Trade War: Entenda as razões que levaram Eua x China ao conflito

Batizada de  “Operação Neptuno”, a maior invasão marítima da história  que deu início à libertação dos territórios europeus do domínio nazista, ficou mais comumente conhecida como “Dia D”.

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

Algumas décadas depois, mais precisamente em 1989, a queda do muro de Berlim foi o ato simbólico que decretou o encerramento de décadas de disputas ideológicas, econômicas e militares entre o bloco capitalista, comandado por Estados Unidos e o socialista, liderado pela União Soviéticas (URSS), culminando com o fim da guerra fria e a reunificação da Alemanha.

No dia 05 de agosto – curiosamente um dia antes da data que remete a devastação da cidade de Hiroshima durante a II Guerra Mundial (06 de agosto 1945) – O Banco Popular da China lançou seu mais potente ataque contra os EUA, desde o início da guerra comercial entre as duas super potências.

Vamos agora, entender as motivações deste conflito e o que reivindicam americanos e chineses.

Entenda o caso

A balança comercial (Importações x Exportaçoes) americana vem sofrendo ao longo dos anos, apresentando um déficit crescente, e este, foi justamente uma das bandeiras de Donald Trump (American First) em sua campanha eleitoral, ou seja, aumentar o consumo interno estimulando as indústrias americanas, tornando a importação de produtos chineses menos atrativas, através de sobretaxas.

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A estratégia de Trump contempla também, acusações de roubo de propriedade intelectual e manipulação cambial, e foi justamente a segunda, que causou o banho de sangue verificado ontem (05).

O presidente americano já havia alterado de 10% para 25% (após ameaças via Twitter) as taxas alfandegárias sobre aproximadamente U$200 bilhões em produtos chineses no mês de maio e era aguardado um acordo entra as duas delegações no encontro da semana passada em Xangai.

O resultado do encontro foi a promessa chinesa em um aumento do volume de importações de produtos agrícolas americanos e um novo encontro marcado em setembro entre as duas delegações, desta vez em território americano.

Só que Trump não ficou satisfeito e 24h depois deste encontro, voltou ao Twitter para anunciar uma nova sobretaxa em mais US$300 bilhões em produtos chineses.

Resposta à altura

O que Trump e os mercados não esperavam, é que os chineses abrissem mão de sua postura “artificialmente” diplomática. Na segunda-feira (05) os mercados do ocidente acordaram sob a notícia de que o yuan (moeda chinesa) atingia desvalorização recorde em relação ao dólar.

Esta medida foi um golpe direto no coração da Casa Branca e agora entenderemos o porquê.

Ao permitir a desvalorização de sua moeda, quebrando a barreira psicológica de 7 yuans para cada dólar, o Banco Central da China sinalizou claramente sua intenção de retaliar o posicionamento norte-americano, na figura de seu extravagante presidente, Donald Trump.

A medida, no entanto, vai muito além disso: A China escancarou para o mundo, do que se trata afinal, este conflito: Uma guerra cambial.


Mas em uma primeira análise, a consequência mais óbvia desta desvalorização de sua própria moeda pode ser vista como um tiro no pé, já que a medida se não bem dosada, causará um aumento generalizado nos preços (inflação), comprometendo um já modesto crescimento chinês (acostumado aos dois dígitos nos últimos anos).

No entanto, quanto mais desvalorizado estiver em relação ao dólar, mais “atraentes” ficam os produtos chineses e por consequência, as exportações para o mercado americano, trazendo efeitos ainda piores para a já deficitária balança comercial dos EUA.

A mensagem que a China passa ao mundo é a seguinte: Se vocês (americanos) aumentarem as taxas, nós reagiremos diminuindo nossos preços, através do cambio.”

Sabedor disso, Trump foi ao Twitter e manifestou-se sobre o contra-golpe chinês:

“A China desvalorizou sua moeda para um dos mais baixos patamares da história. Isso se chama ‘manipulação do câmbio’. Está ouvindo, Federal Reserve? É uma violação enorme que irá enfraquecer bastante a China com o passar do tempo!”

Trunfo chinês

Os 20 países que mais possuem treasures americanos.

O “X da questão” é que a China possui uma reserva de US$3 trilhões, sendo também a nação que mais detém treasures (títulos de dívida) americanos e isso dá aos chineses, algo que Trump não  tem: Tempo.

O presidente americano corre contra o tempo, visto que seu mandato se encerra em 2020. A resolução ou ao menos um acordo mais benéfico aos interesses americanos, será primordial em sua campanha de reeleição.

Um problema que os chineses e sua ditadura desconhecem.

No que pode resultar este conflito?

A pergunta mais ouvida entre investidores  ao que esperar dos próximos passos deste conflito.

Para Chris Krueger, da Cowen Washington Research: “Numa escala de 1 a 10, a retaliação da China é nível 11. A China podia adotar medidas com efeito mais amplo sobre cadeias de suprimentos, mas atirou direto na Casa Branca para conseguir o máximo efeito político. Esperamos uma resposta rápida, e possivelmente destemperada, da Casa Branca, e consequentemente esperamos uma escalada mais rápida das tensões comerciais.”

De certeza mesmo, apenas a convicção de que a retaliação chinesa, do tamanho que se verificou, representa um marco no conflito entre as duas super potências. Se será o suficiente para ser lembrada como o “Dia D” ou terá o impacto da queda do muro de Berlim, é o que saberemos a seguir, nas cenas dos próximos capítulos.