Tesouro Direto: Veja como funciona e quais títulos escolher

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Os investimentos disponíveis no Tesouro Direto chamam a atenção de muita gente. Atualmente, mais de dois milhões de  pessoas investem seus recursos na plataforma, e a tendência é que esse número continue aumentando.

Mas antes de começar a investir nestes títulos, é importante você entender o que é o Tesouro Direto, como ele funciona e de que forma você pode escolher os investimentos mais adequados para os seus objetivos.

O que é o Tesouro Direto?

Quando nos referimos ao Tesouro Direto, estamos falando de um programa que foi implementado pelo Tesouro Nacional do Brasil em parceria com a B3.

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Sua operação teve seu início em 7 de janeiro de 2002. O objetivo do Tesouro Direto é popularizar o investimento em títulos públicos federais as pessoas físicas por meio da internet.

Ao adquirir os títulos do Tesouro Direto, você estará adquirindo papéis referentes à dívida do governo federal. Eles são emitidos para financiar os gastos do governo com  saúde, educação e infra-estrutura, etc.

Em outras palavras, ao comprar esses títulos você está emprestando seu dinheiro ao governo em troca de uma remuneração por um determinado período de tempo.

Como investir no Tesouro Direto?

Caso você queira  investir no Tesouro Direto, saiba que é fácil e rápido, basta você ter acesso à internet e uma conta na instituição financeira de sua preferência. Feito isso, você poderá começar a investir na comodidade de sua casa.

Qual a remuneração do Tesouro Direto?

Os juros pagos no Tesouro Direto podem ser prefixados (você saberá no ato da compra quanto receberá no final), ou os pós-fixados (que geralmente estão atrelados a um indexador que pode ser, por exemplo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Note que, se você optar por comprar um título pós-fixado você não saberá na hora da compra quanto receberá no final, apenas no vencimento seu rendimento será conhecido, já que ele estará sujeito ao desempenho da economia.

Como escolher qual título comprar

Antes de escolher um título do Tesouro Direto, você deve primeiro saber qual é o objetivo do seu investimento.

Pode ser uma meta de longo prazo, como investir para aposentadoria, ou de prazo mais curto, como a compra de um carro daqui a cinco anos.

Outra hipótese é que o investidor precise do dinheiro ainda mais rápido, num prazo menor que um ano. Esta avaliação do prazo é essencial, pois vai ajudar você a escolher algo que não cause nenhum tipo de arrependimento.

Projetos de longo prazo

Para projetos de longo prazo, uma boa opção é o Tesouro IPCA + de prazos mais longos. Um exemplo de projeto de longo prazo é a aposentadoria ou o planejamento da faculdade dos filhos.

Este título remunera o investidor com a inflação mais um cupom. No entanto, vale destacar que os títulos IPCA + com vencimentos de longo prazo (10 anos ou mais) costumam oscilar muito.

O investidor só tem a garantia da remuneração se ficar com eles até a data de vencimento. Caso venda antes, vai correr o risco de perder dinheiro na venda.

Vale destacar que existem títulos Tesouro IPCA + que pagam cupons semestrais, e outros que não.

Ao receber estes juros, você terá que reinvestir o dinheiro. Quem não quer ter este trabalho deve melhor optar pelo Tesouro IPCA sem juros semestrais.

Já para quem quer uma renda periódica, receber o cupom é uma boa pedida.

Projetos de prazo mais curto

Se você quer comprar um carro ou realizar algum projeto em um prazo mais curto, como a compra de um carro, é melhor procurar papéis com o vencimento correspondente.

Ou seja, com vencimento em 2025, caso seja um projeto para daqui a cinco anos.

Neste caso, o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA + podem se enquadrar, desde que o vencimento não seja muito distante da data atual.

O Tesouro IPCA costuma ser escolhido por quem espera uma alta da inflação. Caso contrário, o Tesouro Prefixado costuma ser preferido.

Ao casar a data de vencimento com a data do seu projeto, é possível ficar livre das oscilações de mercado. Desta forma, você não corre o risco de precisar vender o papel antes do vencimento e encontrar preços desfavoráveis.

Reserva de emergência

Para sua reserva de emergência, que pode ser sacada a qualquer momento, a melhor pedida é sempre o Tesouro Selic.

Este título é diferente dos outros. Ele acompanha a taxa Selic e vai ganhando um pouco por dia. Se você vende antecipadamente, não corre risco de perder dinheiro.

Antes de continuar, vale lembrar que você deve ter pelo menos seis meses de renda em uma reserva financeira de alta liquidez. Ou seja, este dinheiro deve ser considerado como colchão de emergência e poderá ser sacado a qualquer momento.

Somente depois de ter este colchão de emergência você deve começar a aplicar dinheiro pensando em prazos mais longos.

Como funciona o Tesouro Direto

Os títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar as atividades do Governo Federal.

Já o Tesouro Direto é a plataforma de venda de títulos públicos para pessoas físicas na internet.

Quando o governo emite os títulos públicos, falamos que se trata do mercado primário. Isso é feito em leilões em que os compradores são os grandes investidores institucionais. Os leilões ocorrem uma ou duas vezes por semana.

Ao mesmo tempo, estes títulos são negociados novamente no chamado mercado secundário. O Tesouro Direto captura os preços praticados no mercado secundário. Com estas informações, os preços dos títulos são atualizados.

Os preços variam todos os dias. Quando a variação é muito grande ao longo do dia, o Tesouro Direto atualiza os valores. Para isso, ocorre uma pausa de alguns minutos na negociação para atualizar os preços.

Neste site você consegue ver os preços e também saber se o mercado está aberto ou fechado. Confira abaixo a lista de títulos:

Tesouro Direto na crise

No começo da crise do coronavírus, em meados março de 2020, o mercado financeiro em geral passou por um momento de forte queda.

A crise também atingiu os contratos de juros futuros que são negociados na B3. Eles são matéria-prima para a formação dos preços dos títulos públicos.

A negociação destes contratos ficou travada naquele momento.

Por isso, o Tesouro Nacional tirou os títulos do ar até o mercado encontrar seu novo patamar. Em seguida, o Tesouro iniciou uma grande recompra de títulos no mercado financeiro, que somou R$ 35 bilhões em dez dias.

Quando estes movimentos acontecem, o Tesouro Direto fica parado por 30 minutos. Isso é feito para proteger o investidor. O objetivo é assegurar que ele está comprando ou vendendo a preços justos, ou seja, os preços praticados no mercado secundário.

Vale lembrar que o Tesouro Selic fica sempre aberto para compra e venda. Isso porque ele não tem tanta volatilidade. Ele se valoriza junto com o comportamento da taxa Selic, e por isso tem menos riscos.

Investir no Tesouro Direto é seguro?

O Tesouro Direto não conta com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), diferente de aplicações como CDB, LCI, etc. Em contrapartida, o Tesouro Direto oferece uma segurança enorme que é a garantia do próprio governo federal.

Você pode questionar: E se o governo  enfrentar problemas para honrar os compromissos?

Se acontecer isso, aí será o pior dos mundos, pois não apenas o Tesouro Direto estará em maus lençóis, assim como toda a economia  e, consequentemente, as demais aplicações financeiras.

Vale destacar que a probabilidade de o governo não honrar os seus compromissos é muito baixa, dado o histórico do governo de honrar seus pagamentos.

(Com Humberto Maurício Pennacchia)