Transporte de carga aérea despenca 48% em abril no país, diz CNI

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira os mais recentes números sobre transporte de carga aérea no País.

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De acordo com o relatório do órgão, os números despencaram em relação ao mesmo mês de 2019.

Foram movimentadas 57 mil toneladas em abril deste ano, quantidade 48% menor do que a registrada no mesmo período do ano passado.

Queda em cima de queda

Além dos números negativos quando comparados ao mesmo mês de 2019, os índices também registraram quedas em outras duas comparações.

Em relação a março de 2020, de acordo com as informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) coletadas pela CNI, o volume de transporte de carga aérea diminuiu 42% (ou 41 mil toneladas).

Quando a comparação é entre os primeiros quatro meses de 2019 e o primeiro quadrimestre de 2020, a retração é de 17%.

Neste ano, de janeiro a abril, foram transportadas 353 mil toneladas, de acordo com o relatório desta sexta.

A queda tem relação direta com a pandemia de coronavírus e a consequente diminuição das demandas em aeroportos por conta das medidas de distanciamento social.

Essas medidas resultaram em uma drástica redução no número de voos comerciais, o que acarretou quebra na oferta de transporte e aumento no valor de frete.

Os dados acumulados para os últimos 12 meses mostram que as empresas aéreas de passageiros respondem por 64% do total de cargas transportadas no mercado internacional brasileiro e por 79% no mercado doméstico.

2019 já dava indícios de queda

A queda de 2020 também está relacionada com a desaceleração já observada no ano anterior, de acordo com a CNI.

Segundo o órgão, depois do recorde de 1,39 milhão de toneladas movimentadas em 2018, o ano de 2019 movimentou um total de 1,28 milhão de toneladas, índice 8% inferior ao do ano anterior.

O recuo maior foi observado no transporte internacional de cargas – 10% -, enquanto no mercado doméstico a queda foi três vezes menor, e ficou em 3%.

A importância do setor de transporte de cargas

Wagner Cardoso, gerente-executivo de infraestrutura da CNI, ressaltou a importância do setor de transporte de cargas para a economia mundial.

De acordo com o executivo, o transporte aéreo concentra mercadorias de maior valor agregado, capazes de arcar com custos de frete mais elevados que de outras modalidades de transporte, ou que demandam uma entrega rápida.

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“São produtos essenciais para a indústria, seja para a venda de bens finais, seja para a entrega de insumos vinculados às cadeias globais de produção”.

O Ministério da Economia informou que, durante todo o ano de 2019, o total de bens exportados e importados na modalidade aérea pelo Brasil totalizou US$ 45,6 bilhões.

Produtos farmacêuticos somaram US$ 6,4 bilhões em 2019, demonstrando a importância da aviação para o combate à pandemia da covid-19, que sequer havia começado à época.

Números da queda

Latam

A queda nos voos internacionais por conta da pandemia chegou quase aos 100%, com a paralisação das atividades só não sendo total por conta das viagens para repatriação de brasileiros.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, foram transportados 44% menos passageiros pagos em março de 2020, com taxa de ocupação das aeronaves de 66,7% (-17,6%), quando comparada ao mesmo mês de 2019.

A pandemia fez com que as três principais empresas brasileiras perdessem boa parte da demanda de seus voos internacionais.

Segundo a Anac, as quedas foram de 45,3% na Latam, 44,1% na Gol e 34,6% na Azul em março, quando comparadas ao mesmo período de 2019.

Em abril, a demanda por voos domésticos recuou 93,1%, com queda na oferta de 91,6%. Já nos voos internacionais, a redução na demanda foi de 96,1%, com oferta 91,1% menor que no mesmo mês de 2019.

Números da Abear

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a oferta de assentos nos aviões recuou 91,35% no mesmo período, e os dois índices são os piores da série histórica da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac).

O desempenho na taxa de ocupação dos aviões em abril foi o pior desde junho de 2010, ficando em 65,45%, com diminuição de 16,42 pontos percentuais na comparação anual.

O volume de passageiros transportados teve resultados ainda piores, registrando retração de 94,55% em voos nacionais – 399.558 pessoas, o pior dos últimos 20 anos.

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