Teto de gastos do governo deve ultrapassar 2% do PIB em 2021, estima Citi

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

Crédito: Freepik

Os economistas do Citi alertaram nesta terça-feira (20), de acordo com a Reuters, que o Brasil está a caminho de furar seu teto de gastos em 2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

Eles prevêem que o governo vai flexibilizar significativamente sua política fiscal para enfrentar a pandemia de covid-19.

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O teto limita o crescimento dos gastos públicos à taxa de inflação do ano anterior e é amplamente visto como a regra fiscal mais importante do governo, ancorando a confiança em seu compromisso de longo prazo com a redução da dívida e do déficit.

Temores fiscais

Autoridades do governo têm insistido que o limite não será desrespeitado, mas, segundo a Reuters, os temores fiscais dos investidores aumentaram fortemente os prêmios de risco dos ativos brasileiros, resultando em uma curva de juros íngreme e uma taxa de câmbio fraca.

Em nota intitulada ‘Prepare-se, mais flexibilização fiscal está chegando’, economistas do Citi disseram que agora esperam que o governo brasileiro ultrapasse o teto de gastos em 158 bilhões de reais, o equivalente a 2% do PIB.

A previsão anterior era de uma violação de 1% do PIB.

Esse valor, conforme diz a Reuters, será composto principalmente por R$ 71 bilhões em medidas não recorrentes extrateto, como pagamentos emergenciais em dinheiro à população e vacinas, e R$ 62 bilhões em ajuda para Estados, programas de proteção de empregos e de crédito.

“A situação da covid-19 escalou consideravelmente, elevando a pressão pela extensão de medidas fiscais relacionadas à doença. O governo deve fazer isso muito em breve e, portanto, estamos revisando nosso cenário fiscal, de longa data pior do que o consenso”, disseram.

Estado de calamidade

É provável que esse gasto extra seja financiado pelo governo, aprovando créditos extraordinários ou estabelecendo um estado de calamidade mais amplo, disseram economistas do Citi.

O Congresso Nacional aprovou na segunda-feira um projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e traz ajustes, com o aval do governo, para permitir a controversa sanção do Orçamento deste ano.

O texto seguirá para a sanção do presidente Jair Bolsonaro.

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