Títulos indexados à inflação são os que performaram melhor em novembro

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.

Os títulos indexados à inflação foram os que performaram melhor em novembro. Eles foram beneficiados pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Assim, acabaram superando a poupança e os títulos de renda fixa corrigidos pela taxa básica de juros (Selic).

O Tesouro IPCA, no período, rendeu mais do que aplicações em euro, dólar e até acima do Ibovespa, que acumula queda de 1,53% em novembro.

Isso acontece porque os títulos de inflação garantem a variação dos preços medida pelo indicador (no caso, o IPCA) mais um prêmio.

Com a elevação da taxa básica de juros (Selic), o investidor volta a olhar para a renda fixa, sem abandonar a renda variável, mas, aproveitando o momento para diversificar. Atualmente, a Selic se encontra em 7,75%, mas deve ir a 9,25% na próxima quarta-feira (8), data da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Para se ter ideia, a prévia do IPCA de novembro registrou alta de 1,17%, a maior variação para o mês desde 2002, quando o índice foi de 2,08%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,25% em outubro e acumula alta de 8,24% nos últimos 12 meses.

Títulos indexados à inflação renderem 3,13%

Segundo projeções do Valor Data, investimentos de renda fixa indexados à Selic renderam 0,56% em novembro, a exemplo dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI).

 

Já os títulos públicos prefixados tiveram rendimento de 1,59% no mês, enquanto títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA renderam 3,13%.

O maior ganho, entre esses, foi dos títulos atrelados ao IPCA com vencimento igual ou acima de cinco anos, que pagaram 3,88%. Aqueles com vencimento em até cinco anos renderam 2,41%.

Por fim, a poupança também performou bem, rendendo 0,44% no período.

Por dentro do Tesouro IPCA

O Tesouro IPCA+ é um investimento de renda fixa, com parte de sua rentabilidade atrelada ao IPCA e parte a uma taxa prefixada, expressa em ano. Por isso, é um investimento interessante quando há expectativa de alta da inflação, para que o patrimônio fique protegido da desvalorização da moeda.

Por exemplo, se o título for de IPCA + 4,19%, isso significa que, além da inflação do período, a aplicação rende uma taxa fixa de 4,19% ao ano. Se a inflação subir, a rentabilidade do título subirá proporcionalmente. Caso contrário, o investidor garante, ao menos, a parte prefixada da aplicação.

A rentabilidade do Tesouro Direto pode ser acompanhada diariamente pelo site da própria instituição, das 09h30 até as 18h.

De forma geral, o vencimento do Tesouro IPCA+ é de médio e longo prazo. Isso não significa que não se possa resgatá-lo no curto prazo. Mas, para isso, será preciso recorrer ao mercado secundário. E isso nem sempre garantirá a mesma rentabilidade contratada no momento da aplicação.

Por isso, ao pensar em adquirir esse título, o investidor deve considerar apenas os recursos dos quais não precisará para a reserva de emergência. Para o curto e curtíssimo prazo, o Tesouro Selic é a opção mais indicada entre os títulos públicos.

Como funciona esse título

Em relação à remuneração, o Tesouro IPCA+ pode ser de dois tipos. Nesse sentido, a aplicação pode pagar rendimentos somente no vencimento ou de forma semestral.

Na primeira situação, os juros se acumulam até o vencimento. Já na segunda, o pagamento dos juros (ou cupons) ocorre a cada seis meses. Nesse caso, o investidor recebe o cupom semestral nos dias 15 de maio e 15 de novembro se o ano de vencimento do título for ímpar. Se o título vencer em um ano par o pagamento dos juros será feito nos dias 15 de fevereiro e 15 de agosto.

Para escolher a melhor modalidade, deve-se avaliar dois fatores importantes, os quais veremos a seguir.

Necessidade de renda extra

Se um dos objetivos do investimento for obter uma renda extra, os títulos com cupons semestrais podem ser uma boa opção. Afinal, há muitas pessoas que buscam um complemento para a aposentadoria, ou mesmo para fortalecer o orçamento mensal.

No entanto, é importante entender que, ao optar pelos juros mensais, o valor sobre o qual incidirá os juros reduzirá periodicamente. Ou seja, o investidor deixará de receber uma parcela significativa de juros, que poderiam ter incidido regularmente sobre o montante capitalizado.

Por isso, para quem está em fase de acumulação de patrimônio (em plena atividade produtiva), o mais indicado é o recebimento final de juros. Somente se o objetivo do investimento for gerar entrada adicional de caixa é que vale a pena optar pelo cupom semestral.

Tributação do Tesouro IPCA+

Outro aspecto importante na hora de escolher o tipo de Tesouro IPCA+ diz respeito à tributação. Isso porque esse título segue a tabela regressiva do Imposto de Renda, que funciona da seguinte forma:

Prazo da aplicaçãoAlíquota IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,5%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

No caso do Tesouro IPCA+ com cupom semestral, a cada pagamento de juros incidirá o Imposto de Renda. Dessa forma, as primeiras alíquotas serão maiores, começando em 22,5% até chegarem à mínima da tabela, que é de 15%.

Por outro lado, quem opta pelo recebimento final de juros pagará a alíquota mínima de IR. Isso porque esses títulos têm vencimentos a partir de três anos.

Além de proporcionar maior rendimento pela capitalização sobre o principal corrigido, o recebimento final dos juros é mais vantajoso também em termos fiscais. Logo, esse é mais um motivo para avaliar corretamente o objetivo do investimento.

O IR sobre os rendimentos do Tesouro é retido na fonte. Isso significa que, ao resgatar o valor, o investidor já o recebe com a quitação do tributo.

Além disso, há também a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), caso haja algum resgate antes de 30 dias do início da aplicação. Por fim, a B3 cobra uma taxa de custódia pela guarda dos títulos públicos. Em 2021, essa taxa é de 0,25% ao ano.

E que outros investimentos podem ser interessantes em tempos de inflação?

No mundo da renda fixa, existem outras modalidades que podem ser atreladas ao IPCA. Nesse sentido, CDBs, LCIs, LCAs e debêntures são alguns exemplos.

Da mesma forma que o Tesouro IPCA+, os CDBs, LCIs e LCAs atrelados à inflação possuem parte da remuneração fixa e o restante acompanha a evolução do IPCA. Todas as modalidades contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Além disso, tanto a LCI quanto a LCA possuem isenção de IR.

No caso das debêntures, não há garantia do FGC. No entanto a rentabilidade desses títulos costuma ser superior à média da renda fixa. Mas é importante analisar a saúde financeira da emissora, justamente porque ela é a única garantia de pagamento do título.

Já na renda variável, existem Fundos Imobiliários (FIIs) cujos contratos de aluguéis são atrelados ao IGP-M, o índice mais utilizado para reajuste de contratos no Brasil. Para se ter uma ideia, o IGP-M encerrou 2020 com alta acumulada de 23,14%, a maior variação dos últimos 18 anos.

(Com Carla Carvalho)