Tesouro minimiza problema com redução de prazos da dívida pública

Paulo Amaral
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Crédito: Foto: Pixabay

Luis Felipe Vital, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, assegurou que o Tesouro não está preocupado com o encurtamento do prazo da DPF.

Em declarações dadas nesta terça-feira (27), o executivo afirmou que, embora o governo tenha sido obrigado a emitir mais títulos públicos de prazo curto por conta da pandemia, a alta concentração de vencimentos de papéis em 2021 estava prevista desde 2015.

“Quase todo esse movimento já estava no nosso radar, porque o Tesouro, quando faz suas projeções, considera o que ele já tem de maturação contratada na janela de 12 meses à frente”, explicou.

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“Essa torre de setembro de 2021 já está aí desde 2015. É uma torre de LFTs [Letras Financeiras do Tesouro] que foram emitidas com seis anos”, completou.

Segundo os dados divulgados pelo órgão em setembro, o percentual de vencimentos da DPF nos próximos 12 meses atingiu 26,03%, maior nível para o mês desde 2014.

O volume de títulos com vencimento em 12 meses é um dos indicadores usados para avaliar a qualidade da dívida pública de um País – quanto menor a proporção, maior a confiança dos investidores.

Efeitos da pandemia nos títulos do Tesouro

A pandemia do novo coronavírus obrigou o Tesouro a fazer a segunda maior emissão líquida de títulos da história no mês de setembro, somando R$ 80,55 bilhões.

Para fazer o mercado aceitar esse volume, a saída do governo é encurtar o prazo das emissões.

De acordo com os relatórios, no início do mês de outubro o Tesouro lançou títulos de prazo mais curto para atender essa demanda e, apenas com as emissões dos papéis de seis meses, alcançou um total de R$ 58 bilhões.

Luiz Felipe Vital disse que será “pontual” o impacto das emissões de curto prazo sobre os vencimentos em 12 meses da DPF.

“A gente não tem uma preocupação em relação ao percentual vincendo em 12 meses, está exatamente de acordo com o que o Tesouro já vinha antecipando dentro da nossa estratégia”, declarou.

Dívida Pública subiu 2,59% em setembro, segundo Tesouro

O Tesouro Nacional emitiu títulos acima da média histórica em setembro para criar recursos que cobrissem os gastos extras da dívida pública, causados pela pandemia.

Segundo informações do Ministério da Economia, a Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,59%, passando de R$ 4,412 trilhões para R$ 4,527 trilhões no período.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) também subiu, só que um pouco menos (1,35%), de R$ 4,118 trilhões para R$ 4,174 trilhões.

A necessidade de recursos em caixa para cobrir os gastos extras com a pandemia de covid-19 continuou a pressionar a dívida pública em setembro, com o Tesouro Nacional emitindo títulos acima da média histórica. A Dívida Pública Federal (DPF) subiu, em termos nominais, 2,59%, passando de R$ 4,412 trilhões para R$ 4,527 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que é a parte da dívida pública em títulos no mercado interno, subiu 1,35% em setembro, passando de R$ 4,118 trilhões para R$ 4,174 trilhões.

O Tesouro atribuiu a alta à emissão líquida de R$ 80,55 bilhões na DPMFi.

A emissão líquida de títulos da Dívida Pública Mobiliária Interna foi calculada pela diferença entre o total de novos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional – R$ 155,27 bilhões – em relação ao volume de títulos resgatados (embolsado pelos investidores), que somou R$ 74,57 bilhões.

Mercado externo

A Dívida Pública Federal Externa (DPFe) acompanhou a alta do dólar e também cresceu.

Enquanto a moeda norte-americana apresentou elevação de 3,09% no período, a DPFe em circulação no mercado internacional subiu 3,21%, passando de R$ 238,25 bilhões em agosto para R$ 245,89 bilhões em setembro.

Principais detentoras da dívida

Segundo o relatório, as principais detentoras da Dívida Pública Federal Interna foram as instituições financeiras, com um percentual de 27,4% do estoque.

Na sequência aparecem os fundos de investimento, com 26,4%, e os fundos de pensão, com 23,4%.

Os não residentes (estrangeiros) continuaram com percentual de participação em 9,4%.

Composição da DPF

Os títulos atrelados à taxa Selic tiveram sua fatia diminuída na composição da DPF, passando de 39,17% para 36,77% do total.

Depois deles, em caminho inverso, aparecem os papéis prefixados, com aumento de 30,14% para 32,66%.

Em setembro, o Tesouro emitiu R$ 135,65 bilhões de papéis prefixados a mais do que resgatou.

Segundo o órgão, no mesmo período o Governo resgatou R$ 66,49 bilhões em títulos corrigidos pela Selic.

A participação dos papéis corrigidos pela inflação mostrou uma pequena tendência de queda, passando de 24,97% para 24,9%.

Por outro lado, os papéis que sofrem variação com base na taxa de câmbio aumentaram a participação, saindo de 5,72% para 5,76%, puxados pela alta do dólar.

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