Tesouro Direto registra recorde de captação líquida em abril

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: Crédito da imagem: Reprodução/Internet

O Tesouro Direto publicou seu balanço de abril e anunciou captação líquida mensal recorde de R$ 1,57 bilhão, com  R$ 2,96 bilhões em aplicações e R$ 1,39 bilhão em resgates. Trata-se do maior saldo líquido desde o início do programa.

“Para efeitos de comparação, em março os investidores resgataram R$ 780 milhões a mais do que investiram”, disse a analista de renda fixa da XP Investimentos Camilla Dolle.

Os principais destaques, elencou, foram o aumento na captação de títulos indexados à taxa Selic, aumento na captação de títulos com vencimento entre 1 a 5 anos, redução na captação de títulos prefixados e o aumento no número de investidores entre 16 a 25 anos.

“Os dois primeiros têm em comum o risco mais baixo. Quando falamos em Tesouro Direto, naturalmente nos referimos aos investimentos menos arriscados do Brasil, em termos de risco de crédito. Porém, é possível fazer esta distinção entre os ativos disponíveis também”, disse.

Segundo ela, o Tesouro Selic é ideal para a composição da reserva de emergência, pois tem baixíssimo risco de mercado, que é a exposição às oscilações que podem ocorrer até a data de vencimento, e pode ser resgatado a qualquer momento, com seus recursos ficando disponíveis no dia seguinte. “Ou seja, alta segurança e liquidez”, frisou.

E disse mais: “no caso do prazo, podemos identificar a relação com o aumento nas aplicações no Tesouro Selic, que vence em 2025, mas vale comentar que quanto menor o prazo do investimento, menor o risco envolvido.”

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Busca por segurança

De acordo com Camilla, esse volume no Tesouro Direto caracteriza a busca do investidor pelo investimento mais seguro.

“Dado o cenário de ainda elevada incerteza em que estamos desde o início da pandemia da Covid-19 no Brasil, é mais fácil entender o por que”, disse.

Para ela, é interessante destacar que isso ocorreu mesmo em um cenário de taxas de juros cada vez mais baixas, demonstrando a relevância de títulos públicos em diferentes contextos.

Já a redução na captação de títulos prefixados pode ter relação com este patamar da taxa Selic.

Em abril, o Banco Central ainda não havia realizado o último corte nos juros básicos para 3%, porém as expectativas do mercado já apontavam nesta direção. Com isso, o espaço para ganhos com taxas prefixadas foi reduzido.

“A notícia de captação líquida recorde traz também aumento no número de investidores do Tesouro Direto e faz com que o estoque total chegue a R$ 60,2 bilhões”, destacou.

E acrescentou: “além disso, o programa apresentou maior participação de investidores mais jovens, que provavelmente passam a enxergar a importância de uma boa base para o futuro.”

Segundo ela, esses jovens têm boa probabilidade de passar a se interessar mais pelo tema e continuar investindo, seja no Tesouro ou em outros ativos.

“Lembrando que há mais de R$ 800 bilhões ainda aplicados na poupança, é possível perceber que ainda há um caminho considerável a percorrer”, reforçou.

Porém, notícias como a de hoje mostram que o investidor brasileiro pode estar começando a se conscientizar sobre opções melhores, mais rentáveis e mais seguras.

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