TIM (TIMP3) e Telefonica (VIVT3) querem comprar serviço móvel da Oi (OIBR3)

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

As operadoras de telefonia TIM e Telefonica S/A, dona da marca Vivo, fizeram uma proposta para compra conjunta do serviço de telefonia móvel da concorrente Oi, que está em recuperação judicial.

A proposta, encaminhada ao assessor financeiro da Oi, o Bank of America Merrill Lynch (BofA), prevê a compra total ou parcial do negócio, que seria dividido entre as duas empresas.

A Oi, conforme fato relevante divulgado na noite desta terça-feira (10), informa que há um processo de consulta ao mercado aberto, visando “busca de oportunidades pertinentes aos seus ativos móveis”. Mas ressaltou que não existe compromisso para a efetivação do negócio de nenhuma das partes nem foi firmado nenhum instrumento de negociação. E que a proposta será avaliada pela companhia.

Mercado

Também em fato relevante, a TIM afirmou que a eventual concretização da operação agregaria valor à empresa e aceleraria seu crescimento com aumento da eficiência operacional e da qualidade do serviço. A operadora considera que a transação traria benefícios para o mercado de telecomunicações em geral.

A Oi é a quarta operadora de telefonia móvel do Brasil, atrás de Vivo (Telefonica), Claro e TIM, com aproximadamente 16% de mercado. A líder é a Vivo, que detém 32,9%. Claro e Tim têm aproximadamente 24%.

Infraestrutura

Para o consultor Juarez Quadros, da JMQN Advisors, a proposta já era esperada, uma vez que a Oi está tocando um plano de venda de ativos como forma de sanear seu caixa. Caso o negócio se concretize, a operadora deve se voltar mais aos investimentos na infraestrutura de telecomunicações, ampliando sua rede de fibra ótica, que, conforme destacou o consultor, já é utilizada pelas demais operadoras. Esse tende a ser seu principal negócio, uma vez que o mercado de telefonia fixa, onde tem importante atuação, encolhe a cada ano. E também parece ser a orientação da empresa sob a gestão do novo presidente, Rodrigo Abreu, no cargo há pouco mais de um mês.

A venda da operação móvel também poderia fazer andar mais rápido o plano de recuperação judicial da empresa, aprovado em 2017, e ainda não concluído. A justiça autorizou nessa semana, inclusive, que a empresa leve à aprovação dos acionistas um pedido de prorrogação. Apesar de ter sido reduzida de forma expressiva – era de R$ 65 bilhões há cerca de três anos – a dívida da empresa ainda está na casa dos R$ 16 bilhões.

Competição

Para o mercado, na avaliação do consultor, a saída de uma concorrente é bem-vinda. “Qualquer que seja o tamanho do mercado, o número de três operadoras é o mais adequado para uma competição saudável”, afirma.

Quadros lembrou que a transação, no entanto, tem um longo caminho pela frente. Além de ser analisada pelos órgãos de regulação como Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel), terá ainda que passar pelo crivo da Justiça e dos credores, dentro do processo de recuperação judicial, e dos acionistas preferenciais e ordinários.