Thomas Piketty: o economista estará na Money Week Cenários 2022. Faça sua inscrição!

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Wikipedia

A edição especial da Money Week, que discutirá cenários para 2022, contará com a participação do economista Thomas Piketty, reconhecido mundialmente por seus trabalhos sobre desigualdade econômica.

Piketty destacou-se no cenário internacional com a publicação de “O Capital no Século XXI”, lançado em 2013. No livro, de linguagem acessível, o economista incita um debate sobre a desigualdade e concentração de renda, e defende a taxação de grandes fortunas.

A seguir, saiba mais sobre a trajetória de Piketty, e não deixe de fazer sua inscrição na Money Week no link abaixo!

Thomas Piketty: origem e formação

Thomas Piketty nasceu em maio de 1971 em Clichy, no noroeste de Paris, França. Aos 22 anos, concluiu doutorado em Filosofia, cuja tese foi redistribuição de renda, defendida na Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais da França e na London School of Economics.

No início dos anos 1990, Piketty mudou-se para Cambridge, nos Estados Unidos. Lá, deu aulas como professor assistente, de 1993 a 1995. Posteriormente, retornou a Paris, onde realizou diversas pesquisas sobre renda, herança e legislação tributária.

Como resultado das pesquisas, o economista lançou o livro “As rendas altas na França do século XX: desigualdades e redistribuição, 1901–1998”. Na obra, o autor conseguiu identificar a curva em “U” que mostra a desigualdade no país do século passado.

Em 2006, Piketty ajudou a criar a Escola de Economia de Paris, da qual se tornou o primeiro diretor. Porém, o reconhecimento mundial veio com a publicação de “O Capital no Século XXI”, em 2013. Até hoje, o livro já vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares e foi traduzido em mais de 40 idiomas.

O Capital no Século XXI

O Capital no Século XXI é dividido em quatro partes. Basicamente, a primeira parte aborda os conceitos de renda, riqueza e capital. Já a segunda, mostra como renda e riqueza se relacionaram com o crescimento econômico em diversos países.

Na terceira parte, podemos encontrar o posicionamento de Piketty sobre o que ele julga ser desigualdade no capitalismo nos dias de hoje. Por fim, a quarta e última parte apresenta possíveis soluções para o problema da desigualdade. Nesse sentido, o autor propõe ações sociais conduzidas pelo Estado e tributação da riqueza como formas de atenuar a disparidade econômica das sociedades.

Em 2020, o best-seller de Piketty foi transformado em um documentário de 1h e 40 minutos. Contando com imagens de arquivo históricas e trechos de filmes, a narrativa é leve e conta com entrevistados famosos. Entre eles, estão Joseph Stiglitz e Francis Fukuyama, além de jornalistas que dão um tom mais popular ao tema.

Já no inicio do documentário, o economista declara: “Quando a fraude da promessa comunista foi descoberta e desmoronou, o argumento capitalista foi bastante fortalecido. O problema é que ele foi longe demais. Nesse sentido, a queda da União Soviética levou a uma fé infinita na desregulamentação do mercado, acompanhada por uma glorificação da propriedade privada”.

Ideias do economista

Em entrevista ao El País, Piketty afirma que o que permitiu o sucesso do capitalismo no século XIX foi uma economia mista. Ou seja, um modelo no qual conviviam bem a iniciativa privada e uma certa intervenção do Estado.

Segundo o economista, é preciso continuar com esse movimento de socialização de parte da riqueza. “O socialismo participativo, democrático e federal que eu desejo se insere na continuidade das já muito importantes transformações ocorridas. O sistema de economia mista social-democrata que temos hoje nos países da Europa Ocidental não tem muito a ver com o capitalismo colonial, patriarcal e autoritário de 1910. Por outro lado, o sistema que descrevo para o futuro não é mais diferente do sistema atual do que o sistema atual é em relação ao capitalismo de 1910”, declara o economista.

Outro ponto importante levantado por Piketty é a relação da dívida pública com a recusa das classes mais altas em serem mais tributadas. “Se se pede educadamente à nobreza que renuncie a seus privilégios, a coisa não funciona. Se se pede educadamente à Suíça e a Luxemburgo que deixem de ser paraísos fiscais, tampouco”.

Apesar de tudo, Piketty se mostra otimista em relação ao futuro. Ao final do documentário, ele afirma que existem soluções possíveis, mas que passam por desafios políticos e intelectuais. Na sua opinião, o mundo sempre busca sociedades pacíficas, harmoniosas e coerentes. Por isso, com base nessas ideias, Piketty é considerado referência quando o assunto é Economia da Desigualdade.