Tesouro Direto: qual o melhor título público para investir agora?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Um título público nada mais é do que uma dívida emitida pelo governo, por meio do Tesouro Nacional. A finalidade é captar recursos para o financiamento da atividade pública.

Os títulos públicos fazem parte da modalidade de investimento renda fixa. E como todos deste grupo, vêm perdendo atratividade com a taxa básica de juros (Selic) em sua mínima histórica, de 2%.

No entanto, os títulos públicos seguem sendo fundamentais para compor a reserva de emergência. E são interessantes também para quem investe no longo prazo e prioriza segurança a rentabilidade.

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No contexto atual, são duas as recomendações para quem quer investir em títulos públicos:

  • Buscar títulos que protejam da inflação (Tesouro IPCA+), para não perder rentabilidade diante do aumento dos preços
  • Buscar um título que garanta a melhor rentabilidade dentro do prazo de resgate desejado. Ou, em outras palavras, buscar sempre aquele título que o investidor consiga carregar até o vencimento.

Título público: levando até o vencimento, não há perdas

“O mais importante a se considerar é o prazo de investimento de que o investidor dispõe. É preciso ter em mente que os títulos públicos têm uma dinâmica de marcação a mercado. Então, apesar de você contratar uma taxa, essas taxas oscilam até o vencimento. Quanto menor o prazo, menor a volatilidade a que se estará sujeito”, afirma Paulo Filipe de Souza, assessor e sócio daEQI Investimentos.

A marcação a mercado nada mais é do que a diferença entre o preço de compra e venda do título no mercado secundário. Isso se você não carregar o título até a data do vencimento. Este mercado segue o princípio da oferta e da demanda: se todos querem o papel, ele vale mais; em caso contrário, ele desvaloriza – que é o que vem acontecendo recentemente.

No entanto, para quem adquire o título e carrega até o vencimento, a marcação a mercado não deve ser uma preocupação.

Vale dizer também que quanto mais distante o vencimento, maior o rendimento. É possível verificar isso na tabela abaixo, retirada do site do Tesouro Direto no dia 6 de novembro. Como o investidor estará comprando e se submetendo a um risco maior, a recompensa tem que ser maior para se justificar.

Títulos públicos

Reprodução/Tesouro Direto

Título público com cupom semestral

Souza também chama a atenção para a possibilidade de o investidor optar por papéis do Tesouro com ou sem cupons semestrais. Isso porque esses cupons pagam juros antes do vencimento, sendo indicados principalmente para aposentados ou quem deseja complementar a renda.

Título público: dificuldade de encontrar interessados

O governo tem encontrado dificuldade para achar compradores interessados nos papéis do Tesouro, especialmente os atrelados à Selic.

Em setembro, por exemplo, o saldo do Tesouro Direto ficou negativo em R$ 168,4 milhões. Enquanto alguns investidores destinaram R$ 1,8 bilhão aos títulos do governo, outros preferiram sair dessa modalidade, retirando R$ 2 bilhões. Ou seja, houve mais saída do que entrada de investimentos.

Isso ocorre devido à rentabilidade baixa, mas também porque existe no Brasil o chamado risco fiscal, que nada mais é do que a ameaça de que o governo não cumpra com a dívida que assumiu.

O que acontece é que, com Selic baixa, os investidores buscam mercados mais rentáveis do que o brasileiro. Que ofereçam mais retorno ou, pelo menos, o mesmo retorno com menor risco de calote. Essa conjuntura faz com que ocorra uma fuga de capitais.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vem reiterando, seguidamente, que somente disciplina fiscal vai reduzir a dificuldade em vender os títulos brasileiros atrelados à Selic.

A trajetória da dívida brasileira vem levantando suspeitas do mercado porque, em primeiro lugar, gastou-se muito para atender às demandas da pandemia.

Depois, porque o governo segue com um discurso dúbio sobre austeridade ou estouro do teto de gastos.

Qual o melhor título público para cada objetivo?

Antes de escolher o tipo de título público, o investidor precisa definir por quanto tempo deixará o dinheiro no investimento.

Feito isso, são três as possibilidades de títulos públicos que podem ser adquiridos via Tesouro Direto: o Tesouro Prefixado, o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+ (atrelado à inflação).

Conheça abaixo os prós e contras de cada uma.

Aos interessados, no site do Tesouro Direto é possível simular a rentabilidade e fazer uma espécie de teste para saber o mais indicado para cada perfil de investidor.

Tesouro Prefixado

O Tesouro Prefixado (LTN ou NTNF na nomenclatura antiga) remunera o investidor por uma taxa prefixada, ou seja, conhecida desde a compra do título. Isso quer dizer que o investidor sabe exatamente quanto seu título renderá caso o mantenha até o vencimento.

O Tesouro Prefixado é indicado especialmente quando o investidor acredita que a taxa pré-fixada será maior do que a Selic e a inflação medida pelo IPCA, indicador oficial de inflação, na data do vencimento.

Tesouro Selic

Tido nos últimos anos como a grande estrela entre os títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Selic (ou LFT) está com rentabilidade baixa. Justamente por ser atrelado à taxa básica de juros. No entanto, ele segue sendo indicado para quem quer fazer reserva de emergência e diversificar os investimentos.

Mas vale prestar atenção ao fato de que, no longo prazo, a tendência é que a Selic suba. É o que indica, por exemplo, o Boletim Focus, que retrata semanalmente a expectativa das principais instituições financeiras do Brasil. Divulgado pelo Banco Central, o Focus aponta que a Selic estará em 2,75% em 2021, 4,50% em 2022, e em 6% em 2023.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ (NTNB ou NTNB Principal) é perfeito para quem tem objetivos a longo prazo ou está pensando na aposentadoria.

Ele corrige a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do país, o que garante o poder de compra do dinheiro, e ainda gera rentabilidade. Quanto maior o prazo do vencimento, maior a rentabilidade.

Título público e incidência de IR

Todos os títulos públicos têm cobrança de imposto de renda sobre rendimentos, que variam de 17,5% a 22,5%. Mas atenção: a cobrança é só sobre o lucro, não sobre o valor do título. O IR é regressivo e descontado no resgate.

Como investir em título público?

Para investir em títulos públicos, é preciso entrar na plataforma de uma corretora ou instituição financeira de preferência. Ou ainda no site do próprio Tesouro Direto. A dica é dar preferência àquelas que oferecem o serviço sem cobrança de taxas. Depois, é preciso solicitar o cadastro, caso o investidor não tenha.

Depois, é preciso escolher o melhor título – há datas de vencimento e rentabilidades diferentes. Por fim, é preciso realizar a compra.

Se você quer saber mais sobre Tesouro Direito e como investir, preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos poderá ajudar em sua jornada.