Tesouro Direto: Escolha o título ideal para seus objetivos

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Crédito: tesouro direto

O Tesouro Direto ganhou ainda mais destaque no noticiário econômico desde o início da pandemia. Com as fortes oscilações do mercado, o Tesouro Direto passou por momentos de fechamento de negociação e de alta nas taxas pagas aos investidores.

Para quem já investe em Tesouro Direto, esta crise deixou claro que a renda fixa oscila – e muito. Nos títulos de prazo mais longo, esta oscilação é ainda maior, já que o risco é mais elevado.

Com o aumento do risco, as taxas pagas pelos títulos públicos têm aumentado, o que é uma boa oportunidade. Como exemplo, confira abaixo as taxas do Tesouro IPCA 2035 nos últimos 90 dias. Veja quanto as taxas cresceram desde o início da crise.

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Agora que você sabe que existe uma oportunidade neste mercado, veja como escolher o melhor título para seus objetivos e entenda como funciona o Tesouro Direto.

Como escolher qual título comprar

Antes de escolher um título do Tesouro Direto, você deve primeiro saber qual é o objetivo do seu investimento.

Pode ser uma meta de longo prazo, como investir para aposentadoria, ou de prazo mais curto, como a compra de um carro daqui a cinco anos.

Outra hipótese é que o investidor precise do dinheiro ainda mais rápido, num prazo menor que um ano. Esta avaliação do prazo é essencial, pois vai ajudar você a escolher algo que não cause nenhum tipo de arrependimento.

Projetos de longo prazo

Para projetos de longo prazo, uma boa opção é o Tesouro IPCA + de prazos mais longos. Um exemplo de projeto de longo prazo é a aposentadoria ou o planejamento da faculdade dos filhos.

Este título remunera o investidor com a inflação mais um cupom, que atualmente está por volta de 4,30%, a depender do prazo de vencimento.

Segundo o responsável pela mesa de futuros da Genial Investimentos, Roberto Motta, esta é uma boa alternativa porque o retorno é elevado.

“Não existe nenhum país do mundo que pague inflação mais 4,3% ao ano. Este papel protege seu patrimônio”, afirmou no evento online promovido pela Genial.

Renda fixa ‘tarja preta’

No entanto, ele destaca que os títulos Tesouro IPCA + com vencimentos em 2035 e 2045 costumam oscilar muito.

O investidor só tem a garantia da remuneração se ficar com eles até a data de vencimento. Caso venda antes, vai correr o risco de perder dinheiro na venda.

“Eu chamo este título longo de renda fixa tarja preta porque ele realmente oscila”, destaca Motta. Foi isso que aconteceu neste ano.

A turbulência política e a pandemia fizeram com que os juros futuros subissem muito. Com isso, as taxas pagas pelos títulos públicos também aumentaram.

Nesta hora, os detentores dos títulos veem o valor do título cair. Isso porque fica mais interessante para os compradores comprarem os títulos do mercado (que está pagando melhor), e não de quem tem títulos com as taxas mais baixas.

Então, ao mesmo tempo que as taxas sobem, o valor do papel cai. Isso se chama marcação a mercado.

Vale destacar que existem títulos Tesouro IPCA + que pagam cupons semestrais, e outros que não.

Ao receber estes juros, você terá que reinvestir o dinheiro. Quem não quer ter este trabalho deve melhor optar pelo Tesouro IPCA sem juros semestrais.

Já para quem quer uma renda periódica, receber o cupom é uma boa pedida.

Projetos de prazo mais curto

Se você quer comprar um carro ou realizar algum projeto em um prazo mais curto, é melhor procurar papéis com o vencimento correspondente. Ou seja, com vencimento em 2025, caso seja um projeto para daqui a cinco anos.

Neste caso, o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA + podem se enquadrar, desde que o vencimento não seja muito distante da data atual.

O Tesouro IPCA costuma ser escolhido por quem espera uma alta da inflação. Caso contrário, o Tesouro Prefixado costuma ser preferido.

Ao casar a data de vencimento com a data do seu projeto, é possível ficar livre das oscilações de mercado. Desta forma, você não corre o risco de precisar vender o papel antes do vencimento e encontrar preços desfavoráveis.

Reserva de emergência

Para sua reserva de emergência, que pode ser sacada a qualquer momento, a melhor pedida é sempre o Tesouro Selic.

Este título é diferente dos outros. Ele acompanha a taxa Selic e vai ganhando um pouco por dia. Se você vende antecipadamente, não corre risco de perder dinheiro.

“Ele te dá segurança sem correr nenhum risco com a volatilidade do mercado”, explica Motta.

Antes de continuar, vale lembrar que você deve ter pelo menos seis meses de renda em uma reserva financeira de alta liquidez. Ou seja, este dinheiro deve ser considerado como colchão de emergência e poderá ser sacado a qualquer momento.

Somente depois de ter este colchão de emergência você deve começar a aplicar dinheiro pensando em prazos mais longos.

Como funciona o Tesouro Direto

Os títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar as atividades do Governo Federal.

Já o Tesouro Direto é a plataforma de venda de títulos públicos para pessoas físicas na internet.

Quando o governo emite os títulos públicos, falamos que se trata do mercado primário. Isso é feito em leilões em que os compradores são os grandes investidores institucionais. Os leilões ocorrem uma ou duas vezes por semana.

Ao mesmo tempo, estes títulos são negociados novamente no chamado mercado secundário. O Tesouro Direto captura os preços praticados no mercado secundário. Com estas informações, os preços dos títulos são atualizados.

Os preços variam todos os dias. Quando a variação é muito grande ao longo do dia, o Tesouro Direto atualiza os valores. Para isso, ocorre uma pausa de alguns minutos na negociação para atualizar os preços.

Neste site você consegue ver os preços e também saber se o mercado está aberto ou fechado. Confira abaixo a lista de títulos:

Tesouro Direto

Fechamentos do Tesouro Direto na crise

No começo da crise, em meados março, o mercado financeiro em geral passou por um momento de forte queda.

A crise também atingiu os contratos de juros futuros que são negociados na B3. Eles são matéria-prima para a formação dos preços dos títulos públicos.

Segundo José Franco, subsecretário da Dívida Pública, a negociação destes contratos ficou travada naquele momento. “Na prática, naquele momento não havia preço porque não havia negociação”, explicou durante a live realizada pela Genial.

Por isso, o Tesouro Nacional tirou os títulos do ar até o mercado encontrar seu novo patamar. Em seguida, o Tesouro iniciou uma grande recompra de títulos no mercado financeiro, que somou R$ 35 bilhões em dez dias.

Quando estes movimentos acontecem, o Tesouro Direto fica parado por 30 minutos. Isso é feito para proteger o investidor. O objetivo é assegurar que ele está comprando ou vendendo a preços justos, ou seja, os preços praticados no mercado secundário.

Vale lembrar que o Tesouro Selic fica sempre aberto para compra e venda. Isso porque ele não tem tanta volatilidade. Ele se valoriza junto com o comportamento da taxa Selic, e por isso tem menos riscos.

Tesouro Nacional vai reduzir prazos no primário

Com a pandemia, o mercado já espera um aumento expressivo da dívida pública brasileira em 2020. Com isso, a aversão dos investidores ao risco está ainda mais alta.

Em outras palavras, isso aumenta o apetite por títulos de prazos mais curtos e pelo Tesouro Selic. Isso porque os títulos mais longos embutem muitas incertezas.

Por essa razão, o Tesouro Nacional informou que vai dar preferência para emissão de títulos de prazos mais curtos no mercado primário. Segundo Franco, a preferência será por prazos de até quatro anos.

Ele destacou que isso não impacta o Tesouro Direto nem as pessoas físicas. No Tesouro Direto, nada vai mudar.

Trata-se apenas de uma estratégia para o mercado primário, em que os grandes investidores são os compradores.

Atualmente, Tesouro emite R$ 10 bilhões por semana de títulos públicos (incluindo o Tesouro Direto e os investidores institucionais). Deste montante, R$ 5 bilhões são Tesouro Selic e os outros são divididos entre Prefixado e IPCA+, segundo Franco.