Totvs (TOTS3) entra na disputa com Stone por Linx (LINX3)

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Totvs TOTS3 propõe fusão à LInx LINX3

Três dias após receber proposta de aquisição da Stone, o conselho de administração da Linx (LINX3), fabricante de software de gestão para o varejo, recebeu oferta também da Totvs (TOTS3) para uma combinação de negócios entre as companhias.

Às 11h05, as ações da Linx subiam 7,75% e as da Totvs 2,94%.

A proposta prevê que a diluição das bases acionárias das empresas com recebimento, por cada acionista da Linx, de uma ação da Totvs e R$ 6,20. Desta forma, ao final, os acionistas da Linx seriam titulares de aproximadamente 24% do capital total e votante da Totvs.

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Na carta enviada a Linx, a Totvs afirma que a proposta seria feita em 11 de agosto, conforme entendimentos que eram mantidos com a direção da companhia. Mas foi “surpreendida” pelos fatos relevantes informando que a “Linx já teria contratado outra combinação de negócios com a Stone, preferindo não tomar conhecimento do que tínhamos a apresentar”.

Proposta da Stone

Na terça-feira, a Stone (STNE), fintech de soluções para pequenos e médios empreendedores, propôs pagar R$ 6,045 bilhões a Linx na fusão, sendo 90% em dinheiro e 10% em ações.

Pelo acordo, a integração das atividades da Stone e da Linx seria implementada por meio da incorporação da totalidade das ações de emissão da Linx pela Stone.

Para a aquisição, a Stone faria uma oferta de ações no valor de US$ 1 bilhão na Nasdaq, onde é listada.

O negócio, no entanto, está sendo questionado pois o acordo de não competição firmado entre as empresas poderia beneficiar os acionistas fundadores da Linx e prejudicar os minoritários.

Racional estratégico

Na carta à Linx, a Totvs afirma que, levando em conta o que foi divulgado a respeito da combinação com a Stone e a dependência ainda de o negócio ser aprovado pelos acionistas da Linx, decidiu submeter a proposta. A companhia acredita que sua oferta é a que melhor atende ao interesse do conjunto de acionistas da Linx, “sem conflitos de interesses, benefícios particulares ou assimetria de tratamento”.

“A transação possui um forte racional estratégico em razão da alta complementariedade de mercados, soluções e serviços, resultando em uma substancial criação de valor para as companhias, seus respectivos acionistas, clientes e colaboradores”, argumenta a Totvs.

A disputa pela Linx tem como pano de fundo também o acirramento da concorrência no mercado das “maquininhas”, equipamento de pagamento com cartão, em um cenário de abertura que vem sendo tocada pelo Banco Central.