que está na fila do IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

As opções de empresas listadas na Bolsa de Valores estão cada vez mais diversificadas. Prova disso é a empresa Trocafone, rede varejista de celulares que está na fila de IPOs (Oferta Pública Inicial) deste ano.

Criada por Guillermo Freire e por Guillermo Arslanian, a empresa trabalha com a compra e revenda de celulares seminovos. Pela Trocafone já foram vendidos mais de 1 milhão e 400 mil aparelhos eletrônicos seminovos.

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A startup já recebeu rodadas de investimentos nos últimos anos, passando a ter entre os sócios o Softbank. No fim do ano passado, a empresa levantou um aporto de R$ 30 milhões liderado pelos fundos Barn Investimentos e Bulb Capital. A Wayra, empresa de inovação da Vivo, também participou da rodada.

Mas, agora, a aposta é em abrir seu capital para expandir suas vias de crescimento.

Vamos conheces mais sobre esta empresa?

História da Trocafone

Fundada em 2014, a Trocafone afirma que nasceu da necessidade das pessoas e da sociedade em fomentar a inclusão digital por meio de uma cultura que preze pelo padrão de consumo sustentável e de qualidade.

“Nosso foco é permitir que, a cada dia, um número maior de pessoas possa ter acesso à tecnologia, na constante busca em proteger o meio ambiente através de um ecossistema completo voltado para aparelhos eletrônicos seminovos, oferecendo segurança e comodidade aos nossos clientes”, diz a empresa no prospecto preliminar.

A empresa afirma possuir um modelo de negócios integrado e completo voltado para aparelhos eletrônicos seminovos, atuando através de tecnologia proprietária e uso de inteligência artificial na originação de aparelhos seminovos, recondicionamento com práticas homologadas pelas principais OEMs (Original Equipment Manufacturers) globalmente e revenda para o consumidor final.

Por meio de parcerias com varejistas, empresas de telecomunicações e OEMs e o canal C2B (direct to consumers) a empresa oferece soluções para que clientes possam usar seus aparelhos antigos como parte do pagamento para a aquisição de um aparelho novo. Mas há outras alternativas, como a compra direto de clientes que não desejam a troca e sim apenas vender seu dispositivo e opções ligadas a parceiros específicos, como possibilidade de cashback.

A empresa, então, adquire esses aparelhos seminovos e realiza um processo de recondicionamento com múltiplos pontos de inspeção. Por fim, eles são revendidos através de canais próprios. São usados o website, a rede de quiosques espalhados pelos principais shopping centers dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, além de sites de e-commerce parceiros como B2W, Mercado Livre e Amazon.

A empresa também oferece aos consumidores uma gama de serviços financeiros como soluções de seguro e leasing de aparelhos, com o objetivo de expandir cada vez mais sua proposta de valor para clientes.

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Trocafone

Mercado de celulares no Brasil

Segundo dados da Newzoo, o número de usuários de smartphones no Brasil cresceu 36,3% entre os anos de 2017 e 2020, passando de um total de usuários de 79 milhões para 107 milhões.

Em relação a níveis de penetração quando comparado a outros países, o Brasil apresenta um percentual abaixo de Estados Unidos, Alemanha, China, entre outros, tendo atingido 50.7% de penetração em 2020.

“O mercado de venda de aparelhos eletrônicos seminovos é incipiente no Brasil e possui amplo espaço para crescimento”, diz a Trocafone.

Segundo a IDC, em 2020 foram vendidos 3,1 milhões de smartphones seminovos, o que representou 7,2% dos 42,3 milhões de smartphones vendidos no país.

A título de comparação, a venda de smartphone seminovos globalmente representou 18,0% do total de smartphone vendidos no mesmo ano.

De acordo com a consultoria IDC, o mercado de smartphones seminovos movimentou R$ 225 bilhões globalmente em 2020, valor que deve alcançar até R$ 358,1 bilhões em 2024, representando um crescimento anual composto de 12%.

Em termos de unidades, no ano de 2020, foram vendidos 225 milhões de smartphones seminovos, e espera-se que esse número chegue a 352 milhões até 2024.

Trocafone

Economia circular e práticas ESG

A Trocafone afirma que seu modelo de negócios está intimamente ligado ao conceito de economia circular.

A comercialização de aparelhos seminovos surge, segundo a Trocafone, como uma alternativa para reduzir o lixo eletrônico e ao mesmo tempo promover a reinserção do aparelho no ciclo de consumo.

“Dessa forma, a demanda cada vez maior por smartphones, inclusive hoje como ferramenta de trabalho, abre caminho também para o uso consciente de recursos e o descarte mais adequado”, diz a empresa.

A Trocafone é baseada nos 3 pilares do ESG. Em relação a aspectos ligados ao meio ambiente, os varejistas parceiros (como Apple, Samsung, e outros relevantes) possibilitam que a companhia promova a recirculação de produtos na cadeia de consumo.

Do lado social, ao fomentar uma economia compartilhada, o ecossistema Trocafone torna possível às pessoas adquirirem smartphones de uma maneira mais acessível, e a presença de uma plataforma estruturada para tal propósito gera um ambiente confiável para a compra de aparelhos seminovos.

Por sua vez, os aspectos sociais de atuação possibilitam que uma maior parcela da população tenha acesso a smartphones e outros aparelhos eletrônicos, fomentando a inclusão digital, dado a baixa acessibilidade de aparelhos novos no Brasil, como é verificado ao se comparar o custo relativo de um iPhone a renda mediana no país.

No Brasil, o crescimento esperado para o mercado de seminovos é ainda maior. O mercado de smartphones seminovos brasileiro movimentou R$ 2,2 bilhões em 2020, devendo chegar a R$ 5,0 bilhões em 2024, o que implica em um crescimento anual composto de 23%.

Em termos de unidades vendidas, no ano de 2020, foram vendidos 3,1 milhões de smartphones seminovos, e espera-se que esse número chegue a 5,5 milhões até 2024 (crescimento anual composto de 16%).

Sobre o IPO

A Trocafone registrou seu pedido de IPO na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em junho de 2021. A empresa quer ser listada no Novo Mercado.

A oferta será primária (quando os recursos vão para o caixa da empresa) e também secundária (quando os atuais acionistas vendem parte de suas ações).

A empresa diz no prospecto preliminar que pretende usar os recursos da venda de ações novas para atividades de fusões e aquisições, investir em marketing, reforçar o capital de giro, e investir no crescimento do negócio, inclusive com expansão para a América Latina.

Trocafone

Para participar da oferta de varejo, é preciso investir no mínimo R$ 3 mil nas ações e no máximo R$ 1 milhão.

A operação é liderada por Itaú BBA, BTG Pactual (BPAC11), Goldman Sachs e UBS-BB.

Valores da oferta e prazo ainda não foram divulgados.

Hoje a empresa tem um capital social de R$ 90,55 milhões, representado por 90.550.008 ações ordinárias.

Dados econômico-financeiros

A empresa teve receita líquida de R$ 50,16 milhões de reais no primeiro trimestre de 2021, aumento de 16,3% sobre 2020.

O Ebitda ajustado passou de negativos R$ 1,6 milhão (1TRI20) para negativos R$ 3,2 milhões (1TRI21).

A margem Ebitda ajustada caiu de -3,8% (1TRI20) para -6,5% (1TRI21).

A companhia registrou um lucro bruto de R$ 16,5 milhão no primeiro trimestre de 2020, valor que caiu para um lucro bruto de R$ 13,6 milhões no primeiro trimestre de 2021.

Diferenciais estratégicos da Trocafone

  • Ecossistema criado através de um modelo de negócios ganha-ganha;
  • Canais múltiplos de vendas;
  • Engajamento e recorrência de usuários.

Estratégias de crescimento da Trocafone

A Trocafone quer crescer o supply, captando novos parceiros e aumentando o volume de vendas dos parceiros atuais. E quer ainda expandir a rede de coletas e desenvolver canais C2B (Direct to Consumer) que possibilitem aumentar a capilaridade de fornecimento de aparelhos eletrônicos seminovos.

“Acreditamos existir uma oportunidade relevante em termos de vendas e alcance de nossa marca quando considerado o aumento de SKUs e serviços dentro de nossa plataforma”.

Em linha com a estratégia de aumento de recorrência e engajamento de usuários, ao explorar um portfólio completo de dispositivos, acessórios e serviços a empresa diz possibilitar ao usuário endereçar necessidades que antes seriam supridas por outros canais. “A diversificação em nossa plataforma é feita de forma que gere a otimização entre variedade de aparelhos e acessórios frente a operacionalização necessária desse portfólio, sem criar ônus logístico e de inventário”.

Com uma base de quiosques totalizando 19 pontos físicos em dezembro de 2020, a empresa credita que o posicionamento estratégico adotado para definição de pontos de vendas contribui para a estratégia de expansão e alcance geográfico, ao mesmo tempo que possibilita um maior reconhecimento de marca pelo mercado.

“Acreditamos existir uma oportunidade de expandir nossas operações por outros países da América Latina, alcançando um mercado potencial de mais de 435 milhões de aparelhos eletrônicos, por meio de aquisições estratégicas e expansão orgânica”, afirma a Trocafone.

Com o aumento significativo de processamento de dados, portfólio de produtos e expansão da estratégia de canais de vendas, a empresa vê uma oportunidade única de alavancar toda sua plataforma por meio de investimentos em tecnologia, que alcançam desde as operações logísticas até mesmo o aprimoramento de interface com consumidores.

Principais fatores de risco

  • A Trocafone depende de sua capacidade de atrair pessoas dispostas a vender seus eletrônicos por um preço previamente definido;
  • A companhia depende de contratos de longo prazo com parceiros para parte significativa de suas receitas;
  • A operação da empresa envolve a compra de aparelhos eletrônicos seminovos, e a proveniência dos produtos pode não ser corretamente verificada em tempo hábil;
  • O sucesso da Trocafone depende de sua capacidade de expandir e adaptar suas operações para atender rapidamente aos padrões de tecnologia, que estão em constante mudança;
  • A principal atividade da companhia consiste na aquisição de produtos eletrônicos por meio de parceiros estratégicos, para posterior comercialização na sua plataforma online e lojas físicas. Assim, a empresa pode não ser capaz de manter e estabelecer novas parcerias para a aquisição de produtos eletrônicos.