Vendas do Tesouro Direto superam resgates em R$ 1,306 bi; Tesouro Selic é o mais procurado

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

As vendas de títulos do Tesouro Direto superaram os resgates em R$ 1,306 bilhão em novembro, segundo dados do Tesouro Nacional.

As vendas do programa atingiram R$ 2,993 bilhões. Já os resgates totalizaram R$ 1,687 bilhão, sendo R$ 1,606 bilhão relativo a recompras e R$ 80,6 milhões a vencimentos, quando o prazo do título acaba e o governo precisa reembolsar o investidor com juros.

Os títulos mais procurados pelos investidores foram os atrelados à Selic, taxa básica de juros, que corresponderam a 47,1% do total.

Os títulos vinculados à inflação, IPCA+, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), responderam por 35,2%. Enquanto os Prefixados, com juros definidos no momento da emissão, por 17,6%.

IPCA+ 2045 é o mais rentável

Já em relação à rentabilidade, o destaque foi o Tesouro IPCA+ 2045, com vencimento em 15 de maio de 2045, que registrou variação de 10,64%.

O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 76,60 bilhões no fim de novembro, um aumento de 2,8% em relação ao mês anterior (R$ 74,52 bilhões) e de 23,4% em relação a novembro do ano passado (R$ 62,07 bilhões).

Subida da Selic explica procura por papéis do Tesouro Direto

Com a subida da Selic, que se encontra em 9,25%, já com outro aumento de 1,5 ponto porcentual aguardado para fevereiro, a procura pelos títulos do Tesouro Direto voltou a registrar alta.

Entenda, abaixo, o que significa cada um dos papéis do Tesouro.

O que é o Tesouro Direto?

Os recursos captados pelo Tesouro Direto destinam-se ao financiamento das atividades do governo federal. Pelo fato de terem a garantia do governo, esses investimentos são considerados os mais seguros do mercado financeiro.

Além disso, o Tesouro Direto oferece títulos adequados a vários contextos e tipos de investidores. Nesse sentido, há aplicações próprias para quem deseja mais liquidez; outras, para quem tem o objetivo de proteger o patrimônio da inflação, e assim por diante.

Por fim, o Tesouro Direto é acessível a qualquer investidor, pois basta ter um CPF e uma conta corrente para que se possa adquirir os títulos. A compra desses títulos pode ser feita por meio da própria instituição na qual o investidor fez o cadastro, pelo portal ou pelo aplicativo oficial do Tesouro Direto.

LFT (Tesouro Selic)

A LFT (Letra Financeira do Tesouro) é mais conhecida atualmente como Tesouro Selic. Entre todos os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, esse é o que oferece mais liquidez. Por isso, é uma das opções indicadas para compor a reserva de emergência.

O Tesouro Selic acompanha a variação da taxa básica de juros, o que confere previsibilidade ao investimento. Além disso, trata-se de uma modalidade bastante acessível, pois com um pouco mais de R$ 100 já se pode investir na LFT.

NTN-B (Tesouro IPCA+)

A NTN-B (Nota do Tesouro Nacional Série B) é o atual Tesouro IPCA+, título atrelado ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial brasileira.

Trata-se de um título híbrido, ou seja, parte de seu rendimento é atrelada ao IPCA e parte é formada por uma taxa fixa. Dessa forma, desde o início da aplicação, já se tem a estimativa de quanto renderá o montante investido.

Quanto à forma de remuneração, o investidor pode tanto receber juros semestrais quanto somente no vencimento do título. Nesse caso, os juros semestrais são mais indicados para quem já acumulou patrimônio e busca renda passiva com investimentos. Isso porque, ao receber cupons semestrais, os juros incidirão sobre um montante menor, sem a capitalização dos juros compostos.

Outro ponto a ser considerado em relação ao tipo de título é a tributação do investimento. Da mesma forma que outras modalidades de renda fixa, o Tesouro IPCA+ segue a tabela regressiva do imposto de renda. Isso significa que, se houver pagamentos semestrais de juros, a alíquota inicia em 22,5% sobre os rendimentos. Já no caso de furos finais, a tributação máxima será de 15%, pois esses títulos possuem prazos superiores a dois anos.

LTN (Tesouro Prefixado)

A LTN é o título do Tesouro Direto que paga juros prefixados. Ou seja, esse título não sofre influência de outros índices utilizados pelo Tesouro, como a taxa básica de juros e os índices de inflação.

Na LTN, o investidor recebe os juros sempre no vencimento do título. Diferentemente do Tesouro Selic, esse título sofre marcação a mercado. Por isso, o investidor corre o risco de sofrer alguma perda, caso haja resgate antecipado.

NTN-F (Tesouro Prefixado – juros semestrais)

Desde 2015, a NTN-F (Nota do Tesouro Nacional Série F) é conhecida como Tesouro Prefixado com pagamento de juros semestrais.

Esse título possui uma taxa prefixada, e, ao longo do contrato, o investidor recebe juros semestrais sempre nos meses de janeiro e julho.

É importante observar que, apesar da taxa prefixada, esse título apresenta oscilações até a data do vencimento. Isso significa que, caso decida vendê-lo antecipadamente, o investidor poderá tanto receber um rendimento superior quando abaixo do contratado. Isso dependerá das condições de mercado na data da negociação.

Por outro lado, se o título for mantido até o investimento, a remuneração será a inicialmente acordada.

(Com Carla Carvalho)