Cenário é de recuperação mais rápida do que a esperada, diz Trafalgar

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução Money Live

Após o fundo do poço entre março e abril, a percepção atualmente é a de que o cenário da recuperação dos mercados poderá ser mais rápida do que a esperada inicialmente, segundo os sócios da Trafalgar Investimentos.

Participando da Money Live desta quinta-feira (2), o sócio cofundador da gestora Ettore Marchetti reforçou a visão na qual a queda no produto das economias poderá ser inferior à traçada nos cenários mais catastróficos.

Como exemplo, citou os dados de emprego norte-americano, cujo resultado voltou a surpreender.

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“As opiniões mais extremistas estão ficando para trás”, disse, emendando sobre a expectativa de retração do PIB brasileiro, que deverá ficar entre 5% e 6%, em sua avaliação, ao invés de 9% ou 10%, como traçado por alguns agentes do mercado e, recentemente, pelo FMI.

Pré-crise

De acordo com Marchetti, há uma gama de ativos financeiros que registram níveis de recuperação em patamares pré-crise, com quedas consideradas “marginais”.

Entretanto, ressaltou, que ainda há um descasamento entre a economia real e o mercado financeiro.

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Reprodução Money Live

“Há uma situação destoante, causada pela injeção de liquidez nos mercados”, ressaltou.

Como consequência, a tendência é pela permanência dos juros em níveis baixos ou próximos a zero por um período mais longo – o que, por sua vez, pode levar à formação de uma bolha nos mercados – alertou.

Carteira

Para o sócio cofundador da Trafalgar Roberto Chagas, “a convicção e a humildade, de pensar cenários alternativos”, funcionou muito bem durante os piores momentos da atual crise.

“Precificar cenários alternativos não tem a ver em ser defensivo, mas estar preparado para isso”, destacou.

Sobre as estratégias de investimento, Chagas reforçou a importância de se manter, acima de tudo, uma filosofia de investimentos.

“Não há uma só correta, mas é preciso encontrar a melhor.”

Entre suas estratégias, a busca de empresas que criem barreiras de entrada à concorrência, gerando vantagens competitivas, e que tenha um “negócio secular”.

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Reprodução Money Live

Nestes negócios, explicou Chagas, não importa o resultado PIB, citando companhias como Alibaba, Mercado Livre ou B2W.

São companhias, estas, que trazem rupturas tecnológicas, que surfam no aumento da penetração dos meios de pagamento ou do comércio eletrônico.

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Câmbio e ouro

Adicionalmente, na cesta de ativos da Trafalgar, há apostas táticas, ainda, em mercados de câmbio e ouro.

Entre as moedas, destaque para operações com divisas de países exportadores, que podem se beneficiar da valorização no preço das commodities, como o real e os pesos colombiano (petróleo) e chileno (cobre).

Em relação ao ouro, Marchetti pontou haver muitas “condições favoráveis” para um cenário de valorização – por consequência das baixas taxas de juros e a delicada situação fiscal das economias, sobretudo após os gigantescos pacotes de injeção de recursos.