Tesouro Direto: Como escolher no contexto de juros baixos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Ter rentabilidade melhor do que a da poupança sem os riscos do mercado de ações. Para quem está começando no mundo dos investimentos, o Tesouro Direto é a opção mais recomendada de renda fixa. É também recomendado para quem tem poucos recursos para investir – com menos de R$ 100 já dá para começar.

No entanto, é muito importante saber diferenciar os títulos disponíveis na plataforma. Até pouco tempo atrás, o título Tesouro Selic era a grande estrela do Tesouro Direto. Por ser um título pós-fixado ao CDI, este papel se valoriza a cada dia (junto com o CDI), e o investidor pode resgatar a aplicação qualquer momento sem o risco de perder nenhum centavo.

O Tesouro Selic era tão vantajoso que muita gente usava não apenas como reserva de emergência, mas como investimento de longo prazo. Hoje em dia, a situação é outra. Com a queda do CDI, o Tesouro Selic perdeu a atratividade.

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Ao mesmo tempo, os títulos prefixados e híbridos – Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA – ganharam destaque. Hoje vamos explicar como funciona o Tesouro Direto e as diferenças entre os papéis.

O que é Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional e da B3 (antiga BM&F Bovespa) que foi criado em 2002 para democratizar o acesso aos títulos do governo. Com ele, qualquer brasileiro passou a poder comprar títulos públicos federais de maneira bastante simples, rápida e totalmente online.

Para investir, você deve entrar na plataforma de sua corretora ou instituição financeira de preferência ou ainda no site do próprio Tesouro Direto. Procure uma que oferece o serviço sem cobrança de taxas. Depois, solicite o cadastro, caso ainda não tenha acesso.

Escolha o título que mais interessa (há títulos com datas de vencimento e rentabilidade diferentes). Depois, basta realizar a compra. Com os recursos captados, o governo vai financiar projetos de educação, saúde etc.

“O Tesouro Direto é uma forma incrível de investimento. Isto porque você é capaz de ser o gestor da sua própria aplicação”, afirma Juliano Custódio, daEQI Investimentos.

Vale a pena investir no Tesouro Direto?

Vale. O Tesouro Direto vem crescendo bastante, o que é um bom indicativo de que é uma opção que vem agradando aos investidores.

O total de investidores ativos, ou seja, aqueles que estão com saldo em aplicações, atingiu 1.275.413 pessoas em maio, com aumento de mais de 28 mil investidores na comparação com abril. Já o número de investidores cadastrados no programa ultrapassou os 7 milhões, crescendo 3,65%.

Leia também: Como investir no Tesouro Direto

Dentre as opções do Tesouro Direto mais negociadas estão três modalidades: Tesouro Prefixado, Tesouro Selic e Tesouro IPCA+. Conheça os prós e contras de cada uma.

Tesouro Prefixado em destaque

O Tesouro Prefixado remunera o investidor por uma taxa prefixada, ou seja, conhecida desde a compra do título. Isto quer dizer que o investidor sabe exatamente quanto seu título renderá caso o mantenha até o vencimento.

No entanto, se a venda ocorrer antes do vencimento, o investidor fica exposto à “marcação a mercado” – que nada mais é do que o valor diário que o título alcança.

O Tesouro Prefixado é indicado especialmente quando o investidor acredita que a taxa prefixada será maior do que a Selic e a inflação medida pelo IPCA na data do vencimento.

Vale lembrar que a Selic encontra-se atualmente em sua mínima recorde (2,25%) e a projeção do mercado é que atinja 2% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).

Já a projeção para inflação é de 1,72% em 2020; 3% em 2021 e 3,5% em 2022, segundo o Boletim Focus, do Banco Central, que apresenta semanalmente as projeções das instituições financeiras.

Desta forma, os prefixados têm apresentado rentabilidades que, analisadas tomando como base os indicadores de hoje de Selic e inflação, são bem mais interessantes.

Algumas rentabilidades anuais do Tesouro Prefixado hoje:

  • Tesouro Prefixado 2023: 4,18%;
  • Tesouro Prefixado 2026: 6,12%;
  • Tesouro Prefixado 2031: 6,73%.

Dica é carregar título até o vencimento

Mas vale o alerta: se você carregar o título até a data do vencimento, tanto melhor terá sido o seu investimento.

Isto porque o percurso até o vencimento pode não ser tão linear, como tem acontecido atualmente, em decorrência da crise do coronavírus. E isto gera volatilidade nos valores diários dos ativos (a chamada marcação a mercado).

Então, para você não perder dinheiro, fica a dica: pense bem se precisará do dinheiro no curto, médio ou longo prazo. E siga até o vencimento para aproveitar toda a rentabilidade.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ é um título híbrido entre pós e prefixado. Uma parte pós acompanha o IPCA, mas existe um cupom adicional, que é a porção prefixada.

Este papel é perfeito para quem tem objetivos a longo prazo ou está pensando na aposentadoria. Hoje, com a queda dos retornos do Tesouro Selic, ele deve chamar cada vez mais a atenção dos investidores.

Ele corrige a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do país, o que garante o poder de compra do dinheiro, e ainda gera rentabilidade. Quanto maior o prazo do vencimento, maior a rentabilidade.

Dentro do Tesouro IPCA+ há também títulos que rendem juros semestrais, bom para quem quer uma renda periódica.

Tesouro Selic perdeu o brilho

Até então grande estrela entre os títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Selic é uma opção dentro dos títulos pós-fixados. No entanto, na atualidade, está sendo mais indicado para quem quer fazer reserva de emergência.

A rentabilidade não é tão atraente atualmente, considerando que a taxa básica de juros se encontra em sua mínima histórica.

Para quem quer sair da poupança e fazer sua reserva de emergência, o Tesouro Selic é o mais recomendado. Isto porque ele garante segurança e liquidez, os dois pilares em que seu “colchão de segurança” deve estar apoiado. É possível resgatar o valor investido no Tesouro Selic a qualquer momento, sem prejuízos.

Vale lembrar que a reserva de segurança pede um valor que corresponda a pelo menos seis meses de manutenção das suas contas básicas – sua e de seus dependentes, se for o caso. E que ela serve para que você tenha fôlego financeiro no caso, por exemplo, de perda de emprego ou outra emergência.