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Tesouro Direto ou Previdência Privada: O que é melhor para planejar sua aposentadoria?

Tesouro Direto ou Previdência Privada: O que é melhor para planejar sua aposentadoria?
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Pensando no longuíssimo prazo, digamos para daqui uns 20 anos, o que renderá mais? Comprar títulos do tesouro direto todos os meses? Se for isso, eu deveria comprar quais títulos? Ou, será que um plano de previdência privada será mais rentável? Se for isso, qual plano?

Para responder essas indagações, teremos que lidar com várias variáveis, o que torna o trabalho um pouco mais difícil. Mas, a intenção é essa, informar com propriedade.

O que você verá neste artigo:

Então, vamos lá.

O primeiro ponto a observar é que existem, a prior,  três tipos de títulos do tesouro: tesouro Selic, tesouro prefixado e tesouro ipca. Já os planos de previdência privada podem ser: conservadores (com predominância de aplicações pos fixadas); moderadas (mix entre renda fixa e renda variável, sendo que a proporção maior é de renda fixa); e agressivas (mix entre renda fixa e renda variável, sendo que a proporção é igual entre ambos).

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Para comparar Tesouro com previdência, podemos categorizar os perfis do Tesouro da seguinte forma:

  • Perfil conservador: Tesouro Selic
  • Perfil moderado: Tesouro IPCA (ou prefixado) com títulos de até 5 anos (média volatilidade)
  • Perfil agressivo: Tesouro IPCA (ou prefixado) com títulos de mais de 5 anos

Inicialmente, vamos nos ater ao básico. Vamos comparar o que é mais fácil de ser comparado. Vamos comparar o tesouro Selic com o plano de previdência privada conservador (pos fixado em CDI). Aliás, é importante que quando a gente faz uma comparação, devemos comparar “laranjas com laranjas” e “maçãs com maçãs”. Isso significa que os investimentos devem ser da mesma classe, ou do mesmo perfil de risco, para serem justamente comparados.

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Bom, vamos, nesse momento, determinar o rendimento do tesouro Selic a longo prazo. Essa tarefa é amplamente facilitada com o uso da “Calculadora do Cidadão”, disponível aqui.

Vamos verificar quanto rendeu a Selic nos últimos 20 anos?

Eis os resultados:

grafico

R$ 1.000 aplicados na Selic em 26/03/1998 se transformaram em R$ 15.541,86; rentabilidade de 1454,18%.

Bom, para facilitar o cálculo, vamos supor que o título comprado tinha de fato 20 anos, e que não teve nenhuma “rolagem” de título no meio do caminho (ou seja, não tivemos pagamentos de IR no meio do caminho).

Vamos supor que a aplicação da Selic se deu através do Tesouro Selic, onde o único custo foi a taxa de custódia de 0,3% ao ano.

Em 20 anos, quanto que soma a taxa de custódia de 0,3% aa? (1,003^20 = 1,0617 = 6,17%).

Então, líquido antes do IR, teremos o rendimento de (1 + i) / (1 + i) ( 1 + 14,54 ) / ( 1 + 0,0617) => 15,54 / 1,0617 = 14,64…. -1 = 13,64 x 100 = 1.363,85% no período.

 

Agora, vamos verificar quanto deu o CDI no período?

OBS: E por que o CDI? Porque os fundos dos planos conservadores de previdência privada são indexados ao CDI.

grafico

O CDI, nos últimos 20 anos, rendeu 1430,99%.

Se considerarmos a Selic sem tirar a taxa de custódia do título, a Selic rendeu mais que o CDI (1454,18% da Selic contra 1430,99% do CDI).

Agora, considerando a taxa de custódia do tesouro Selic, o CDI (100%) rendeu mais: 1430,99% do CDI contra 1363,85% da Selic.

Aqui, nessa simulação, estou considerando um BOM plano de previdência privada, ok? Sei que tem muitos planos ruins sendo vendidos nos bancos, com altas taxas de adm e de carregamento, que comem a rentabilidade, e tornam esse investimento inferior ao tesouro Selic.

Contudo, hoje, já é sabido da maioria de vocês, que existem planos com zero de taxa de carregamento, com taxas de adm convidativas, em que a rentabilidade média chega ou ultrapassa os 100% do CDI.

TOMADA DE DECISÃO: quanto deverá render o plano de previdência privada, para que ele seja melhor que o tesouro direto (Selic)? Fácil:

1363,85 / 1430,99 = 0,9530 = 95,30% do CDI.

Se, o seu plano de previdência privada render menos que 95,30% do CDI, é melhor você passar a comprar tesouro Selic. Se o seu plano render mais que 95,30%, é melhor manter os aportes nesse plano de previdência.

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Nos cálculos acima eu desconsiderei o IR.  Como é longo prazo, o IR sobre o TD vai ser 15% ao ano (acima de 2 anos). Já no caso da previdência privada depende: se optarmos pela tabela regressiva, a alíquota é de 10% (acima de 10 ano). Já a progressiva, irá depender da sua faixa de renda e dos seus pagamentos pessoais de IR. Como os casos variam de pessoa para pessoa, é melhor não considerarmos o IR nesse momento.

E, agora, vamos ver se um tesouro ipca, no longo prazo, é superior à Selic ou ao CDI. A hipótese aqui é a de que a compra sucessiva de tesouros ipca gerará rentabilidades superiores a um bom plano de previdência privada conservador.

Vamos la?

Para responder a questão acima, vamos analisar 3 janelas temporais (dentro dos últimos 10 anos) de 3 índices: o CDI, o IMA-B 5 (média de até 5 anos dos títulos) e o IMA-B 5+ (média acima de 5 anos dos títulos em carteira):

Janela de 26/03/2009 a 26/03/2012:

grafico

 

IMA-B 5+ rendeu 67%; IMA-B 5 rendeu 48% e o CDI rendeu 33%.

Agora, janela de 26/03/2012 a 26/03/2015:

grafico

 

IMA-B 5 rendeu 34%; CDI rendeu 30% e o IMA-B 5+ rendeu 24%.

E, por fim, janela de 26/03/2015 a 26/03/2018:

grafico

IMA-B 5+ rendeu 63%; IMA-B 5 rendeu 48% e o CDI rendeu 40%.

Conclusões até aqui:

  1. Me parece que, mesmo se a gente considerasse a taxa de custódia de compra de uma carteira de títulos IPCA, o índice mais volátil (IMA-B 5+) é mais rentável a longo prazo.
  2. Existem períodos que o índice menos volátil (IMA-B 5) pode ser mais rentável, principalmente períodos de instabilidade da economia.
  3. Podem ocorrer períodos que o CDI seja mais rentável que os índices do tesouro IPCA. Mas, esses períodos são menos recorrentes.
  4. Aqui, confirma-se a tese que um maior risco leva a um maior retorno.

Então, podemos afirmar que, se o investidor não se importar com as oscilações a que o tesouro ipca está sujeito, é mais RENTÁVEL montar uma carteira de títulos IPCA+; do que investir em uma previdência privada atrelada ao CDI.

E, por fim, a última indagação.

Será que um plano de previdência privada do tipo AGRESSIVO, composta por títulos IPCA+ (acima de 5 anos) é mais rentável que uma carteira de títulos do Tesouro Direto, também do tipo IPCA+ (acima de 5 anos)?

 

 

Vamos analisar o gráfico de duas janelas anteriores (dados de fundos previdenciários são mais recentes, e difíceis de analisar por prazos longos, por falta de histórico).

Janela de 08/06/2012 a 26/03/2015:

grafico

O IMA-B 5 rendeu 31%; o CDI rendeu 28%; o fundo Sulamerica Prestige Inflate rendeu 15,72% e o IMA-B 5+ rendeu 15,35%. Aqui, o fundo previdenciário foi superior à carteira de títulos longos ipca+ (ou seja, a carteira AGRESSIVA de Títulos do TD foi inferior a um fundo previdenciário agressivo. Lembre-se que não foi descontada a taxa de custódia no caso dos IMA-B).

Agora, a janela de 26/03/2015 a 26/03/2018:

grafico

O IMA-B 5+ rendeu 63%; o fundo previdenciário Sulamerica rendeu 55%; o IMA-B 5 rendeu 48% e o CDI rendeu 40%.

Conclusões até aqui:

  1. Na primeira janela, podemos notar como reagem os dois investimentos em evidência (IMA-B 5+ e Sulamerica) em períodos diferentes. No primeiro ano (2012 a 2013), tivemos um ano bom para os ativos de risco (queda drástica dos juros) e o investimento de maior volatilidade (risco) rendeu mais. Já no segundo ano (2013 a 2014), ano de alta dos juros, o Sulamerica perdeu menos que o IMA-B 5+.
  2. No longo prazo, o IMA-B 5+, por ser de maior risco, vai render mais. Porém, poderemos ter longos períodos com rendimentos abaixo dos demais índices.
  3. Devemos lembrar, que o IMA-B 5+, para ser colocado em prática como investimento, tem um custo anual de 0,3% aa (taxa de custódia, desconsiderada até aqui) que o CDI ou o fundo Sulamerica não possuem. A taxa de administração que o fundo Sulamerica possui, já está descontada no gráfico, pois toda rentabilidade de fundo sempre aparece líquida da taxa de administração.
  4. A maioria dos fundos previdenciários de inflação (ipca+) são mal geridos e possuem altas taxas de administração.
Então, em resumo, uma carteira do tipo IMA-B 5+ será mais rentável que a maior parte dos planos de previdência do mesmo tipo, no longuíssimo prazo.

Conclusões das conclusões:

  • Para o perfil conservador, um bom plano de previdência privada é mais rentável que uma aplicação em tesouro Selic.
  • Para o mais agressivo, uma carteira de títulos ipca+, como o índice IMA-B 5 ou o IMA-B 5+ será mais rentável que o CDI no longo prazo; e que um plano de previdência privada conservador.
  • Para o perfil agressivo, uma carteira de títulos IPCA+, como o índice IMA-B 5+, muito provavelmente, será mais rentável que um bom plano de previdência privada de inflação (títulos longos).

Denys Wiese

Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro.
Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

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