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Tesouro Direto ou Debêntures Incentivadas? O que é melhor?

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Algumas semanas atrás a área de análise de renda fixa da XP Investimentos recomendou a troca de tesouro direto por debêntures incentivadas. Para ler a recomendação da XP, clique aqui!

Primeiramente, o que é uma debênture incentivada?

Bom, debênture é um título de dívida de uma empresa (S/A), utilizada para financiar projetos de longo prazo. Geralmente, a empresa põe garantias (reais, financeiras, etc) para tornar o investimento mais seguro ao investidor.

Já a debênture incentivada é uma categoria específica de debênture, amparada pela Lei 12.431/11, que dá isenção de imposto de renda para pessoa física, em títulos emitidos com a finalidade de promover e melhorar a infra estrutura do país. Já na emissão desse título, a coordenadora da emissão deverá deixar claro se a debênture é incentivada ou não.

A maioria das debêntures possui vencimentos longos, e possui a rentabilidade atrelada ao ipca (taxa pré + IPCA), da mesma forma que uma NTN-B. Inclusive, no processo de leilão inicial (bookbuilding) é comum a rentabilidade da debênture estar atrelada a uma NTNB. Por isso, muitos investidores utilizam debêntures incentivadas (isentas de IR) para fazerem seus investimentos de longo prazo.

Há anos atrás eu gravei uma palestra específica sobre debêntures. Para assisti-la, acesse aqui.

E, por que a recomendação de troca de TD por debênture incentivada?

Para responder a isso, façamos um breve histórico. Como vocês já devem saber, os títulos do tesouro, do tipo NTNB (tesouro IPCA) e do tipo LTN (tesouro prefixado), se beneficiam da queda dos juros, para quem não vai segurar o título até o vencimento. Isso porque, através do mecanismo de marcação a mercado, os títulos se VALORIZAM com a queda dos juros. As NTNsB se valorizam com a queda dos juros reais; já as LTNs se valorizam com a queda dos juros nominais.

No início de 2017 havia um otimismo muito grande no mercado. O recém chegado governo Temer já havia conseguido algumas façanhas até ali: aprovou a PEC do teto dos gastos, além de medidas importantes de ajuste fiscal. A reforma da previdência parecia questão de tempo, já que a base de apoio era grande no congresso. Tudo caminhava perfeitamente e, com isso, a recomendação de compra dos títulos do tesouro era forte.

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Porém, “havia uma pedra no meio do caminho” chamada Joesley Batista. No fatídico dia 17/05/2017 áudios foram vazados com conversas pouco republicanas entre o presidente Temer e Joesley. No dia seguinte, as bolsas caíram 15% e o dólar subiu 10%.

O mercado financeiro, aos poucos, se recuperou nos meses seguintes; mas a política nunca mais foi a mesma. Após o episódio, Temer teve que lidar com duas denúncias no Congresso, o que minou a sua base de apoio. Aliado a isso, em 2018 estamos em ano eleitoral, e os políticos não querem mais lidar com temas desagradáveis à população. Diante disso tudo, a perspectiva de sair uma reforma da previdência em 2018 praticamente se anulou. E, com isso, a tendência positiva (no curto e médio prazo) para os títulos do tesouro (ipca e prefixados) também se esvaziou.

Em outras palavras, a queda do juro real (pelo menos para esse ano) ficou comprometida; pois as mudanças estruturais ficaram pra depois. Diante disso, a XP recomenda sair dos papeis atrelados aos juros reais? Não necessariamente. A recomendação está em buscar um ganho TRIBUTÁRIO, com a isenção de IR que as debêntures incentivadas provêm.

Qual é o ganho com a debênture incentivada?

O ganho com a debênture incentivada está na isenção de IR.

Para demonstrar o ganho, fiz uma planilha (para baixar, clique aqui) com duas carteiras:

  • Carteira de títulos do tesouro, dividida igualmente entre Tesuro IPCA 2024; Tesouro IPCA 2035 e Tesouro Selic 2023.
  • Carteira de debêntures incentivadas, didida igualmente entre 4 títulos IPCA+; e dois títulos atrelados à taxa de juros (CDI). Compuz essa carteira de debêntures com mais títulos tendo em vista que o risco de crédito em uma debênture é maior (mesmo que contenha garantias); então, a chave é diversificar bem o capital.

Eis as carteiras e os dados variáveis, como IPCA, taxa de custódia, etc:

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O dado de inflação (IPCA) é o centro da meta.

A Selic e o CDI são dados da atualidade. No futuro, irão mudar.

Para fazer novas simulações, com dados diferentes, utilizar a planilha dita anteriormente.

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O cálculo de rendimento líquido final é simples; a taxa de retorno foi capitalizada pelo prazo (com a inclusão do IPCA, no caso dos tesouros IPCA), e chegou-se ao rendimento bruto. Desse retorno, foi retirada a taxa de custódia anual de 0,3%; o imposto de renda de 15%; e obtivemos o rendimento líquido final e ao ano. Agora, as debêntures incentivadas:

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O procedimento simulado é igualmente simples. No caso da debenture incentivada, não temos a cobrança de taxa de custódia e não temos o IR. Dessa forma, o rendimento líquido é a taxa capitalizada pelo prazo. E o rendimento ao ano, é o rendimento líquido trazido para ano.

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Veja como a média de retorno líquido dos títulos do tesouro é menor que a média do retorno líquido das debêntures incentivadas. A carteira de TD rendeu 7,35% ao ano; e a carteira de deb. Incentivadas rendeu 8,93% ao ano. Nas condições descritas acima, a diferença é de 1,58% ao ano, em favor das debêntures.

E essa diferença, vale a pena?

Para demonstrar a diferença aos longos dos anos, simulei um investimento de R$ 100.000 em ambas as carteiras (até o vencimento), e eis que obtive os seguintes resultados:

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Em 5 anos, o retorno em uma carteira de debêntures é de 10.794,77 a mais que em uma carteira de títulos do tesouro. Em 10 anos, essa diferença já é de 31.942,51; em 15 anos, é de 70.921,61 e em 20 anos, a diferença vai para 140.032,22.

Eis o gráfico de ambas as carteiras, ao longo do tempo:

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Portanto, creio que a diferença faz sentido.

Mas, Denys, essa sugestão é para todos os investidores?

Não! A troca de títulos do tesouro por debêntures incentivadas foi sugerida pela XP para aqueles investidores de longo prazo, que desejam segurar o investimento até o vencimento. Para aqueles que desejam GANHOS DE CAPITAL, via MARCAÇÃO A MERCADO, a troca não é desejável. Os títulos do tesouro possuem mais liquidez; e possuem a possibilidade de DURATION maior; logo, o impacto das quedas dos juros será maior nesses títulos.

Outra questão a observar: o risco de crédito. Ao investir em títulos do tesouro, o risco é o risco soberano; o risco país. Ao investir em uma carteira de debênures, há também o risco da empresa. Logo, ao investir, devemos estudar cada oferta e apurar as garantias.

 

Denys Wiese

Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro.
Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

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